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Folha

Especial: Há 27 anos, Folha é testemunha da História

Trajetória do jornal se confunde com momentos de instabilidade política no Brasil

29 abril 2017 - 20h45Por Texto: Gabriel Tinoco | Arte: Yuri Vasconcellos | Infográfico: Luis Gurgel
Especial: Há 27 anos, Folha é testemunha da História

Se hoje o país vive a turbulência dos protestos, das prisões da Lava-Jato e do mau humor na economia, há 27 anos, quando surgiu a Folha dos Lagos, o cenário não era muito diferente. O jornal, pela primeira vez, circulou no dia 30 de abril de 1990. O prefeito da cidade era Ivo Saldanha e Fernando Collor de Mello, o presidente. Michel Temer, hoje, sofre o desgaste do confisco dos direitos dos trabalhadores; ontem, na era Collor, era o confisco da poupança. E era naquele clima de incertezas e derrotas, como hoje, que nascia a Folha. O país, há 27 anos, estava afundado pela inflação. Se o cenário econômico caminhava para a ruína, a crise institucional aumentou ainda mais com a matéria publicada pela Revista Veja, em 1992, onde o presidente era acusado de corrupção pelo irmão. O empresário Paulo César Farias, o PC Farias, era acusado como testa de fer- ro. O esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos. Ou seja, ele assumiu a 15 de março de 1990 e foi afastados dois anos depois. O vice Itamar Franco (PSDB) assumiu e reergueu a Economia através do Plano Real, o que ajudou a eleger Fernando Henrique Cardoso nos próximos dois mandatos.

A Folha, por 27 anos, acompanhou os escândalos que voltariam a abalar o Brasil como Caso Sivam, Pasta Rosa, compra de votos da reeleição e men- salão tucano mineiro. Todos no governo FHC. Em 2003, Lula consolidou a hegemonia de petistas e tucanos no Planalto. A roubalheira não parou no país. A gestão do petista também colecionou casos de corrupção que atingiram seu ápice no mensalão, com membros do alto escalão do Governo Federal presos. Já Cabo Frio vivia a época da ascensão econômica no segundo mandato de Alair Corrêa, que sucedeu José Bonifácio. A época também marcou o início da polarização entre Alair e Marquinho Mendes, que se revezam no cargo desde 1997 – o que se assemelha à troca de presidentes eleitos por PSDB e PT nos últimos tempos.

O jornal presenciou a crise política do segundo mandato de Dilma Rousseff, com a Economia estagnada, e as descobertas da Operação Lava-Jato. No ano em que o diário completaria 25 anos, em 2015, começaram a ventilar os primeiros rumores de um possível afastamento de Dilma. No ano seguinte, a presidente seria deposta pelas pedaladas fiscais no segundo Impeachment da Era Folha. No mesmo momento, a Folha denunciou o caos da gestão de Alair Corrêa em Cabo Frio, que culminou no abandono da ci- dade e no atraso do pagamento dos servidores. No último dia 28, os trabalhadores mostraram que os personagens mudam, mas que o cenário continua o mesmo.

A Folha, no entanto, tem a comemorar uma história de posicionamento e isenção. De acordo com o autor do livro ‘Folha – Quando a Notícia Vira História’ e professor de História, Paulo Cotias, os problemas que começaram na época da estreia da Folha ajudam a explicar o atual momento. Trajetória do jornal se confunde com momentos de instabilidade política no Brasil

– São problemas de uma longa duração. O que a gente está sentindo hoje foi justamente nesse nascimento da Folha. A abertura econômica do Brasil começa com Collor, se intensifica com Fernando Henrique e se consolida no governo petista. Agora, estamos assistindo a um episódio mais complexo: a desesrtuturação do estado como agente regulador da Economia e das relações de trabalho – afirma o coordenador nacional do curso de História da Estácio.

OS NÚMEROS DA FOLHA:

Os números revelam a história escrita pela Folha dos Lagos nestes 27 anos de caminhada. Dificuldades, crises, desafios, vitórias e, sobretudo, paciência e perserverança, requisitos fundamentais nestes quase 30 anos de jornalismo. Melhor do que tudo isso, a certeza de que a missão se mantém e que, sem dúvida alguma, ainda há muito por fazer.