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Repasse

Escalada do dólar aumenta arrecadações nos royalties

Moeda cresce preço do barril e repasse é maior para municípios

30 setembro 2015 - 09h14

Quase tudo na vida tem um lado positivo. E com a dispara­da do dólar não é nada diferen­te. A franca ascensão da moeda estadunidense, que fechou na maior cotação da história do Plano Real na semana passa­da, inflaciona o preço do barril do petróleo, vendido em dólar. Resultado: maior arrecadação aos municípios produtores e não produtores da Região dos Lagos no repasse dos royalties.

A Folha ouviu o administra­dor Leandro Cunha para saber qual é a melhor maneira dos mu­nicípios da região explorarem a escalada da moeda.

Leandro é lacônico ao afirmar que não há confiabilidade no au­mento do dólar. De acordo com ele, os governos municipais não podem depender de um mercado tão flutuante.

– Não se pode pensar no au­mento do dólar com confiabili­dade. A taxa é flutuante. Pode tanto subir como descer em dado momento. Os municípios devem aumentar a produção do barril de petróleo primeiramente, com­binando com o aumento do pre­ço do Barril. A cotação do dólar é instável, ela pode a qualquer momento intervir no mercado e o preço do dólar dimunir conse­quentemente. A taxa do câmbio está sobrevalorizada e a tendência é o governo intervir para que ela diminua a médio prazo – comen­tou o administrador, que também possui mestrado em Economia.

O consultor empresarial Ri­cardo Azevedo vê o aumento no repasse como um alívio para as cidades em tempos de crise, mas também lembra como a dispara­da afeta negativamente a Econo­mia do país como um todo.

– Os royalties são uma conta que é o preço do barril vezes a produção vezes o dólar. A dis­parada da moeda também não é legal para a Economia do Brasil. Por outro lado, com o real desva­lorizado, os turistas estrangeiros começam a procurar a região. Por exemplo, os turistas argentinos começam a querer visitar Búzios. Essas são as vantagens da subida do dólar – avaliou o consultor.

A cotação do dólar até o fecha­mento desta edição, às 17h, esta­va a R$ 4.

Em valores nominais, as ven­das do setor apresentaram que­da de 0,07% em relação ao mês anterior e, quando comparadas a agosto do ano anterior, alta de 5,1%. No acumulado do ano, as vendas cresceram 7,68%.

“Nós estamos trabalhando com nossos fornecedores para ativar o consumo, especialmen­te em vista da proximidade das festas de final de ano, que po­dem trazer melhores resultados, e também para adaptar nossas vendas e toda a logística de dis­tribuição aos novos hábitos do consumidor, que está priorizan­do as compras de abastecimento da casa”, disse o presidente da Abras, Fernando Yamada.

Segundo a Abras, em agosto, a cesta de produtos Abrasmerca­do (35 produtos de largo consu­mo), registrou baixa de 0,63%, passando de R$ 414,40, em ju­lho, para R$ 411,77, em agosto.