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"É preciso acabar com a cultura machista", diz titular da Delegacia da Mulher em Cabo Frio

25 julho 2016 - 20h51
"É preciso acabar com a cultura machista", diz titular da Delegacia da Mulher em Cabo Frio

Responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, em Cabo Frio, a delegada-titular Cláudia Faissal conversou com a Folha sobre os dez anos da Lei Maria da Penha e também da Lei do Feminicídio, esta mais recente, pois tem pouco mais de um ano.
De acordo com a delegada, apesar dos avanços na legislação, a cultura machista da sociedade ainda fomenta crimes como os que vitimaram Victoria, Thaynara e Rayzza. 

– A separação do feminicídio dos demais assassinatos de mulheres serve para mostrar tamanho do problema – comenta.

Folha dos Lagos – Quais os avanços na legislação?

Cláudia Faissal – Tanto a lei  Maria da Penha como a lei do feminicídio fizeram o Estado reconhecer o problema e tentar adotar medidas mais eficientes para proteger a mulher que continua sendo vítima da violência de gênero. Continua sendo agredida e morta por ser mulher. Mas é preciso lembrar que a lei é só um papel, não pode mudar a cabeça das pessoas. A violência de gênero é histórica e cultural. Para avançar tem que mudar a mentalidade por meio de campanhas e parar de disseminar a ideia de que a mulher é objeto e pertence ao homem.
Folha – Há explicação para aumento do número de casos na região?

Cláudia – Acho que não existe causa específica para aumento na região. Esse problema atinge o Brasil e o mundo. Como eu disse, isso é resultado da cultura machista. Quanto a mais a mulher quer alcançar o seu espaço, o machismo vem de forma brutal. Outro ponto em relação aos dados, é que hoje é mais fácil identificar as mulheres que são vítimas por serem mulheres. Antes nas estatísticas entrava tudo. Os números hoje são mais evidentes e o lado positivo da legislação é que chamou a atenção das pessoas.

Folha – O que a senhora tem a dizer a quem sofre algum tipo de violência mas tem medo ou vergonha de pedir ajuda? 

Cláudia – O caminho é procurar ajuda da polícia e da Justiça na primeira agressão, na primeira ameaça. Mesmo que a violência seja psicológica. 
Folha – De que a modo a Deam tem contribuído e como pode aprimorar a proteção á mulher? 

Cláudia – O trabalho policial é fazer o registro e encaminhar rapidamente para que o juiz tome medidas protetivas. Mas é importante que a vítima informe a delegacia em caso de descumprimento da medida por parte do homem.

Folha – Em meio à crise do Estado, como a Deam está fazendo para não prejudicar o atendimento?

Cláudia – Estamos fazendo tudo para que isso não afete. Pedimos ajuda à sociedade e apoio aos comerciantes quando tivemos problemas com a impressora. Mas mesmo quando houve a paralisação parcial não deixamos de fazer os registros. Somos atingidos (pela crise),