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DRAMA EM QUATRO PATAS

Durante a pandemia, animais de rua ficam à própria sorte em Cabo Frio

Protetoras observam que número de abandonos cresceu em meio à crise do coronavírus

04 abril 2020 - 13h59Por Rodrigo Branco

No vazio das ruas de Cabo Frio, animais de rua perambulam de um lado para o outro, mas a oferta de sobras de comida e água escasseou. Com a proibição de funcionamento de restaurantes e lanchonetes, como forma de prevenção ao novo coronavírus, a população de quatro patas que vaga pela cidade perdeu o que, muitas vezes, era a única fonte de alimento, que não seja revirar latas e sacolas de lixo.

Não há estatísticas oficiais que comprovem, mas segundo protetoras que atuam na causa da defesa animal, o período de pandemia fez crescer o número de abandonos de cães e gatos, e consequentemente, a quantidade de bichos sem dono pelo município. A protetora Carol Midori, que promove feiras de adoção ao longo do ano, relata que várias famílias já entraram em contato para devolver os animais. Entre as justificativas, ela diz, estão o desemprego e a alegada falta de condições financeiras para cobrir os gastos de ter um animal em casa, em um período de crise financeira.

A própria protetora tem encontrado dificuldades para manter o trabalho, pois o brechó que mantém no Itajuru para cobrir as despesas, o Bazar Animal, está com as portas fechadas. Mesmo assim, penalizada com a situação, Carol não deixou de ajudar, percorrendo as ruas de carro, com sacos de ração, e faz um apelo às pessoas podem contribuir para amenizar a situação.

– Onde eu moro, em Unamar, onde já é comum ver muitos cães revirando lixo. Tem muito animal abandonado. E hoje a situação está muito pior. Vejo muito animais revirando o lixo e com muita fome. Chego nesses lugares para botar ração e aparecem 20 cachorros desesperados para comer. Então é importante a população ajudar. Se não sair de casa, perfeito, mas bota um pouquinho de ração na porta, que seja, porque os animais estão sofrendo mais do que o normal – apela.

Também protetora, a aposentada Valéria Céliz concorda com Carol, mas sente a responsabilidade no bolso. Sem outra fonte de renda que não seja o benefício que recebe da Previdência, ela se desdobra para manter os 50 cães e 40 gatos que hospeda atualmente em casa. Com dificuldades, ela tenta fazer a sua parte, mas pede ajuda.

– Não tem lugar para enfiar mais nada. Nessa crise eu não tenho mais ração, sou aposentada e meu rendimento é pouco. Não tenho condição financeira para sustentar. Fiz um apelo no meu Facebook e nos grupos e tenho conseguido um bocado de ração, apesar de nunca ser o suficiente. Tenho conseguido ajuda graças aos amigos, porque só eu gasto um saco de 15 kg por dia e um saco de 10 kg por semana – afirma.

Para a protetora Flávia Quinõnes, o aumento de animais abandonados, também se deve à falta de conhecimento da população quanto ao próprio meio de transmissão do Covid-19. Flávia diz que soube de casos de pessoas que largaram os bichos à própria sorte, com medo de uma possível infecção pela doença.

Entretanto, estudos científicos apontam que não há informações de transmissão do novo coronavírus de animais domésticos para seres humanos. Além disso, o vírus atinge esses animais no sistema digestivo. Embora haja vacina para o coronavírus animal, ela não serve para o homem.

– Estou percebendo que tem aumentado muito os pedidos de resgate para cães abandonados, que já eram muitos, mas piorou. Tem pessoas que estão sem condições de sustentar por causa dessa crise e outras que, por ignorância, estão abandonando. Fora os que vivem na rua e estavam acostumados comer em portas de restaurantes e lanchonetes e que estão sem alimento. O que eu sugiro seria uma campanha para arrecadar ração – opina.

Procurada, a Secretaria de Agricultura, responsável pela proteção animal em Cabo Frio, informou que “é o papel de cada cidadão o cuidado com animais que se dispõe a ter, sendo responsável ainda pela destinação, não abandonando nas ruas”.  A Secretaria esclarece ainda que recebe animais na unidade e que está com o atendimento interno normal para realizar os cuidados com os bichos que estão no Canil Municipal.

A protetora Valéria Céliz pede a quem quiser ajudar com ração ou com outras despesas, entre em contato pelo telefone (22) 99267-7484.

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