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Dono de tradicional banca de Cabo Frio está internado

Luís Cláudio Lopes relembra encontro com Prestes e vida de muito trabalho  

02 outubro 2017 - 10h54
Dono de tradicional banca de Cabo Frio está internado

O dono da banca Exótica, Luís Cláudio, o ‘Barbudo’, está internado no Hospital São José Operário, em Cabo Frio, há três meses. No Dia do Jornaleiro, comemorado ontem, o ‘Barbudo’ relembrou à Folha uma vida de luta e encontros, uma vez que, como diria o slogan da banca, “Cabo Frio passa por aqui”. 

E a luta esteve desde a infância, como relatou o próprio Luís, muito “apegado ao trabalho”. 

– Trabalho no ramo desde os 12 anos. Meu pai era jornaleiro e me chamou para trabalhar. No começo, a gente tinha que ir até o Rio de Janeiro. Pegávamos as barcas, pois não tinha Ponte Rio-Niterói na época. Acordávamos às 5h – rememora. 

No maior dos encontros, o Barbudo teve a oportunidade de conhecer uma das maiores figuras políticas da história do Brasil. 

– Conheci o Luís Carlos Prestes. Foi na campanha do Leonel Brizola a governador do Estado do Rio de Janeiro. Perguntei a ele se tomava remédio. E ele falou que nunca foi à farmácia. Só tomava remédio homeopático. Ele era contra venda de remédios. Era muito boa pessoa. Estava de terno. Devia ter tirado uma foto, mas não tive oportunidade – declara.

Já o sócio Fábio Neves exalta o companheiro de profissão.

– Nunca vi um jornaleiro tão querido e tão dedicado à profissão como ele. Nessa profissão, que estou há bastante tempo, aprendi muito com ele e continuo aprendendo – elogia.

No Dia do Jornaleiro, 
profissão é celebrada

No Dia do Jornaleiro, os donos de bancas comemoram as amizades com clientes e ressaltam a necessidade de se reinventar com os avanços tecnológicos. Na rotina sempre movimentada da Banca Exótica, a vendedora Márcia Ferreira, 51, garante que não há tempo para ficar sozinha.

– Aqui a gente tem contato com a cultura e com a clientela. É fonte de informação. Os clientes chegam, conversam, comentam a notícia do jornal... No poucos  tempo que tenho aqui, conheci muitas pessoas. Além do mais, essa banca tem uma clientela assídua. São pessoas que conhecem Luís Cláudio e Fábio há muitos anos. Eles têm preferência de comprar aqui. Tem gente de segunda a segunda. Não dá para ficar solitária aqui – conta.

A jornaleira Júlia de Souza, 45, não sente o impacto dos tempos de internet graças à diversidade de produtos junto com revistas e jornais.

– Hoje em dia temos que nos diversificar para conseguir manter a banca. A internet influenciou muito. Mas o lucro não vem de um produto específico que vendemos a mais. Vem do montante. Lucro, por exemplo, R$ 0,10 a cada recarga de celular. É muito pouco.

Mas as bancas de jornais ainda têm uma clientela fiel. Segundo o jornaleiro Paulo Bittencourt, 58, dono da Banca da Amizade, ainda há muita gente que prefira a notícia impressa.

– Trabalho há 17 anos... A internet tirou um pouco as vendas. Mas substituimos o prejuízo por bala, doces, bebidas... Não perdemos lucro. Tem cliente que mantém o hábito quase religioso de comprar jornal impresso todo dia. E não é só o público mais velho. Tem muito jovem que prefere o papel – finaliza.