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Diálogo - Paulo Cotias: secretário quer ‘remar’ com trade turístico

​Professor aposta em gestão participativa para comandar a pasta

29 junho 2019 - 12h01
Diálogo - Paulo Cotias: secretário quer ‘remar’ com trade turístico

RODRIGO CABRAL

O novo secretário de Turismo de Cabo Frio, Paulo Cotias, que assume o cargo na segunda-feira, quer remar lado a lado com as- sociações, entidades e representantes do trade turístico em busca do que pode ser classificado como tesouro para uma cidade como Cabo Frio: soluções que alavanquem o desenvolvimento econômico a partir do fomento do setor e qualificação do destino. Será a gestão participativa a principal característica de sua gestão, afirma Cotias à Folha.

A primeira reunião já será agendada para a semana que vem. O professor, até então responsável pela superintendência de Turismo Histórico, substitui o empresário Radamés Muniz, a quem tece elogios:

“É reconhecível seu esforço, experiência e dedicação apaixonada à área”.

Ele reconhece que o desafio é grande:

– Estou bastante motivado. É como digo: um bom viking gosta de mar revolto.

Folha dos Lagos – Quais serão suas primeiras ações como secretário?

Paulo Cotias – Vamos implementar um modelo à semelhança de governança corporativa com reuniões periódicas de equipe, com modelo de gestão de desempenho operacional, onde serão acompanhados e avaliados todos os projetos e ações desenvolvidos pela secretaria. Em termos gerais, a secretaria vai passar a funcionar por meio de dois grandes programas: em um, a atividade turística vai ser pensada de modo específico e estrutural; no outro, serão tocadas as questões ligadas à qualificação, ao impacto social da atividade turística e à promoção de novos negócios. A perspectiva é também de fortalecer as atividades de turismo histórico e social, que colhem números bastante expressivos. Entre todos os programas e atividades, fizemos quatro mil atendimentos históricos a turistas e moradores. Entendemos que é muito importante o morador se apaixonar pela sua cidade. Assim, ele também compreende como se encaixa na base turística. O turismo histórico vai se tornar a menina dos olhos.

Folha – De que forma o turismo histórico qualifica o destino?

Cotias – Essas atividades potencializam a atividade financeira do trade. É excelente para a montagem de pacotes turísticos, para a venda do destino turístico pelos guias. Ela enriquece a atividade de guias e operadores. Temos também outras potencialidades, além do histórico: o turismo esportivo, o turismo de natureza de sol e mar...

Folha – Como é sua relação com os demais secretários, à luz de um olhar intersetorial para o turismo?

Cotias – A relação é ótima com secretários antigos e com os novos. O mais importante não é a pessoa em si. Como gestores, temos que entender que ninguém tem receita de bolo. Ninguém deve aparecer sozinho. Todos têm seu talento, protagonismo, muito esforço e boa vontade. E os desafios nos exigem tudo isso, além de uma criatividade fora dos padrões.

Folha – Qual a principal demanda do trade turístico?

Cotias – A atividade econômica depende do turístico para suas bases fundamentais. A organização da cidade é fundamental para que possa funcionar como polo indutor de atrativos turísti- cos, além do respeito à sua capacidade de carga referente a água, energia e atendimento médio. Esse é o dever de casa constante do dever público. O ordenamento do uso do solo também é muito importante. Outra [demanda] é de que maneira o poder público pode criar um ambiente favorável a negócios inerentes à atividade turística.

Folha – Qual a importânciada conquista do selo Bandeira Azul na Praia do Peró? É possível que outro ponto da cidade ganhe a certificação internacional?

Cotias – O selo Bandeira Azul veio de um esforço coletivo. É uma vitória para o turismo. Mas não é única e exclusivamente conquista do turismo. Perpassa muitas secretarias. É preciso que a Ordem Pública esteja lá com monitoramento constante, que a Polícia Militar garanta segurança ostensiva, que a secretaria de Meio Ambiente monitore a balneabilidade, que a Comsercaf atue na limpeza, que a Postura atenda as determinações quanto ao uso do solo.... É uma conquista intersetorial. É uma certificação que pode ser aplicada numa metragem determinada. Acho que este case de sucesso, uma vez tendo sido acertado no Peró, pode e dever ser levado a outras localidades.

Folha – Uma das críticas costumeiras à gestão de turismo em Cabo Frio nas últimas décadas é que fortaleceu a concepção de cidade do “espetáculo”, em que são valorizados as regiões centrais e a Praia do Forte, em detrimento dos bairros periféricos. Como equacionar isso?

Cotias – O turismo de base local é o caminho. Temos que mostrar a vocação de determinadas áreas urbanas para construção de um atrativo. E outro ponto é favorecer o ambiente de negócios associado ao turismo e congêneres, além de ampliar a qualificação através de cursos e parcerias com centros de excelência. Vamos afinar ainda mais essas parcerias. . Essa visão faz com que esses bairros possam ver de forma diferenciada o turismo, implementando uma cultura de visitação e preservação. É algo progressivo e gradual.

Folha – Como está a transição com Radamés Muniz?

Cotias – Muito tranquila. Como eu já participava da gestão, conheço as pessoas, a equipe. Radamés deu sua grande contribuição para o turismo de Cabo Frio. É reconhecível seu esforço, experiência e dedicação apaixonada à área. Para nós, fica a missão de dar continuidade da gestão à altura.

Folha – Qual será a principal característica da nova gestão?

Cotias – Vamos trabalhar numa gestão participativa público-privada. O setor representativo da iniciativa privada, como associações, Convention Bureau, Sebrae, Acia, entre outros, estarão conosco em reuniões periódicas para definir diretrizes, metas, programas, planejar a atividade turística e auxiliar em sua execução. Será um marco inovador, pois, na minha concepção, não é possível pensar no protagonismo da atividade turística sem o protagonismo de seus operadores diretos. Estou bastante motivado com esse desafio. É como digo: um bom viking gosta de mar revolto. Agradeço ao prefeito Adriano pela confiança. Agradeço ao trade pela confiança, também, pela receptividade ao nome. Tudo gera um expectativa de corresponder à altura, mas o que me tranquiliza é que não vou estar sozinho, pois muita gente quer o desenvolvimento dessa cidade e a sua prosperidade.

Folha – Como vê o processo de regionalização do turismo?

Cotias – O processo de regionalização se impõe como necessidade. Pensar Cabo Frio nas suas peculiaridades é muito importante. Mas, em um contexto onde destinos com potencialidades diversas em alguns aspectos e semelhantes em outros estão a tão poucos quilômetros de distancia, há um maior aproveitamento para todos se conseguirmos estabelecer a construção de roteiros e desti- nos que contemplem o que há de melhor em cada cidade. A nossa conversa vai ser franca e aberta, com muito respeito ao que cada secretário tem estabelecido como suas prioridades, mas tentando encontrar pontos de sinergia entre as nossas ações.

Folha – A retirada do setor de Eventos da secretaria de Turismo não enfraquece a pasta?

Cotias – Não vejo a saída de Evento como algo que nos enfraqueça. É uma concepção diferente, que vai ser testada. Apenas saímos de executores para demandantes. Não altera nossa responsabilidade de pensar um calendário turístico. Não nos exime da responsabilidade de trabalhar nos eventos. Mas sai de nós as tratativas operacionais ligadas à execução direta. Vamos trabalhar com muita afinidade e proximidade. Precisamos criar eventos com identidade, continuidade e atratividade da mesma maneira que também precisamos escalonar outros eventos para que atendam também à nossa demanda de base local, como festivais comunitários e temáticos.

Folha – Seu trabalho realiza- do à frente do Turismo Histórico foi bastante reconhecido. Como professor de História, quais momentos te marcaram ao ver projetos tomando corpo?

Cotias – Dois pontos me marcaram muito dentro do projeto ‘Caminhos da História’. O primeiro: atendemos alunos na zona rural de Cabo Frio que nunca tinham ido ao Centro da cidade. Eles se emocionaram a tal ponto de conhecer nosso patrimônio, no Charitas, que choraram. Foram recebidos por nosso historiador, que também é músico. Alguns nunca tinham ouvido piano presencialmente. Vivenciaram aquilo tudo pela primeira vez. Também tive a mesma emoção quando levamos um grupos de idosos para descobrir a história da cidade, que se mistura às suas próprias histórias.