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Trânsito

Dia Mundial Sem Carro: um nó ainda a ser desatado

Folha vai às ruas e constata que melhorar trânsito de Cabo Frio é um desafio

23 setembro 2015 - 09h00

RODRIGO BRANCO

Se nesta terça-feira (22) foi comemorado o Dia Mundial sem Carro, para muitos foi uma data como outra qualquer. Por desconhecimento ou opção, mais uma vez, muitos cabofrienses tiraram os veículos da garagem para ir ao trabalho ou cumprir seus compromissos. A falta de ciclovias, associada às deficiências do transporte coleti­vo, resulta em um trânsito inten­so em vários pontos da cidade, na maior parte do dia.

A Folha esteve durante meia-hora em um dos cruzamentos mais movimentados de Cabo Frio, das avenidas Teixeira e Souza e Julia Kubitschek e pode comprovar que trafegar pelas vias de Cabo Frio, por vezes, é um exercício de paciência para os motoristas e ciclistas.

Para o ativista Daniel Ribeiro, do movimento Bike Night, que ontem de manhã fez um ato em frente ao Lanche do Operário, no Jacaré, a questão da mobili­dade urbana vai muito além da construção de ciclovias (“Hoje não tem um metro, o que te­mos somos ciclofaixas”) e passa pela melhoria das calçadas e do transporte coletivo.

– Por muito tempo, nosso município só pensou no espaço público e nas ruas, como lugar de carros e não de pessoas e hoje enfrentamos um grave proble­ma de mobilidade, altos índices de acidentes fatais e redução da qualidade de vida. Então espera­mos que esse dia sirva de alerta para mudarmos esse quadro – afirma Daniel Ribeiro.

De acordo com o secretário municipal de Transporte, Victor Moreira, a Prefeitura tem bus­cado alternativas para melhorar a mobilidade urbana, mas esbar­ra na crise financeira pela qual passa o município. Ele afirma que há projetos para ciclovias, ciclofaixas e novos semáforos, mas isso depende da entrada de novos recursos em caixa.

– Sem dinheiro não temos como fazer nada. Nosso grande problema é a arrecadação. Te­mos projeto para a sinalização horizontal, mas vai depender da situação financeira que está precária, mas acredito que vai mudar. Reconheço que estamos bem atrasados em termos de mo­bilidade urbana, mas não temos como resolver todos os proble­mas em dois anos e nove meses – afirmou o secretário que ad­mitiu que, ontem, também usou o carro para ir ao trabalho. Ele alega que ganhou em agilidade.

– Sem carro, não teria feito um terço do que já fiz até agora – justifica o secretário.

A motorista Verônica Cordei­ro concorda.

– (O carro) É pela segurança e rapidez de locomoção – diz.

Para Leonardo Andrade, fal­tam guardas e placas.

– Muita gente me pede infor­mação porque fica perdida.