Assine Já
segunda, 28 de setembro de 2020
Região dos Lagos
35ºmax
20ºmin
Mercado Tropical
Mercado Tropical Mobile
TEMPO REAL Confirmados: 8330 Óbitos: 430
Confirmados Óbitos
Araruama 1625 102
Armação dos Búzios 491 10
Arraial do Cabo 252 15
Cabo Frio 2757 145
Iguaba Grande 684 36
São Pedro da Aldeia 1341 54
Saquarema 1180 68
Últimas notícias sobre a COVID-19
Celebração

Dia dos Pais: famílias LGBTIs compartilham experiências sobre a paternidade

Histórias relatam dificuldades e conquistas

09 agosto 2020 - 16h55Por Carolina Perez / Portal RJ
Dia dos Pais: famílias LGBTIs compartilham experiências sobre a paternidade

No segundo domingo de agosto é celebrado, tradicionalmente, o Dia dos Pais. Para marcar a data, neste dia 9, o Portal RJ conversou com algumas famílias LGBTI que vivenciam diariamente a experiência da paternidade. Uma destas histórias é a do morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, Ygor Hypolito de Castro, pai de João Vincenzo Castro Balman, de 3 anos. Ygor é um homem trans – nasceu mulher, mas fez a transição para homem. Ainda assim, manteve o corpo com os órgãos femininos, o que permitiu que ele gerasse uma criança.

- Aos 18 anos, me descobri lésbica. Na verdade, queria ter barba, mas não sabia que existia o termo trans. Em 2014, embora ainda não me aceitasse, comecei minha transição para homem. Foi um processo longo e complexo porque queria ter um filho. Em 2015, fiz uma inseminação artificial e engravidei. Não vou dizer que foi um período fácil porque vi meu corpo ficar totalmente feminino, o que me deixava triste – contou Ygor, que tem 29 anos, é formado em técnico em enfermagem, musicoterapia e, atualmente, cursa faculdade de biomedicina.

Em setembro de 2016, nasceu João Vincenzo e, mesmo sendo a pessoa que gerou a criança, Ygor se considera pai.

- Mesmo durante a gravidez, minha aparência era masculina e eu usava, por exemplo, cabelos curtos. Não deixei de fazer nada que uma genitora faz: amamentei e cuidei do meu filho. Mas, digo que sou pai do João. Ele me chama assim e é uma coisa natural entre nós dois. Sou pai solteiro – disse ele.

Atendimento psicológico no Centro de Cidadania LGBTI

Durante o período de lactação, Ygor precisou deixar de tomar os hormônios que ajudam na questão da masculinidade (produção de pelos, barba, entre outros) para não afetar o bebê. O jovem buscou ajuda no Centro de Cidadania LGBTI de Arraial do Cabo (Baixada Litorânea), equipamento administrado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), por meio do programa Rio Sem Homofobia.

- Busquei atendimento psicológico no Centro LGBTI. Me ajudou bastante, principalmente a diminuir minha ansiedade. Estava bem mal e o apoio foi ótimo – disse Ygor, completando:

- Meu filho tem o diagnóstico do transtorno do espectro autista e eu sou a referência dele de vida. Ele me vê estudando, dando aula de música e diz que quer fazer igual. Quando ele crescer, vou contar a nossa história porque é minha obrigação como pai. Muitas pessoas não sabem que sou trans, mas minha identidade é Ygor. Sempre me senti homem – finalizou Ygor.

Pai e avô

Outra experiência é a do Marcos da Costa Lopes, de 53 anos. Em 1998, ele se assumiu homossexual após terminar um casamento onde teve três filhos – Átila, Aline e Amanda. Em 2001, Marcos conheceu o atual companheiro e, dois anos depois, o filho mais velho dele foi morar com eles. Uma nova família ali se formava.

- Me casei aos 22 anos e fui pai pela primeira vez aos 23. Decidi assumir minha orientação sexual perante minha família. O relacionamento com os meus filhos não mudou em nada. Dois anos após eu e meu companheiro morarmos juntos, o Átila se mudou e veio ficar conosco. Ele só saiu de casa quando foi construir a família dele. Embora as meninas tenham ficado morando com a mãe delas, nossa relação também sempre foi muito positiva – contou Marcos.

Átila tinha 13 anos quando saiu da casa da mãe e foi morar com o pai e o companheiro dele. Durante boa parte da adolescência, pai e filho tiveram que conviver com alguns questionamentos, até mesmo da própria família.

- Eu me recordo de alguns episódios quando, por exemplo, ele estava jogando bola na rua e os amigos o perguntaram se o pai dele era “viadinho”. Esse, infelizmente, foi o termo usado. Ele disse para perguntarem diretamente a mim. Sempre disse que minha orientação sexual é minha e que meus filhos têm as deles. Já ouvi também perguntas de membros da família indagando como seria criar um filho com a minha condição. Sempre respondi que era da mesma forma, nada mudou. Sou um pai presente e o que importa que é meus filhos são pessoas de caráter e honestas – disse.

União estável através do Rio Sem Homofobia

Foi através de uma ação promovida pelo Rio Sem Homofobia que Marcos e o marido Josué realizaram a união estável. A ação do Governo do Estado foi a primeira a acontecer no âmbito público, em 2011, no Rio de Janeiro. Em 2013, veio a conversão para o casamento civil após a histórica decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

- Fomos o primeiro casal de Duque de Caxias a se casar oficialmente. Isso significou a liberdade de poder ter os mesmos direitos que um casal heterossexual tem. Minha família sempre esteve presente neste e em outros momentos, como dia dos pais, natal e aniversários – comentou Marcos, lembrando:

- Agora, vieram os netos: tenho três. O mais velho já até contou a minha história na escola dele porque, uma vez, houve um teatro sobre família. Normalmente, falam que é constituída de mãe, pai e filho. No nosso caso, é pai e pai, né? E, meu neto ainda questionou, afirmando que o avô dele e o padrinho dele eram casados e que isso também é família – afirmou Marcos ao explicar que marido se aproximou tanto do filho mais velho dele que batizou o filho de Átila.

Descubra por que a Folha dos Lagos escreveu com credibilidade seus 30 anos de história. Assine o jornal e receba nossas edições em casa.

Assine Já*Com a assinatura, você também tem acesso à área restrita no site.