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ABUSO NO ISOLAMENTO

Denúncias de violência doméstica na quarentena aumentam até 50%, aponta Prefeitura de Cabo Frio

De outro lado, queixas na Deam diminuem no período: “pessoas não saem para fazer registro”, diz delegada

14 abril 2020 - 16h42Por Rodrigo Branco
Denúncias de violência doméstica na quarentena aumentam até 50%, aponta Prefeitura de Cabo Frio

O confinamento imposto como medida de distanciamento social para frear a escalada do novo coronavírus fez disparar as denúncias de violência doméstica em Cabo Frio, segundo dados do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam). A coordenadora-geral dos Direitos da Mulher, Nilma Carneiro, afirma que as denúncias de agressão física e psicológica feitas por telefone aumentaram 50% nos últimos 30 dias, período que compreende a quarentena feita pela maior parte da população, em relação aos meses anteriores.

No caso do atendimento presencial, o aumento foi de 10% nas últimas quatro semanas de distanciamento social. Neste caso, o acréscimo foi registrado, mesmo com as limitações de circulação impostas pelas medidas tomadas pelos governos municipal e estadual. A coordenadora-geral reforça para aquelas que sofrem abusos de qualquer ordem que o atendimento está mantido, apesar da pandemia.

– O Ceam está funcionando das 9h às 14h, estamos com o atendimento presencial e por telefone. O atendimento via telefone aumentou consideravelmente. É sabido que a violência doméstica aumentou consideravelmente nesse período de quarentena, mas a dificuldade de locomoção das mulheres está muito difícil. Os órgãos que dão assistência às mulheres só estão atendendo emergência. O Ceam continua atendendo com uma equipe reduzida, mas temos psicóloga, assistente social, advogado e pedagogo realizando atendimento – explica Nilma.

O aumento no pedido de apoio psicológico, contudo, não se reflete em mais boletins de ocorrência. A titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Cabo Frio, delegada Carla Tavares, comentou que as ocorrências rarearam. 

– Aqui na Deam Cabo Frio não tivemos nenhum aumento do número de ocorrências, muito pelo contrário, tivemos redução. Na quarentena, as pessoas não estão saindo para fazer registro. Temos alguns casos registrados pela internet, mas que também não chegam ao volume que tínhamos antes – observa.

Para a advogada e professora universitária Ana Carolina Carvalho Barreto, o confinamento potencializa a violência praticada no âmbito familiar e reduz a efetividade das medidas protetivas já existentes. A ativista, que é conselheira municipal da Mulher de Cabo Frio e presidente da ONG Reação Mulher, reconhece que o momento é delicado, sem precedentes e de aprendizado.

– A violência contra a mulher no Brasil é um índice que muito preocupa. Não é novidade que somos um dos países que mais as mais altas taxas de violência contra a mulher. E agora, na quarentena, isso se agrava. Temos que tentar olhar esse fenômeno por várias vertentes: como ela á praticada, quais os meios que ela possui de enfrentamento e o que isso modifica com a quarentena. Em período normal, muitas mulheres não denunciam; isso é um fato notório. A quarentena agrava isso. Em condição normal, as mulheres que teriam condições de enfrentar essa violência, muitas vezes se calam e tem medo de sair de casa, contrair o vírus e assim colocar em risco a vida de seus filhos e das pessoas que moram com ela – analisa.  

A educadora feminista Tânia Muri Lopes apresenta dados que cofirmam a escalada da violência doméstica neste período de maior recolhimento. Segundo ela, o serviço Disque 180, teve um aumento de 8,5%, nas queixas recebidas e o Plantão Judiciário do RJ, aumento de 50% nas denúncias de violência doméstica.

A integrante do Movimento de Mulheres de Cabo Frio, que faz parte da Articulação de Mulheres Brasileiras Rio/Lagos cobra melhor acolhimento à mulher pela polícia e pelo poder público em geral. 

– Já não é mais novidade que os órgãos responsáveis pelo apoio e atenção às mulheres estão deixando a desejar e demandando críticas e denúncias tornando a vida das mulheres mais vulneráveis e expostas a riscos na sua saúde física e mental, sem falar nas mortes, aumentando os dados na estatística do feminicídio – questiona a ativista.

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher de Cabo Frio funciona das 9h às 14h, na Rua Florisbela Rosa da Penha, 292, no Braga, e pelo telefone (22) 99808-2557. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher

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