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Defeso

Defeso total começa no sábado

Colônias de pescadores querem inversão de datas para camarão

29 julho 2015 - 08h01

A partir de sábado começa o terceiro defeso total da Lagoa de Araruama, que se estende até 1º de outubro, e que, anualmente, proíbe qualquer tipo de pesca no manancial, inclusive a esportiva. Apesar de pescadores e entida­des reconheceram os bons resul­tados quanto à preservação da laguna e das espécies, eles afir­mam que há ajustes necessários para manter o equilíbrio tanto da pesca quanto da laguna: liberar a pesca do camarão (que acontecia justamente de agosto a outubro) e manter neste período apenas a proibição para peixes em geral.

Como o defeso é norma na­cional, entidades e profissionais de diversas cidades da Região dos Lagos entregaram um do­cumento solicitando essas alte­rações ao Ministério da Pesca, mas de acordo com o presidente da Colônia de Pescadores Z-4, de Cabo Frio, Alexandre Mar­ques, não houve tempo hábil para implantação das mudanças.

– Essa foi a alegação, mas é importante mudar, porque esta­mos liberados para pescar numa época em que o camarão é juve­nil e proibidos quando está num tamanho bom. Pedimos a inver­são, mas não só para o camarão, porque o Ministério demora mui­to para dar licença para uma es­pécie-alvo. A solicitação foi para proibir a pesca de crustáceos em geral em março, abril e maio. De agosto a outubro só os peixes se­riam proibidos – explica.

Durante o defeso cerca de 500 pescadores da região, cadastra­dos no Ministério da Pesca, vão receber benefício no valor de um salário mínimo (R$ 788).

A fiscalização do defeso, por outro lado, é do Governo do Es­tado, por meio da Unidade de Polícia Marítima e Ambiental, que tenta evitar o uso de redes de arrasto, varas de pesca e embar­cações em atividades pesqueiras. Quem for pego atuando no defe­so leva advertência na primeira ocorrência e, na segunda, poder ter a rede e o produto apreendi­dos, além de pagar multa, que chega a um salário mínimo.

Apesar de benefícios, Fiperj mantém cautela

O objetivo da proibição é co­laborar para reprodução de espé­cies de peixes e crustáceos que estão em falta no ecossistema, como tainha, perumbeba e ro­balo. A Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio (Fiperj) ainda é cautelosa sobre os resul­tados. “Alterações na produção total de pescado ocorrem de um ano para outro, decorrentes de diversos fatores (tanto de ori­gem natural quanto antrópica). Por isso, é prematuro dizer se o defeso já surtiu algum efeito”, explicou a fundação, em nota.

No entanto, a ex-secretária de Meio Ambiente de São Pedro da Aldeia, Adriana Saad (que respondia pela pasta até a sema­na passada) afirma que em dois anos o defeso total propiciou o surgimento de espécies que não eram abundantes, como o robalo, que antes pesava até 2kg e atual­mente pode chegar a 8kg, e a pe­rumbeba, que cresceu e também aumentou a oferta, o que caracte­riza um resultado positivo.

– Foi possível tirar, por exem­plo, cinco toneladas em apenas cinco dias. Há três anos não se via um desempenho como esse – destacou Adriana.

De acordo com dados forne­cidos pela Fiperj aos quais a Fo­lha teve acesso, a produção total da Lagoa de Araruama foi de 455.468kg em 2013, enquanto em 2014 a marca ficou em 262.025kg. Ainda não há parcial de 2015.