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igualdade de preços

Decisão que iguala preços para homens e mulheres na balada é criticada

Frequentadores de boates em Cabo Frio e Búzios consideram medida 'desnecessária'

11 julho 2017 - 11h39Por Gabriel Tinoco I Foto: Divulgação
Decisão que iguala preços para homens e mulheres na balada é criticada

A recente decisão do Ministério da Justiça em igualar os preços cobrados a homens e mulheres começa daqui a um mês, mas já gera insatisfação em Cabo Frio e Búzios. Os frequentadores da balada consideram a medida uma intervenção desnecessária nos negócios das casas noturnas. De acordo com o comunicado, caberá ao Procon fiscalizar a disparidade nos valores pagos entre os gêneros.

– Sou contra a medida que está sendo aprovada por uma série de motivos. A gente (mulheres) já ganha menos. Cada casa noturna deveria ter seu jeito de agir. Essa medida pode ser um tiro no pé. Como está todo mundo em crise, vai contribuir para diminuir o movimento – comenta a desempregada Bianca Ribeiro, 30, que frequenta assiduamente boates desde que se tornou maior de idade.

Há discordância também entre quem trabalha com shows e festas em boates. Na opinião do produtor de eventos Matheus Sherman, 30, a gratuidade é simples “estratégia de venda”.

– Sou contra a essa determinação da Justiça. Se com preço mais barato, poucas pagam entrada, imagina igualando. É só fazer um evento e colocar a entrada unissex e ver o quanto as vendas do sexo feminino caem drasticamente. É só abrir uma lista amiga e reparar que, se não colocar mulher vip, quase nenhuma envia nome. Colocar preço mais barato é uma estratégia para atrair o sexo feminino, pois é isso que o homem quer ver na noite, e é isso que faz o mesmo consumir. Até porque 90% do faturamento da maioria das festas e eventos vêm dos homens e os outros 10% das mulheres. Isso não é machismo, é uma simples estratégia de venda – argumenta.

Para Daniel Thomazelli, bacharel em Direito pela UFF, a medida mais adequada era avaliar caso por caso.

– Não vejo proibir a prática como a melhor solução. O correto é ver caso a caso, se essa cobrança diferenciada tem em si uma discriminação por trás, uma quebra injustificada no tratamento isonômico entre homens e mulheres. Se tiver, deve ser proibida. Se não tiver, o Estado não deve interferir em como a iniciativa privada rege seus negócios – pondera.

Mas nem toda entrevistada é contra a proibição. A servidora Nathália Gomes, 28, por exemplo, não se importa em desembolsar o mesmo que os homens.

– Por mim tudo bem, contanto que não encareça. Por que o homem tem que pagar mais caro? Acho justo que ambos paguem o mesmo valor – diz.