domingo, 03 de março de 2024
domingo, 03 de março de 2024
Cabo Frio
23°C
Park Lagos mobile
Geral

De Cabo Frio para o oceano: velejador atravessa o Atlântico e chega à cidade neste sábado (9)

Arthur Curvello é carioca de nascimento, mas foi criado em Cabo Frio durante toda a infância

07 dezembro 2023 - 11h39Por Cristiane Zotich

Imagine você ter a liberdade de trabalhar de onde quiser enquanto viaja pelo mundo a bordo de um veleiro, conhecendo pessoas e culturas diferentes, curtindo as belezas naturais de vários lugares e ainda ter uma internet que pega bem até em alto-mar… É exatamente isso que  Arthur Curvello da Costa está fazendo. Nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Cabo Frio desde a infância, ele se mudou para a Irlanda em 2014. Hoje ele trabalha na área de Segurança da Informação para uma empresa irlandesa.

– Lá é bastante flexível. Geralmente faço meu horário, exceto nas reuniões em que preciso estar disponível – contou ele, que neste sábado (9) chega em Cabo Frio depois de deixar a Irlanda há pouco mais de 20 dias, e atravessar o Oceano Atlântico de veleiro: em linha reta, são mais de 9.147 km .

Esta semana a Folha bateu um papo com o chamado “nômade digital”, que chegou à Bahia na segunda-feira (4) e na quarta (6) estava em Vitória se preparando para começar a viagem rumo a Cabo Frio na quinta-feira (7).

– É complicado entrar de veleiro no Canal do Itajuru. Chegando nesta sexta, provavelmente terei que parar em Búzios e Arraial. Mas meu plano sempre foi chegar a Cabo Frio, onde meus pais moram – contou Arthur, revelando ainda que começou a se aventurar no mundo da vela em 2018, na Irlanda, “encantado com a possibilidade de viajar o mundo com minha própria casinha flutuante”. 

– Desde então já passei por 12 países, em sua maioria pela europa mas também alguns na África como Tunísia, Marrocos e Cabo Verde, e agora no Brasil. 

E na aventura ele não está sozinho. Ele conta que na maior parte do tempo tem a companhia de Kuba, da Polônia, e Odin, do Canadá, tripulantes do site crewbay.com, que se anuncia como “serviço gratuito concebido para conectar tripulações amadoras e profissionais com embarcações à vela e a motor em todo o mundo”. 

– São pessoas já com alguma experiência e que querem viajar ou ganhar mais experiência. Mas já fiz várias travessias sozinho, também – revelou.

É claro que nessa aventura nem tudo são flores, ainda mais quando se faz a primeira travessia de um oceano, como na viagem atual: os perrengues existem e, segundo Arthur, não são raros. Por isso ele diz que é preciso ter conhecimentos específicos “e um certo grau de faz-tudo”. 

– Saber de elétrica, mecânica, encanamento, etc. Já fiquei até sem motor no mar. Tem que estar preparado com planos A, B e C o tempo todo. Atravessar um oceano está sendo novidade para nós três a bordo. A dificuldade maior é a preparação, na verdade. Tudo tem que estar em pleno funcionamento e ter um backup. A parte emocional tem que estar 100% também. Foram 20 e poucos dias de travessia até Vitória, e no mar não tem parada e nem volta. Velejar contra o vento após alguns dias levaria mais tempo do que continuar até o outro lado. O vento foi muito favorável por toda a viagem, mas a pior parte foram as intensas chuvas e raios nos Doldrums (zona equatorial de calmaria e tempestades).

A preparação para a viagem também inclui alimentação e hidratação. Ele contou que levou comida e água mineral em excesso, e que nas primeiras semanas a tripulação tinha frutas e vegetais frescos. Mas nas últimas semanas precisou contar apenas com produtos conservados em lata e vidro, além de pescarem o próprio alimento: “Pescamos Dourados, Atum pequeno e Cavala-Wahoo”.

Embora não tenha chegado ainda ao seu destino durante a conversa com a Folha, ele contou que já tem novos planos:

– Dar a volta ao mundo: um oceano de cada vez!