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Crônicas da Mudança – Parte 2

Fernanda Carriço e Gabriel Tinoco escrevem sobre a transição da Folha

29 julho 2016 - 22h21
Crônicas da Mudança – Parte 2

A Folha está de malas prontas. A partir desta segunda-feira (1º), vai passar a funcionar no centro da cidade, deixando para trás a sede do Parque Central, onde ficou por três anos. Quatro colaboradores do jornal escreveram pequenas crônicas sobre essa transição. Confira, hoje, a primeira parte, com textos da chefe de reportagem Fernanda Carriço e do repórter Gabriel Tinoco:

Sempre Mudando Por Fernanda Carriço

Havia crescido com o sonho de ser jornalista e na primeira vez em que pisei em uma redação, naquela visita à Folha – na época, na Teixeira e Souza, em cima do açougue do Marcelo – certamente estava eufórica e ansiosa. O ano era 1992, eu era aluna do Rui Barbosa e havia sido selecionada para um estágio de um dia no jornal. Era a glória. Entrei numa redação meio escura, que cheirava a cigarro e tinta. Aprendi tudo o que podia naquele valioso tour e mal sabia que, pouco mais de um ano depois, seria contratada como repórter naquela sede. Como o mundo nos reserva surpresas deliciosas e histórias boas para contar! Ali aprendi o arroz com feijão da profissão que nortearia toda a minha vida. Não lembro quanto tempo ficamos lá, mas fui muito feliz naqueles dias que me desafiavam até a alma.

Da Teixeira e Souza fomos para a Raul Veiga. Era como se saíssemos da escuridão e víssemos a luz. Uma sala ampla, clara, profissional. Eram novos tempos que chegavam à Folha naquele ano de 94 e eu era grata por fazer parte deles. À essa altura, tinha muitos planos profissionais, mas não sabia o que me esperava. Televisão, rádio, assessoria... despedi-me da Folha para alçar outros voos.

Saí da região, fiz mil coisas e eis que o destino me trouxe de volta. Depois de mais de vinte anos, voltei à antiga casa – já no Parque Central, onde fiquei um ano e meio. Hoje, de frente para o cenário de caos que a mudança proporciona, preparamos o último jornal aqui. Sentirei saudades, principalmente da enorme cozinha onde preparei almoços para os queridos colegas. Gosto muito de mudanças e desafios e estou pronta para irmos para o Centro. Novos tempos virão. E certamente, eu e minha equipe estamos prontos para isso. 

Escola de Jornalismo Por Gabriel Tinoco

Na primeira vez em que adentrei a redação da Folha, um universo se abriu para mim. Lembro das letras estampadas na parede e de cada repórter conectado ao seu computador. A primeira impressão, é bem verdade, foi enganosa, porque a Folha em nada se parece com aquele ambiente corporativo – é sim uma casa, que acolhe  com a ternura e a seriedade necessária os profissionais. A Folha tem muito disso, é casa e ao mesmo tempo escola de jornalismo. 

Vem à mente a sede agora antiga, com aquele ar de casa, onde a notícia é preparada com o sentimento familiar que só a Folha conhece. Torno a pensar no jardim que recebia os entrevistados e no longo espaço para as festas internas do jornal. Os quadros na parede e as portas e janelas de madeira conferiam um ambiente espaçoso para a equipe se acomodar.

Foram nessas redações em que me desenvolvi como repórter e também como ser humano. Hoje, temos uma nova meta a cumprir, um novo desafio, até porque as mudanças físicas sempre nos trazem aquele ar de renovação. E sempre para melhor. Portanto, continuamos com a mesma missão que a Folha cumpre ao longo de sua história: a de informar com credibilidade e responsabilidade.

No momento, meus olhos não sabem para onde vão: se voltam ao passado, lar do meu desenvolvimento profissional; se correm para o futuro, com a alegria de integrar essa maravilhosa equipe; ou se ficam estagnado no presente, no exato instante em que digito este texto para vocês. 

Fato é que a Folha existe independente de lar. Nessa longa caminhada, no centro da cidade ou no Parque Central, queremos estar de braços dados com vocês, leitores.