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Crise suspende encenação de Cristo em Cabo Frio

Auto da Paixão, Morte e Ressureição era representado há 27 anos

22 março 2016 - 10h40Por Nicia Carvalho
Crise suspende encenação de Cristo em Cabo Frio

Montagem era uma tradição da Semana Santa em Cabo Frio (Foto: Divulgação)

Um dos mais tradicionais momentos do ano para o catolicismo, o Auto da Paixão, Morte e Ressureição de Cristo não será encenado este ano em Cabo Frio, como parte das celebrações da Semana Santa. A Prefeitura não custerá a estrutura de palcos, som e iluminação – como nos anos anteriores – daquela que seria a 28ª edição. O governo alega estar sem dinheiro por conta da queda na arrecadação com os royalties do petróleo. Coordenador e atores lamentam o cancelamento e criticam falta de apoio da iniciativa privada.

– Tivemos reuniões com as pessoas envolvidas na encenação, mas a perspectiva não era segura. Então, achamos por bem não insistir até porque é um momento difícil da cidade e sozinha a igreja não teria como arcar. A estrutura é muito grande. Nesses anos todos não tivemos nenhum apoio da iniciativa privada, seja de hotelaria ou o que for. É uma pena – lamentou Valtenci Silveira, criador e coordenador da encenação, que teve a primeira apresentação em 1989.

Yuri Vasconcelos, que participa há dez anos do espetáculo – sendo os dois últimos na pele de Jesus –, também lamentou o cancelamento, mas acredita em “superação”.

– É importante tirar disso um crescimento. A encenação é parte de uma celebração maior que envolve a Semana Santa, mas não é o ápice da comemoração. Se não houvesse fé, sequer haveria encenação. Então, os valores, as reflexões que o período traz é que deve ser o mais importante. Creio que esse momento de crise nacional e local vai fortalecer a cidade para que no ano que vem ela seja ainda maior, mais bonita e com muito mais fé – ponderou Yuri, que também é diretor do Teatro Municipal.

A Folha tentou falar com o Padre Marcelo, mas até o fechamento desta edição, não teve retorno da assessoria da igreja.

Estrutura – De acordo com a arquiteta Renata Millen, responsável pela estrutura de palcos, som e iluminação do evento – além de interpretar Maria, mãe de Jesus –, a montagem estrutual tem custo alto.

– A gente fica triste, mas sabe que a situação financeira da cidade é precária. Seria um despropósito manter a encenação, já que não haveria meios de a igrejar custear, só tem como fazer se tivesse apoio da iniciativa privada. A estrutura é grande e cara. Reaproveitamos algumas coisas, mas ainda assim é preciso investimento – reiterou.

Segundo ela, são seis palcos, som, iluminação, fogos, marcenaria e figurinos, além da equipe que trabalha na montagem. Entre atores e figuração, cerca de 80 pessoas participam do teatro.