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Crise em Cabo Frio sobrecarrega hospital de Arraial

Hospital Geral triplica número de atendimentos; obstetra pede demissão por aumento de partos na cidade

10 novembro 2016 - 07h31Por Texto: Fernanda Carriço | Foto: Arquivo Folha
Crise em Cabo Frio sobrecarrega hospital de Arraial

A crise no sistema público de Saúde de Cabo Frio avança fronteiras e reflete na saúde do município vizinho, Arraial do Cabo. Desde o início do ano os atendimentos vêm aumentando no município cabista porque muitos cabofrienses foram bus­car socorro em Arraial. Mas, se­gundo informações da direção do Hospital Geral, o ‘boom’ de atendimento foi no mês passa­do. Os atendimentos de emer­gência subiram de 150 para 450 por dia – ou seja, um aumento de 200%. Isso sem contar com os partos: mais da metade são cabofrienses que nascem em Arraial. Um obstetra, inclusive, pediu demissão pelo aumento excessivo do trabalho.

A secretaria de Saúde de Ar­raial confirmou que o profis­sional se demitiu por conta do aumento da demanda e informa que estão sem obstetra às terças e aos domingos – dias em que ele estava lotado. Mas informa que estão analisando currículos para a contratação de outro pro­fissional. No entanto, a situação é mais grave do que se possa imaginar, como relata a diretora do Hospital Geral de Arraial.

– Estamos assumindo os ris­cos, como vamos responder por isso? Temos um corpo clí­nico para atender certa deman­da, mas tem limite. Agora, por exemplo, teremos um feriado e além da população de Arraial e Cabo Frio, também tem os turis­tas das duas cidades que acabam vindo para o Hospital também. Com relação à emergência, po­demos dizer que com o aumento da demanda, começamos a ter deficiência de medicação e falta suporte de Cabo Frio quanto ao aumento de gastos com mate­riais básicos. Outro problema é o aumento de internações de pa­cientes de outro município pois deixa um déficit de leito para os pacientes que são moradores de Arraial, o hospital tem 24 leitos de clínica médica, não suporta tanto atendimento – explica a médica Cenir Amorim.

Enquanto a Saúde de Arraial absorve pacientes de Cabo Frio, na cidade as unidades continuam com atendimento paralisado ou parcial. Ontem o Hospital São José Operário continuou com as portas fechadas e o Hospital da Mulher com atendimento restrito.

– Estou vindo desde ontem (anteontem), mas estamos des­prezados pela saúde pública. Não tem médico, não tem remé­dio, não tem nada. Meu filho, que estava internado aqui, no São José Operário, foi transfe­rido para uma clínica particular. Ele estava precisando de receita daqui para os médicos de lá da­rem continuidade na medicação. Estou tentando pegar essa recei­ta, mas não consigo. Sou aten­dida do lado de fora do hospital – desabafou a autônoma Maria Garcia, 57, na frente do São José Operário.

Segundo informações do presi­dente do Sindicato da Saúde, Gel­cimar Almeida, o Mazinho, três médicos pediram demissão do São José e outros seis teriam se demitido do Hospital da Mulher.

– A secretária de Saúde já estava ciente dessas demissões. Ela não se preparou mesmo. O médico fica com todas as contas atrasadas e ele vai buscar uma forma de pagá-las em outro lu­gar. A oferta dos outros municí­pios é grande. Essas demissões e exonerações, porque tem médi­co concursado no meio, aconte­ceram exclusivamente por falta de pagamento – informou.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio, Cremerj, enviou nota sobre o quadro que encontraram nas unidades de Saúde da cida­de, em recente fiscalização e constaram que há ‘déficit de recursos humanos, ausência de equipamentos e de materiais, problemas estruturais, superlo­tação e salários atrasados’. Se­gue parte da nota: “No Hospital Municipal da Mulher, a falta de profissionais tem comprome­tido a assistência. Os médicos de plantão precisam se dividir entre o atendimento e os partos. Também foram identificadas deficiências de equipamentos, materiais e medicamentos. O Hospital Municipal da Criança - principal unidade de referên­cia para atendimento pediátrico de urgência e emergência da ci­dade - sofre com o déficit de re­cursos humanos. Além de faltar medicamentos, insumos e apa­relhagens, a unidade não dispõe de laboratório e ambulância próprios. O hospital possui um número significativo de leitos ociosos e condições de manu­tenção, limpeza, iluminação e refrigeração insatisfatórias”.

Em maio, o Cremerj entrou com representação contra o mu­nicípio de Cabo Frio no Minis­tério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para reforçar a urgência em encontrar uma so­lução para este caso. Mas de lá para cá a situação só piorou.