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DESAQUECIMENTO

Crise no ramo dos bitcoins afeta mercado de imóveis em Cabo Frio

Fechamento de empresas de criptomoedas reduz procura, mas corretores enxergam reação

15 outubro 2021 - 14h37Por Rodrigo Branco

Da noite para o dia, o que era certeza de lucro certo se torna uma incógnita, deixando um rastro de tensão em toda a cadeia econômica da cidade. A cada notícia sobre o fechamento de investidoras do ramo de criptomoedas, denúncias e prisões envolvendo operadores deste mercado, Cabo Frio acompanha aflita tentando antever os desdobramentos.

Contudo, em alguns segmentos, existe a percepção de que os efeitos já podem ser sentidos. No segmento imobiliário, por exemplo, o reflexo principal é um desaquecimento nos negócios, dado o cenário de dúvidas que pairam sobre a atividade. De acordo com relatos que chegam constantemente à Folha, muita gente resolveu reaver a aplicações que tinha em moedas virtuais, mas vários não tiveram a mesma sorte.

Com menos dinheiro em circulação, o mercado imobiliário assiste a uma retração, com direito a ruptura de acordos, em alguns casos, conforme disseram para a reportagem os próprios profissionais que atuam na área, caso do corretor José Leandro de Oliveira Neto, da Praia do Forte Administração e Venda de Imóveis.

– A minha observação é que realmente afetou e muito o mercado imobiliário, tanto no ramo de aluguel como no de compra e venda. Nós mesmos, aqui da imobiliária, sentimos na pele com a quebra no contrato de locação anual e duas vendas praticamente certas. E conversando com colegas de profissão, donos de construtora e dois amigos engenheiros que falaram a mesma coisa sobre a devolução de imóveis adquiridos na planta. Outra observação que gostaria de relatar é de pessoas que se iludiram com esse investimento e venderam seu único bem e hoje estão sem a casa e sem o dinheiro. Muito triste. Enfim, de maneira geral, o mercado todo foi afetado – observa.

A empresária Patrícia Cardinot, dona de imobiliária que leva seu nome, observa que o impacto dos últimos acontecimentos que envolvem o setor de criptomoedas não se restringe ao setor de compra, venda e aluguel de imóveis, mas a toda a cadeia econômica.

Ex-presidente da Associação Comercial e Industrial (Acia), Patrícia admite que o ‘baque foi grande’, mas que na própria empresa só houve uma quebra de contato. Embora veja que o clima na cidade ainda seja de tensão, ela vê espaço para uma reorientação dos negócios.

– Estamos caminhando, enxergando novos horizontes, com lojas mais compactas no estilo conceito para poder fazer redução de custos e aplicar em marketing de modo a abranger clientes de outros municípios e outros estados – vislumbra.

O corretor e avaliador Lucas Faria faz eco com os colegas, mas relata que, entre os profissionais que são mais próximos, não soube de renegociações de contatos ou quebra de acordos. De outro lado, ele estima que houve uma queda de 50% na procura por apartamentos e casas desde que estourou a crise dos bitcoins.

De outro lado, o profissional é otimista e espera uma melhora para o segmento em breve. Ele afirma que o fato de as empresas exigirem comprovante de renda fixa, independentemente de outras aplicações de risco, diminuiu a chance de haver problemas.

– Está sendo visível a queda na economia da cidade. É assunto em qualquer roda de conversa. Muitas pessoas saíram muito prejudicadas e todo mudo está correndo atrás de reduzir seus custos de vida. E um dos custos mais onerosos hoje em dia é moradia. Então realmente a procura baixou, tanto para compra para locação. O mercado deu uma esfriada, mas de um jeito ou de outro vai dar uma melhorada, independente de criptomoeda, bitcoin ou qualquer outra coisa do tipo – crê. P

residente da Acia aposta no Turismo para saída da crise

O atual presidente da Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio (Acia), Renato Marins, também diz que é possível sentir os efeitos econômicos dos problemas no mercado de criptomoedas, mas segundo o empresário, isso se trata de mais um capítulo de uma crise que se estende há anos, e foi potencializada pela pandemia do novo coronavírus.

Assim como tem feito reiteradamente, Marins mostrou esperança de que a vocação turística da cidade seja a válvula de escape para que os impactos de outra ordem não sejam tão sentidos em Cabo Frio.

– Nossa preocupação não é com o verão, mas como explorar essa potencialidade turística o ano inteiro – resumiu.

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