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Casas

Cotação do dólar ultrapassa a barreira de R$ 4,00 e câmbio dispara

Agências de turismo já sentem na pele a vertiginosa alta da moeda

23 setembro 2015 - 13h37

A cotação do dólar na ma­nhã desta terça-feira (22) alcançou R$ 4 e é a mais alta desde a criação do Plano Real, em 1994. Às 9h20, a cotação estava em R$ 4,0264. A moeda fechou em R$ 4,049. O recorde para o fechamento da moeda ocorreu em 10 outubro de 2002, quando o dólar fechou o dia cotado em R$ 3,99. O euro também acompanhou a alta do dólar, fechando o dia em 4,509. Já a libra esterlina, moeda do Reino Unido, (que inclui a In­glaterra) fechou em 6,224.

Importante lembrar que esse preço serve apenas como refe­rencial, e que os valores prati­cados nas casas de câmbio são maiores, justamente por incluí­rem as taxas do estabelecimen­to. Na Malizia, centro de Cabo Frio, na tarde desta terça o dólar podia ser comprado pelo consu­midor por R$ 4,07, e vendido para a casa por R$ 3,80. Já na Multimoney, no Shopping Park Lagos, o valor de compra era R$ 4,27, e o de venda, R$ 3,88.

Nesta segunda (21), além de vender dólares no mercado futuro, por meio da rolagem (renovação) dos leilões de swap cambial, o Ban­co Central ofertou US$ 3 bilhões por meio de um leilão de venda com compromisso de recompra. Nessa modalidade, o BC vende dólares das reservas internacio­nais, mas adquire a divisa de vol­ta algum tempo depois.

A expectativa é que nos próxi­mos dias a instituição faça mais um leilão de rolagem.

A cotação da moeda não tem caído nos últimos dias, apesar de o Federal Reserve (Fed), o Ban­co Central norte-americano, ter adiado o aumento da taxa bási­ca de juros da maior economia do planeta, na reunião da última quinta-feira, 17.

Desde o fim de 2008, os juros nos Estados Unidos estão entre 0% e 0,25% ao ano. Na época, o Fed cortou a taxa para estimular a economia americana em meio à crise no crédito imobiliário. A última elevação de juros nos EUA ocorreu em 2006.

Juros mais altos atraem capi­tal para os títulos públicos ame­ricanos, considerados a aplica­ção mais segura do mundo. Os investidores retiram recursos de países emergentes, como o Bra­sil, por exemplo, pressionando a cotação do dólar.

 

Com disparada do dólar, cai procura por pacotes ‘gringos’

Os gastos de brasileiros em viagem ao exterior em agosto deste ano chegaram a US$ 1,263 bilhão, queda de 46,26% em re­lação ao mesmo mês de 2014 (US$ 2,350 bilhões), de acordo com dados do Banco Central, divulgados ontem. Os motivos são a alta das moedas estrangei­ras, principalmente dólar e euro, e a crise econômica brasileira.

Piero Rocha, da agência Ko­ala Turismo, especializada em excursões para a Disney, nos Es­tados Unidos, é um que sente na pele a disparada da moeda.

– Afetou em 50% das vendas – diz ele. No entanto, o agente de turismo afirma que a alta tem um lado bom, também.

– Por um outro lado, o preço das passagens aéreas caiu, o que acaba compensando o preço fi­nal da viagem – explica ele.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Ma­ciel, destaca que a alta do dólar influencia rapidamente – e com intensidade – os gastos com viagens internacionais. Maciel também citou a redução da ren­da devido à queda da atividade econômica no Brasil.

– De forma geral, acredito que o brasileiro viajará menos ao exterior tendo em vista o en­carecimento de passagens áreas e das despesas no exterior de forma geral – disse ele.