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'OUTRO PATAMAR'

Combustível nas alturas faz cabo-friense sentir peso no bolso para tirar carro da garagem

Com litro da gasolina na casa dos R$ 6, motoristas rodam menos e recorrem à bicicleta

05 março 2021 - 17h56Por Rodrigo Branco

Os sustos dos motoristas se tornaram mais freqüentes sempre que se deparam com a plaqueta que destaca o preço dos combustíveis nos postos. Depois que a Petrobras anunciou o quinto reajuste apenas em 2021, nesta terça (2), o valor do litro da gasolina comum nas bombas em Cabo Frio já beirava os R$ 6, valor que é ultrapassado na modalidade aditivada. Somente nas duas últimas semanas, foram dois aumentos. Como era de se esperar, o cabo-friense rechaça os sucessivos reajustes e tenta buscar alternativas para continuar tirando o carro da garagem, sem comprometer ainda mais o orçamento. 

Entre as estratégias adotadas estão a redução nos trajetos, o abastecimento parcial do tanque e até mesmo o rateio com amigos ou vizinhos, este o caso do motorista Ronald Quintanilha que acabara de colocar R$ 30 de gasolina comum em um posto do Itajuru quando foi abordado pela reportagem. Ao lado da família, Ronald reconhece que o veículo da família deixou de ser usado com freqüência para lazer.

– Não há condição nenhuma. Não tem lógica o preço estar nesse valor. A gente distribui gasolina e paga mais caro. Infelizmente é o nosso Brasil; tenho vergonha. É muito custo, fora a buraqueira na cidade. A manutenção do carro está muito cara, infelizmente. Vou botando gasolina aos pouquinhos e fazendo o básico. Tem que botar gasolina, ir ao mercado, trabalho e acabou. Fazer percursos mais longos complica – queixou-se.

Sem condições de brigar com o próprio bolso para encher o tanque, o caminhoneiro Roberto Carlos sente na pele a pressão nas contas pessoais que os aumentos constantes de combustíveis têm provocado.
O homônimo do cantor revelado na Jovem Guarda, que nunca escondeu sua paixão por carros nas suas músicas, tem que lançar mão do revezamento de combustíveis para driblar a crise.

– Está um absurdo, não dá mais pra suportar isso mais não. Não sei o que será da gente, porque o pobre é que sofre. A gente tem que alternar. Não consigo mais botar gasolina, só álcool ou gás. Do jeito que está difícil para sobreviver. Não tem mais como encher [o tanque], só colocar R$30, R$40, o que dá para cinco ou seis litros. Encher o tanque nem pensar – disparou.

Resignado, o aposentado Valter Simas tenta manter o otimismo, aguardando dias melhores para a Petrobras e para o mercado de óleo e gás. O antídoto contra gastos excessivos são os trajetos mais curtos.

– Eu rodo só na cidade, mas esse aumento tem que ver do que é proveniente. Se for aumento para acerta a Petrobras, tudo bem. Agora, é complicadíssimo esse aumento toda hora. Mas vai melhorar – crê o aposentado.

Gerente de cicle em Cabo Frio, Pablo Gomes afirma que procura por compra e reparo de bicicletes aumentou nos últimos tempos.

Gerente de cicle em Cabo Frio, Pablo Gomes afirma que procura por compra e reparo de bicicletes aumentou nos últimos tempos (Rodrigo Branco).

A situação estimulou muitos cabo-frienses a tirar a poeira da velha bicicleta para cumprir os compromissos cotidianos, sejam de trabalho ou lazer. O movimento é sentido em lojas do gênero, onde o número de vendas e reparos está em ascensão.

Segundo o gerente do Cicle Universal do Betinho, Pablo Gomes, a procura tornou-se intensa desde que os reajustes feitos pelos postos tornaram-se praticamente semanaias.

– No verão, tem mais conserto por causa de Turismo, mas tem aumento na venda de bicicleta, por causa da gasolina praticamente a R$ 6. Tem muita gente trazendo bicicleta pra consertar, que estava guardada há muito tempo. Houve um aumento tanto na venda como na parte de conserto. Meu é a gasolina, mas agora só uso bicicleta. Com a rua cheia de buracos e o preço nas alturas não tem como manter – explica.

(*) Confira na edição impressa que está nas bancas como é composto o preço da gasolina e qual o motivo dos reajustes frequentes.

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