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Cidade Viva

Cidade Viva cobra mais organização da cidade para o próximo verão

Autoridades responderam a questionamentos de participantes

10 novembro 2017 - 10h33Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Cidade Viva cobra mais organização da cidade para o próximo verão

A pouco mais de 40 dias para o verão, o quarto e último ciclo de debates do projeto Cidade Viva, realizado ontem no auditório da Folha, levantou e discutiu os problemas da cidade na preparação para a alta temporada. 

Embora tenha havido entre os presentes o reconhecimento  de melhorias nos últimos meses, foi consenso que a Cabo Frio ainda precisa avançar muito para evitar os problemas registrados nos últimos anos, sobretudo quanto ao trânsito e à ordem pública.

De início, o idealizador do projeto, o jornalista Moacir Cabral, criticou a ausência da secretária de Turismo, Fabíola Bleicker; do coordenador de Eventos, Saulo Mira; dos vereadores e dos deputados estaduais Janio Mendes (PDT) e Silas Bento (PSDB). Do poder público municipal, compareceu apenas o  secretário de Cultura Ricardo Chopinho.

Os principais pontos negativos abordados foram a falta de regulamentação dos ambulantes e das casas de aluguel; o tráfego excessivo de ônibus de excursão pelas ruas da cidade e, sobretudo, a falta de profissionalização do Turismo.

– Há toda uma questão logística envolvida. A cidade deveria se preparar para a entrada desses carros. É uma questão de educação e de respeito ao turista – disse Eduardo Rosa, presidente da Associação e Comercial de Cabo Frio (Acia).

Para o diretor de Comunicação da Prolagos, Ricardo Azevedo, os esforços devem ser conjuntos entre governo e empresariado.

– O poder público tem que fazer a sua parte tapando buracos, organizando a cidade, mas a iniciativa privada também tem que fazer a sua e parar de reclamar – comentou.

Já o empresário Milton Roberto Filho pediu mais controle sobre as mercadorias que são trazidas nos ônibus de excursão. Para ele, é preciso estimular o consumo na cidade.

– Eu costumo reparar o que trazem nesses ônibus. Eu me surpreendi quando vi que desceram com dois geradores e um freezer que estava ligado – disse Miltinho.

A observação do empresário levantou um debate sobre o custo-benefício entre serviço e os valores cobrados no comércio local. Para a maioria, o empresariado deveria se conscientizar e rever a política de preços como forma de alavancar o consumo.

– O cara não é burro de comprar no depósito um latão por R$ 1,80 e na pria por R$ 8 – observou Ricardo Azevedo.

Por fim, a presidente do Convention Bureau, Maria Ines Oliveros, salientou que as preocupação devem se estender pelo ano todo.

– Temos que abraçar a campanha da ‘Melhor Temporada’, entre março e novembro. Vamos vender isso lá fora, trabalhando preços melhores – diz.

Veja o que as autoridades responderam sobre as cobranças feitas pelo fórum:

Ambulantes e fiscalização

Um dos pontos mais criticados pelos participantes do Cidade Viva, a concorrência desleal de vendedores ambulantes e food trucks foi comentada pelo secretário de Desenvolvimento da Cidade, Cláudio Bastos. Segundo ele, estão sendo decididos os últimos detalhes jurídicos para finalizar o edital de recadastramento dos ambulantes. Bastos disse que o processo deve começar já na semana que vem, no dia 16.

Com a implantação das novas regras, o secretário promete mais rigor na fiscalização dessas atividades, sobretudo naquelas realizadas na Praia do Forte. A venda de quentinhas, por exemplo, será proibida depois do recadastramento.

– Isso vai acabar. No novo cadastro, isso vai ser proibido. Também não será mais permitida a venda de moda praia e canga fora do comércio. Não vamos mais conceder licenças para isso. Ambulantes também não vão poder vender em frente a uma loja que venda o mesmo produto. São medidas para fortalecer o comércio – disse Bastos. 

Além disso, haverá exigência para que os ambulantes saiam do informalidade por meio do programa de Microempreendedor Individual (MEI).

Trânsito e ônibus de turismo

Quando se fala em alta temporada, um dos maiores gargalos diz respeito à organização do trânsito da cidade, em especial, ao fluxo de ônibus de excursão. Bairros como a Vila Nova, por exemplo, ficam intransitáveis.

Pensando nisso, a secretaria de Mobilidade Urbana já trabalha opções para tentar amenizar o problema, que é uma das principais reclamações dos debatedores do Cidade Viva Verão 2018.

O secretário Mauro Branco adiantou para a Folha que no próximo feriado da Consciência Negra serão testados novamente os acessos da cidade pelo eixo Praia do Siqueira-Perynas, por trás do Supermercado Assaí. A experiência já foi feita no último feriado prolongado de Finados.

– A gente precisa ter o controle dos veículos que precisam de controle. Esperamos ter tudo isso consolidado até o verão com um novo regramento definido em decreto. Mas não adianta tentar aplicar isso sem ter uma base empírica. Mas é um processo coletivo. Conversamos com as casas de aluguel e com hotéis – disse Branco. 

O secretário disse que o estacionamento da Avenida Wilson Mendes vai continuar e que o novo acesso será um ponmto de triagem para os ônibus.

Casas de aluguel

Demanda considerada fundamental pelos participantes do Cidade Viva, a regulamentação das casas de aluguel em Cabo Frio é o ponto que talvez esteja mais adiantado. Principal articulador do assunto na Câmara Municipal, o líder do governo Miguel Alencar (PPS) afirmou que a matéria já foi liberada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e deve entrar na pauta em regime de urgência na próxima terça-feira. Uma vez aprovada, a expectativa é pela rápida sanção do prefeito Marquinho Mendes (PMDB).

– Essa questão é uma prioridade e foi muito bem discutida com a associação das casas de aluguel da Vila Nova, a associação de hotéis. Eu estava presente junto com a secretaria de Turismo. Portanto, creio que isso vai agradar a todos – comentou Miguel.

O parlamentar disse ainda que a tramitação da mensagem acontece em paralelo com a discussão de um decreto que a prefeitura vai baixar até o fim do mês para regulamentar a entrada de ônibus de excursão. O documento vai estipular regras e taxas para os veículos de Turismo. Apesar dos esforços, ele espera um verão de aprendizado. 

– Espero melhoria em 2019. Esse verão será de adaptação – acredita.