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CRISE GLOBAL

Cidadãos da região que estão no exterior falam sobre a pandemia fora do Brasil

Experiência com o Covid-19 em outros países leva brasileiros a recomendarem adesão às medidas de segurança e à quarentena

20 março 2020 - 12h16Por Rodrigo Branco

O avanço do novo coronavírus do Brasil nos últimos dias levou o estado do Rio e os municípios da Região dos Lagos a aumentarem o rigor nas regras de circulação e de convívio nesta semana. Ainda assim, muitos ainda resistem a cumprir o regime de quarentena. No exterior, onde a pandemia deu as caras antes, a situação agravou-se rapidamente. Dessa forma, muitos brasileiros convivem com proibições mais severas, por causa da grande disseminação da doença em outras partes do mundo. A Folha ouviu cidadãos da região que, por motivos pessoais ou profissionais, estão fora do país em meio à pandemia do Covid-19.

O cabista Gabriel Ribeiro, de 21 anos, atua como drag queen e mora em Madri, na Espanha, país que registra o segundo maior número de casos do Covid-19 na Europa. O drama dos espanhóis tem números superlativos: 800 novos casos e 40 mortes, em menos de 24 horas. O jovem artista diz que tem passado os dias inteiros dentro de casa, cumprindo quarentena obrigatória. É proibir sair às ruas, com exceção de ida a mercados, farmácias e para atendimento médico, e, ainda assim, mediante comprovação e munido de máscara, luva e álcool gel. Descumprimento da determinação, ele diz, resulta em multa aplicada pela polícia de 600 a 700 euros, cerca de R$ 2.500. 

Em pronunciamento oficial, o rei Felipe VI disse que a situação tende a piorar. Preocupado com a situação dos compatriotas, Gabriel pede para que os brasileiros levem as regras de prevenção a sério. 

– É situação igual a de um filme a que você vive aqui. Chega ao supermercado, não tem comida. No hospital, não tem atendimento, porque só atende quem já estava em risco. Aqui eles deixaram de atender pacientes de mais de 80 anos porque já estão esperando o pior. Estão dando prioridade a bebês, mulheres grávidas. A gente está vivendo uma situação desesperadora. E a linha de crescimento do vírus é praticamente igual à do Brasil. Um dia registrou um caso; no outro 50, no outro 200. Já tem mais de 8 mil casos suspeitos. As pessoas têm que se prevenir para não deixar chegar a situação que chegou aqui, num país que tem saúde de ponta, governo de ponta e já se está falando de usar hotel como cama de hospital porque a demanda é muita. O pessoal tem que se cuidar aí. Quem puder ficar em casa fique porque o negócio não está bom – apela.

No Norte do continente, na Irlanda, a situação não é tão dramática, mas a crise é considerada de grande gravidade. O cabofriense Jonatas Willemen, 28 anos, está no país para fazer um intercâmbio para estudar inglês e testemunha de perto uma série de medidas para tentar conter o avanço do vírus. Idosos e pessoas com doenças crônicas têm os cuidados redobrados. Voos estão sendo cancelados. Até mesmo os festejos de Saint Patrick, padroeiro do país, foram cancelados. A capital, Dublin, ganhou ares de cidade fantasma. 

– Algumas empresas adotaram medidas pra que funcionários trabalhem de casa. Os que não puderem trabalhar ou tiveram as horas reduzidas, o governo dará um auxílio financeiro. O primeiro ministro alertou sobre o impacto econômico. Disse que embora esteja confiante, a conta será enorme e poderá demorar anos para recuperar. Escolas e universidades seguem fechadas até o dia 29 de março. Pubs e casas noturnas estão fechadas. Apenas mercados, farmácias e algumas lojas seguem abertas. A ordem é para que ninguém saia de casa – relata Jonatas. 

Do outro lado do Oceano Atlântico, a também cabofriense Larissa Amaral, companha com aflição de Maplewood, Nova Jérsei, as notícias vindas do Brasil. A jovem mora e trabalha nos Estados Unidos há seis meses. Assim como em outros lugares do mundo, ela relata que muitas medidas que impedem a circulação de pessoas foram tomadas. Larissa afirma que a adesão dos norte-americanos é grande e que a população só sai às ruas em caso de necessidade. 

Ciente de que no Brasil muitos lugares ainda estão cheios, ela pede que os parentes levem a sério a quarentena recomendada pelas autoridades.

– Minha avó mora aí e eu estou sempre mandando mensagem pra ela ficar em casa. Ela é nova e muito ativa, adora uma rua. Mas ela está bem consciente. Converso com ela e minha mãe todos os dias, pedindo sempre pra elas ficarem em casa o máximo que puderem, lavar as mãos, o que todo mundo já sabe, né, mas não estão fazendo – disse Larissa.

Dou outro lado do mundo, na Ásia, onde tudo começou, a situação já começa a melhorar, mas ainda inspira cuidados. O engenheiro cabofriense Lucas Terra faz uma viagem do tipo ‘mochilão’ pela região e está em Da Nang, no Vietnã. Ele conta que o cenário de contágio da doença está controlado, mas as duras medidas de restrição continuam em vigor. 

Cidades turísticas foram completamente fechadas e passeios foram cancelados em outros lugares. Lucas relata que algumas pessoas que conheceu chegaram a ficar em quarentena em um hostel por conta de uma menina italiana contaminada com o vírus que se hospedou no mesmo lugar dias antes.
Alguns hotéis foram isolados pela polícia e outros não aceitam pessoas com passaporte da Itália e da Alemanha. Ele comenta que a cidade onde está mantém boa parte do comércio.

– Eu estou sozinho no momento, e tem sido bem complicado lidar com essa situação, porque a gente não sabe exatamente até quando isso vai durar e de que forma vai impactar no planejamento da viagem como um todo. Como meu ‘mochilão’ é por um período longo, eu ainda consigo parar e fazer as coisas com mais calma, mas se fosse um período mais curto eu voltaria para o Brasil. Eu passei pela Tailândia e pelo Laos antes de chegar aqui no Vietnã, e quando estava aqui que o surtou começou a ganhar corpo e realmente preocupar as autoridades – diz ele, que já teve que fazer alterações no roteiro por causa da pandemia.

A jornalista Carla Viveiros, de 31 anos, está na China a negócios, na província de Guangdong, Cantão, ao lado de Hong Kong, segundo lugar em número de casos no país, onde surgiram as primeiras ocorrências do coronavírus no mundo. A profissional conta que a epidemia começa a recuar no país, mas que o protocolo de segurança ainda está com bastante rigor. Muitos lugares ainda estão fechados e com limitação de capacidade. Em território chinês, por exemplo, sair sem máscara de proteção pela rua pode acabar em prisão.

Segundo Carla, o trauma dos chineses com a gripe SARS, que levou a centenas de mortes entre 2002 e 2003, os levou a seguir irrestritamente as regras de segurança, o que começa a surtir efeito, cerca de três meses depois do início da epidemia de Covid-19. A jornalista alerta os brasileiros a se adaptarem rapidamente, sob pena de que a doença tome a proporção que teve no país asiático.

– É uma situação que, às vezes, seu acordo e acho que é um filme. Ando de máscara e não acredito que isso está acontecendo. É muito surreal. No Brasil, as pessoas têm que se preparar para esse momento de surrealidade, quando muitas pessoas ficam contaminadas e começam a morrer. As coisas vão se espalhando nessa proporção e você se vê numa situação de filme, de que sua vida está completamente modificada por esta situação. Nunca mais seremos os mesmos depois disso e as pessoas precisam rapidamente se conscientizar disso – pondera.

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