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Andinho

Cassação de Andinho leva incerteza ao cenário político-eleitoral de Arraial

Presidente da Câmara terá 30 dias para convocar eleição indireta, mas ele ainda não foi notificado

03 setembro 2016 - 12h33Por Rodrigo Branco | Arquivo Folha
Cassação de Andinho leva incerteza ao cenário político-eleitoral de Arraial

A confirmação do afastamento do prefeito de Arraial do Cabo, Wanderson Cardoso de Brito (PMDB), pelo TSE na noite de anteontem era o ingrediente que faltava para apimentar ainda mais o cenário político da cidade, já bastante agitado por causa das eleições municipais.

Com a saída de Andinho, condenado juntamente com o vice-prefeito Reginaldo Mendes pelo colegiado do Tribunal há cerca de 20 dias por abuso de poder político, quem assume interinamente por 30 dias é o presidente da Câmara, Luciano Tequinho (PPS), que terá a missão de convocar eleições indiretas entre os vereadores para um mandato tampão até o fim do ano. Até o fechamento desta edição, contudo, a Câmara não tinha sido notificada da decisão.

Com isso, na prática, criou-se um processo eleitoral dentro da própria campanha de eleição direta para escolher o substituto de Andinho. Nos bastidores, a informação é que os fatos ainda são recentes e o cenário não foi devidamente analisado. Mesmo na oposição, o discurso é de cautela e de conciliação.

– Não conversamos ainda sobre isso. Temos que esperar até porque a Câmara não foi notificada e isso deve ficar para depois das eleições, que devem influenciar na escolha do nome. Temos que fazer uma transição correta e justa porque Arraial não pode perder. Acho que o consenso e o diálogo devem prevalecer – disse o vereador Ayron Freixo (PRB).

A reportagem tentou entrar em contato com o líder do governo na Casa, Júnior Piolho (DEM), mas ele não atendeu as chamadas. Cumprindo agenda no Rio, Tequinho não foi localizado para falar do caso.

Prefeitura se posiciona – Até o fechamento desta edição a Prefeitura afirmava que não tinha sido notificada da publicação do acórdão. Em texto postado no Facebook, disse que “cabe recurso para discutir a execução da decisão e a própria”. Apesar disso, Andinho terá que fazê-lo fora do cargo.
Segundo o TSE, Andinho foi condenado pela entrega de certidões de lançamento do IPTU a moradores de distritos e áreas carentes da cidade a 15 dias das eleições de 2012, a fim de regularizar moradias em áreas de invasão, inclusive construídas em áreas de proteção ambiental.

Prefeitáveis se dividem sobre efeitos da cassação no processo eleitoral

A publicação do acórdão do TSE que afastou definitivamente Andinho do cargo de prefeito de Arraial repercutiu muito no meio político cabista, sobretudo, junto aos prefeitáveis da cidade.

O candidato do governo à Prefeitura, Walter Lúcio Tê (PMDB), que é primo de Andinho, considerou a punição ‘injusta’, mas disse respeitar a decisão judicial. Tê disse que não cabe a ele responder se os adversários vão explorar a cassação eleitoralmente.

– O prefeito Andinho foi punido por ajudar o povo ao querer dar dignidade às famílias que vivem anos e anos sem documentação de suas casas. Mas, se a Justiça entendeu por outro lado, temos que respeitar mesmo que não estejamos de acordo – disse.

Por meio de sua assessoria, Renatinho Vianna (PRB) se limitou a dizer que o afastamento do prefeito vai afetar o processo eleitoral, mas negou que vá se candidatar na eleição indireta da Câmara.

Já José Bonifácio (PDT) afirmou que a cassação do prefeito não influencia a sua campanha. “Sabemos que a máquina ajuda, mas estamos no mesmo ritmo”, disse.