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entrevista

Carol Midori: 'A cobrança agora está bem maior’

Do alto dos 1.132 votos, a ativista Carol Midori agora espera mais apoio para causa do animais abandonados

11 outubro 2016 - 00h39Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Carol Midori: 'A cobrança agora está bem maior’

Com uma campanha baseada no trabalho voluntário e com pou­ca estrutura, a ativista da causa animal Carol Midori surpreendeu muita gente, inclusive ela própria, ao obter na votação municipal 1.132 votos. Ela ficou apenas com a terceira suplência da coligação, mas deixou para trás políticos ex­perientes como Marcello Corrêa (PP) e Emanoel Fernandes (PRP) que tentavam a reeleição.

Em entrevista à Folha, Carol disse que, apesar do resultado, ainda não recebeu qualquer ajuda para seu trabalho na ONG Apai­xonados por Bichos, mas deve assumir alguma coordenadoria para tratar do problema dos ani­mais abandonados caso Marqui­nho consiga na Justiça o direito de governar a cidade.

– Ele prometeu dar uma estru­tura melhor para a gente – disse.

Folha dos Lagos – Esperava uma votação como essa?

Carol Midori – Comecei o dia da eleição muito triste por­que tinha certeza que teria uma votação decepcionante. Não tive estrutura nenhuma de campanha. Foi uma campanha muito amado­ra, na base dos amigos. Quando começou a apuração e de início eu estava em sexto lugar, quase tive um ataque, a família quase enfartou. Foi muito intenso, mui­to inesperado. Quando encerrou a votação e que eu vi 1.132 votos, foi uma surpresa. Nem o pessoal mais próximo acreditou que terí­amos esses votos, sem recursos.

Folha – A que você atribui esse resultado?

Carol – Acho que foram algu­mas coisas. Primeiro foi o públi­co ter confiado em mim, no meu trabalho. Sempre fiz por amor, sem pretensão nenhuma. Nunca tinha pensado em vir candida­ta ou qualquer coisa. Acho que essas pessoas viram em mim al­guém confiável, com credibilida­de e um histórico de trabalho para mudar a situação dos animais de rua de Cabo Frio. Em segundo lugar, eu tive o apoio de todas as protetoras e de todo pessoal que gosta da causa. Esse pesso­al apoiou, me acolheu e ajudou a divulgar no boca a boca mesmo, vendo que era um trabalho sério e honesto. Sabendo que tem uma protetora que já dedica a sua vida a isso, no seu dia a dia ,sem rece­ber nada em troca, imagina tendo uma pessoa dessa lá na Câmara.

Folha – Qual o impulso que essa votação pode dar ao seu trabalho a partir de agora?

Carol – Espero que traga coi­sas boas porque até então quando eu falo ONG as pessoas pensam que temos uma grande estrutura e não é o que acontece. Sou pra­ticamente eu sozinha, com pou­cos colaboradores e o abrigo é no quintal da minha casa. Eu que corro atrás para pagar as despe­sas veterinárias. Espero que, com essa votação, a Prefeitura olhe com mais atenção a causa e tenha o interesse em colocar em práti­ca os meus projetos mais urgen­tes como a castração gratuita, um veterinário popular, a reforma do canil e a construção do gatil que é essencial aos municípios.

Folha – Que estrutura de campanha teve à disposição?

Carol – O único material que eu tive foram os meus santinhos. Uma parte dada pelo partido e a outra feita de uma vaquinha do meu pai e do meu marido. Alguns adesivos de carro e uma caixinha de som era tudo que tínhamos.

Folha – E muita força de vontade para bater perna...

Carol – Todo dia eu saía de casa às 9 horas e voltava 11 horas da noite batendo perna mesmo, panfletando de rua em rua e gas­tando sola de sapato. Era o que tinha nas mãos. E divulgar nas re­des sociais. Minha campanha foi isso: rede social e panfletagem.

Folha – Você já conversou com Marquinho sobre apoio dele ou mesmo um cargo no go­verno, caso ele assuma?

Carol – Depois da campanha ainda não conversamos. Falei com ele antes das eleições. Ele já tinha um comprometimento comigo que, mesmo que eu não entrasse como vereadora, me pu­xaria para resolver essa parte dos animais de rua, porque sabe que é uma coisa que entendo muito e estou no dia a dia. Sei tudo o que a gente precisa ali. São mui­tos animais de rua abandonados e a gente não tem como dar conta. A Prefeitura tem que intervir. Ele prometeu dar uma estrutura me­lhor para a gente.

Folha – A cidade ganhou uma nova política ou você enxerga na política só um meio de conseguir levar sua causa adiante?

Carol – Acho que os dois. Eu vejo na política uma das únicas formas de ter voz e força de co­brar o poder público algo para os nossos animais. Devido a isso eu tenho que entrar nesse meio polí­tico. Não pretendo desistir.

Folha – Como está o assédio?

Carol – Uma loucura. Rece­bo umas 700 mensagens por dia, muitas de parabéns. Mas também já sofri uma cobrança muito gran­de. Recebo quase 100 mensagens por dia de pedidos de ajuda e in­felizmente a minha vida continua a mesma. A gente ainda não al­cançou uma estrutura para cuidar desse animais. Continuo a mesma Carol de sempre, lotada de animais em casa e de dívidas.