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Candidata única à presidência da Associação Comercial, Patrícia Cardinot fala dos seus planos

‘É um novo olhar e uma nova Acia’

14 março 2019 - 08h59
Candidata única à presidência da Associação Comercial, Patrícia Cardinot fala dos seus planos

RODRIGO BRANCO

 

O comando da Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio (Acia) muda de mãos a partir do próximo dia 22, quando na eleição da entidade, será aclamada vencedora a chapa única liderada pela empresária do ramo imobiliário Patrícia Cardinot, de 47 anos. Patrícia sucederá no cargo o atual presidente Eduardo Rosa que, será o vice da nova gestão.

A presidência será uma nova empreitada na vida de Patrícia, que já se ocupa da diretoria social do Conselho Comunitário de Segurança (CCS) e da Associação dos Moradores Centro Forte. Cheia de planos, a empresária diz em entrevista para a Folha que pretende trazer de volta o comerciante que está afastado da associação e promete atuar de forma integrada com outras entidades, com a prefeitura e até mesmo com o governo do Estado.
– Queremos criar cursos e oferecer vantagens, oportunidades e descontos. Vamos criar muitas coisas e também modernizar – antecipa.

Folha dos Lagos – Por que você resolveu se candidatar à presidência da Acia?

Patrícia Cardinot – Na verdade, aconteceu. Foi um convite que me fizeram. Disseram que tinha que vir como presidente porque me destaco e tenho raça para encarar as coisas. Levei aquilo como um elogio e aceitei. Tinha a outra chapa, do Ricardo Guadagnin e depois que sentamos e conversamos, ele decidiu, por decisões pessoais, retirar a chapa dele. Nessa chapa, tenho a felicidade de ter o Eduardo Rosa, que é atual presidente, como vice. Agregamos ainda algumas pessoas dentro desse contexto, como empresários da Rua dos Biquinis. Quem está dentro da Acia precisa estar em dia com ela. Então é um pouco limitado esse espaço e é justamente o que a gente pretende: ampliar o número de pessoas inscritas e pagantes da Acia, mas não apenas para ela pagar, mas para ser beneficiada. Queremos criar cursos e oferecer vantagens, oportunidades e descontos. Vamos criar muitas coisas e também modernizar.

Folha – Você tem planos de retornar com a Feira Forte?

Patrícia – Quando a gente fala de Acia, lembra de Feira Forte. Foi muito bom até aqui, mas ela veio caindo e tendo um sucateamento, com algumas pessoas colocando coisas que não tem muito a ver dentro do contexto. A gente precisa modernizar, se for acontecer. Precisamos criar ações de proximidade com o poder público, mas não só o poder público municipal, mas também com o governador do Estado, com quem eu consigo ter uma abertura e proximidade, até porque temos conhecidos lá também. Acho que isso vai agregar muito.

Folha – Qual a importância da Acia para o comércio de Cabo Frio?

Patrícia – A Acia vem enfrentando um momento de crise, que é uma crise nacional, de 2016 a 2018. Então, a gente não pode nem criticar, porque Eduardo foi vitorioso dentro do contexto. Nesse momento, que ainda estamos com uma crise no varejo, ele tem que se reorganizar, se repadronizar e precisa qualificar a mão-de-obra. A gente vai nos comércios e sente essa carência. O empresário acha que vai treinar para o funcionário ir embora. Não interessa se ele vai embora, o que interessa é que a sua empresa funcione e você fature, mas que o funcionário trabalhe feliz. É um novo olhar e uma nova Acia, não só com a preocupação no empreendedor, mas também no funcionário, para que a gente agregue e faça um comércio diferenciado. A gente precisa de alegria nos vendedores e não está vendo muito isso.

Folha – Como você vê a gestão do Eduardo Rosa?

Patrícia – Muito boa. Acho que ele fez dentro do contexto, ele foi um guerreiro. Um cara que admiro e também a família dele, assim como o (empresário) Ricardo Guadagnin, a (empresária) Ielra (Viter), todas essas pessoas que estavam dentro da diretoria. Eu só vejo como agregadores junto comigo dentro dessa nova chapa.

Folha – Qual a situação da Acia hoje?

Patrícia – Ninguém quer pegar a Acia. A Acia está com dívida alta, de mais de R$ 600 mil, mas isso é uma coisa que a gente consegue solucionar. Acho que o bom administrador consegue administrar dentro do caos. E o caos não é qualquer um que suporta. O bom administrador administra sem dinheiro e a gente vai conseguir fazer o diferencial e vamos contar, com toda certeza, com o apoio de toda mídia local e queremos agregar todos os empresários locais também.

Folha – Quais os projetos que pretende implantar?

Patrícia – A primeira coisa que a gente tem que fazer é uma grande reunião e buscar as sugestões do próprio mercado, junto aos próprios lojistas. Muitos estão dentro do próprio quadrado, só se preocupam com aquilo e não consegue olhar em volta, que são as dificuldade políticas na cidade. Problema na Saúde, problema na Educação, problema nas vias públicas, o buraco que não deixa o turista vir, o ônibus que evita a passagem. Tudo isso é preocupação do comércio. O comércio tem que aprender a se preocupar além do umbigo. Ele não pode ficar fechado só dentro do contexto dele. A maioria faz isso, mas hoje temos que ser um comércio com voz ativa.

Folha – Como pretende trazer esse comerciante que está afastado da Acia?

Patrícia – Partindo diretamente para o ‘tête-a-tête’, explicando para ele que agora vai ser diferente. Vamos fortalecer a Rua dos Biquínis, que sempre foi, por muitos anos, a referência internacional de moda praia. Mas precisa retornar isso. A gente precisa de um turismo de qualidade, de um turista que compre e vai querer agregar isso. Queremos agregar forças junto à secretaria de Turismo, ao Convention Bureau, ao Sebrae. Unindo ideias com todos, não descontruindo nada e nem ninguém, mas simplesmente fazendo uma Acia com uma forma diferente de atuar, com uma forma diferente de liderar, mas sempre usando integração e união e não desagregando.

Folha – Como você avalia a implantação de novas ferramentas de gestão?

Patrícia – A primeira coisa são as mídias sociais, em que a Acia precisa melhorar. As divulgações também, mas tudo isso necessita de investimento e a gente não está no momento de investir. A gente vai tentar enxugar custos, porque ainda tem custos que dá enxugar e a gente também vai buscar uma nova sede porque a localização da Acia hoje é um prédio sem elevador, com acessibilidade zero para gente de idade. Fica ruim de estacionar, não tem estacionamento próximo, acho que isso também inviabiliza para fazer uma consulta. A gente também vai buscar o retorno do CDL (Clube de Diretores Lojistas) , junto ao nosso amigo José Martins e outros amigos empresários. Vamos tentar retornar com essa parceria. 

Folha – De que forma você vai trazer sua experiência no segmento de segurança pública para a Acia?

Patrícia – Atuo desde 2005 junto à segurança de Cabo Frio, mas isso só foi ter destaque por causa do surgimento do WhatsApp, em 2015. Aí foram ver o que eu fazia e as pessoas se surpreenderam. Hoje a gente precisa de uma cidade segura e a Acia vai entrar nesse contexto, se integrando ao monitoramento que vai ser instalado na nossa região. Com certeza, vamos tentando agregar para fazer com que o próprio comércio financie isso porque isso gera turismo de qualidade, segurança no ir e vir, caminhar de madrugada tranquilamente. Mas não é só isso. É o seu filho ir para a escola e não ter o seu celular roubado porque a câmera vai pegar. A gente quer o comércio todo monitorado. Essa vai ser uma briga minha como presidente. 

Folha – O que pensa sobre o comércio de rua?

Patrícia – O comércio de rua ainda tem muitos anos pela frente, mas as pessoas têm que entender que precisam mudar a vitrine delas. Tem muita loja que precisa repaginar o letreiro e entender que a arma dela é o visual atrativo. Vejo muitas lojas paradas, arcaicas. Isso é uma coisa que a gente vai ajudar, levando consultorias em parceria que eu vou buscar com o Sebrae, para ajudar o empresário que parou no tempo. Ele parou no tempo por falta de tempo porque precisa pagar as contas e a crise tomou conta dele.

Folha – O que tem a dizer aos pequenos comerciantes de bairro que não querem se chegar à Acia? E qual será o papel de Tamoios?

Patrícia – Às vezes, eles se acham inferiores, mas eu digo que ninguém é inferior, se você hoje tem um barzinho, pagando aluguel, pagando luz, pagando aluguel, não é não menor que nenhum empresário, é um dos maiores vitoriosos, porque ganha seu pão honestamente, com ética e com caráter. Tem que ter valor e ser agregado sim. Esses vamos ajudar na liberação de um alvará, verificando se tem toda a documentação necessária. Vamos tentar junto à prefeitura viabilizar de alguma forma, porque às vezes as pessoas não têm a documentação, não deu entrada e começa a ter problemas. Vamos buscar o prefeito e os secretários para que eles nos ajudem. Quero trazer Tamoios para fortalecimento da Acia, com uma presença mais ativa. Sinto falta do comércio de Tamoios. E Tamoios é Cabo Frio. Muitos se esquecem disso. Só lembram disso quando precisam pegar o voto do pessoal na eleição. Acho que Tamoios merece e precisa. Vamos criar frentes para fortalecer esse comércio.

Folha – Como vai administrar todos os seus compromissos, com outras entidades?

Patrícia – Sei que estou abrindo muitos campos, mas decidi que quero fazer pela cidade. Eu não aguento mais olhar de camarote a cidade ir para o caos. Eu não vou aceitar e acho que ninguém deve aceitar porque a cidade é nossa. A gente trabalha para ganhar o pão de cada dia. Hoje, o comerciante em Cabo Frio é um vitorioso. Muitas lojas fecharam, muitas estão fechando e muitas vão fechar. A gente precisa ajudar o poder público a reestruturar essa cidade. A gente não quer bater de frente com o poder público, mas mostrar onde estão as falhas e tentar buscar as soluções. Não tem como fazer diferente. Um comércio só é forte quando o poder público ajudar também esse comércio a ser forte. E isso é com o Turismo, a Saúde, a Educação, a Infraestrutura, o Saneamento, é tapando os buracos, é botando placas sinalizadores.