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Cabofrienses

Cabofrienses nos EUA falam sobre a eleição de Trump

Chegada do empresário à Casa Branca foi marcada por discurso contra minorias e imigrantes

11 novembro 2016 - 07h32Por Rodrigo Branco I Foto: Reprodução
Cabofrienses nos EUA falam sobre a eleição de Trump

Durante décadas, a crença de que os Estados Unidos são a ‘terra das oportunidades’ levou milhares de brasileiros a tentarem viver o cha­mado ‘sonho americano’. Essa con­vicção ficou abalada, ou no mínimo estremecida, desde a madrugada da última quarta, quando foi confirma­da a vitória do candidato do Partido Republicano, o empresário Donald Trump, na eleição para presidente do país mais poderoso do mundo.

Com um discurso bastante con­servador, que durante a campanha eleitoral resvalou em declarações homofóbicas, racistas, machistas e, sobretudo, xenófobas, Trump acena com um política de maior protecio­nismo na economia e de mais res­trições para os estrangeiros. Diante disso, os cabofrienses que moram na ‘Terra do Tio Sam’ aguardam o fu­turo nos próximos quatro anos com bastante cautela.

O bacharel em Direito Marce­lo Soares, de 25 anos, mora há um ano no estado de Connecticut, que fica na Costa Leste. Com situação regularizada no país por meio do ‘green card’ – visto permanente de imigração – Marcelo trabalha em uma agência de empregos, na qual a maioria da mão-de-obra recrutada para trabalhos braçais é composta por estrangeiros. Ele teme por quem ainda não tem uma posição estável em solo americano.

– Sou legalizado nos Estados Uni­dos, mas temo pelos que não são e se esforçam por uma vida melhor. Isso é muito mais complexo do que “são ilegais, então devem ser deportados” – pondera.

Já Rafael Ferreira, que trabalha como professor de Inglês em Nova Jérsei, acredita que a situação não vai mudar. Prestes a obter a cidada­nia norte-americana por ser filho de brasileira casada com um ianque, Rafael relata que os brasileiros não são vistos como concorrentes, uma vez que os locais dispensam os ser­viços mais pesados.

– Imigrante aqui faz serviço que americano não quer fazer. Não tem americano trabalhando em faxina, nem peão de obra. Não porque não tem vaga – atesta.

Se não chega a despertar o dese­jo de volta para casa dos brasileiros que vivem nos States, o triunfo do bilionário falastrão adiou os planos de quem pretendia se mudar para a América do Norte, caso do empresá­rio Ramon Bock. Ele e o marido, que vivem no Rio, planejavam a viagem há sete meses e já tinham vendido toda a mobília.

– Estamos analisando. Foi um bal­de de água fria e praticamente adiou a ida, pois teremos mais problemas de legalização com ele no poder. Aí teremos que juntar mais dinheiro – alega o empresário, que viveu anos em Cabo Frio.

Até mesmo os aspectos econômi­cos da eleição de Trump têm causado suspense. Imediatamente à sua vitó­ria, o mercado reagiu e o dólar tu­rismo disparou chegando a R$ 3,44. O dono da Koala Turismo, Piero Ro­cha, tenta manter a tranquilidade.

– Com relação a emissão dos vis­tos, acho que nada vai mudar. Já com relação ao dólar, claro quer inicial­mente dá um impacto, mas quem quer mesmo viajar tem que se plane­jar com o dólar a R$ 3 ou R$ 4 – diz o empresário.