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Cabofriense divulga ‘salve a lagoa’ no Maracanã

Time de Cabo Frio levou faixa para ser exibida antes do jogo contra o Fluminense no domingo

12 março 2019 - 09h21
Cabofriense divulga ‘salve a lagoa’ no Maracanã

O movimento “Salve a Lagoa” ganhou reforço no último fim de semana. Uma faixa pedindo atenção para a Lagoa de Araruama foi exibida por jogadores da Cabofriense no último domingo, antes da partida contra o Fluminense no Maracanã. Segundo o presidente do clube, Valdemir Mendes, foi em atendimento a um pedido feito pela Colônia de Pescadores de São Pedro da Aldeia.

– Fomos procurados pelo pessoal da Colônia de Pescadores de São Pedro. Eles queriam fazer uma parceria para divulgar a situação da lagoa. Nada mais justo do que aproveitar essa mídia com a transmissão do jogo na TV para chamar a atenção das autoridades. Iremos fazer o mesmo no jogo do próximo domingo, contra o Vasco, que também será transmitido em TV aberta. A lagoa está morrendo, então nada mais justo do que chamar atenção para isso – disse Valdemir.

Ele afirma que o clube até demorou para se envolver na questão.

– Tudo que envolve a cidade e a região é importante para o clube. Temos que aproveitar o momento (de divulgação) para tirar proveito disso. Acho que são ações que deveriam ter sido feitas lá atrás, mas desta vez fomos procurados e achamos interessante o pedido da colônia. Vejo essa parceria com bons olhos e vamos promover outras ações também – disse ainda o presidente da Cabofriense.

Há dez dias, pescadores fizeram uma manifestação em São Pedro contra a mortandade de peixes. Eles pediram providências emergenciais e cobram a realização de dragagens em pontos que estão assoreados, o que prejudica a renovação da água. 

Segundo a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, Adriana Saad, é muito provável que a mortandade esteja ligada à falta de renovação da água da lagoa.

– Essa cor amarronzada que se encontra na lagoa é por causa do aumento na quantidade de algas. As algas entram nas guelras dos peixes e eles acabam morrendo sufocados. O líquido proveniente do tratamento de esgoto que é lançado na lagoa é livre de bactérias, mas contém nutrientes que facilitam a proliferação das algas. Por isso existe a necessidade de renovação constante da água da lagoa, mesmo que ela não esteja recebendo esgoto in natura. A Lagoa de Araruama tem diversos canais de ligação com o mar e, atualmente, esses canais estão muito assoreados. A água da lagoa quase não se renova e isso ajuda a aumentar a quantidade de algas, o que colabora para a mortandade de peixes. Os estudos que estão sendo feitos vão mostrar melhor o que está acontecendo, mas essa é maior possibilidade pelo que conseguimos analisar até agora – disse Adriana Saad.

A Prolagos, concessionária responsável pelo tratamento de esgoto na região, disse por nota que “assim como a equipe da Associação Desportiva Cabofriense (ADC), também considera de extrema importância ações que garantam a plena recuperação da Lagoa de Araruama”. Para isso, ainda segundo a Prolagos, “é preciso ressaltar que a responsabilidade é de todos: sociedade, poder público e concessionárias. 

“A Prolagos foi além do previsto em concessão e contratou a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC), ligada à COPPE/UFRJ, para realizar estudo de hidrodinâmica capaz de simular digitalmente a lagoa para entender como ela reagirá a partir de possíveis intervenções (dragagem, abertura de canais, retirada de carga a partir de transposição de efluentes, entre outros). O documento final será compartilhado com representantes dos governos Federal, Estadual e Municipais e Consórcio Intermunicipal Lagos São João para que tenham subsídios técnicos para definirem ações em prol da Lagoa de Araruama”, diz a nota.

Segundo o procurador da República Leandro Mitidieri, o MPF está atendo às obrigações que constam no contrato de concessão.

– A gente pretende provocar uma revisão visando o respeito à lagoa. Lagoas e praias devem ser preservadas do lançamento de esgoto – explica Mitidieri.

Já o procurador da República Leandro Botelho lembrou a importância do aperfeiçoamento do sistema de esgoto, que, atualmente, funciona em sua maior parte em tempo seco. Este tipo de sistema mistura o esgoto com a água da chuva nas tubulações. Quando não chove, o esgoto é levado normalmente até as estações de tratamento, mas, quando chove, as tubulações ficam sobrecarregadas e, muitas vezes, é preciso despejar esgoto in natura para que a água não volte para as residências pelas tubulações.

– Esse sistema atual, que hoje gera alguns problemas, respondeu a uma época específica de um quantitativo populacional que era outro. Hoje, com o aumento populacional, a gente tem outros problemas e isso demanda respostas mais efetivas – ressalta ele. 

Veja a nota da Prolagos sobre o tratamento de esgoto a região  – “O modelo de esgotamento sanitário em vigor na Região dos Lagos é Coleta em Tempo Seco, que intercepta a rede de drenagem pluvial, levando as contribuições para as estações de tratamento. Para este sistema operar é fundamental que haja a rede de drenagem (manilhas para captação da água de chuva). Nas localidades onde não há esta rede implantada pela prefeitura, o Código de Postura Municipal determina que os imóveis estejam ligados ao sistema próprio de fossa, filtro e sumidouro. Esse modelo foi definido em 2004 pela sociedade organizada, através do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, incluindo o Poder Concedente (Prefeituras e Governo do Estado), agência reguladora (AGENERSA) e Ministério Público, por ser o sistema que traria resultados mais rápidos para a recuperação da Lagoa de Araruama, que à época estava praticamente sem vida. A implantação desse sistema foi fundamental para trazer de volta a vida à maior laguna hipersalina em estado permanente do mundo.

 

*Foto: Léo Borges