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Cabo Frio: calote que machuca o bolso

Professores se queixam de dificuldades financeiras por falta de pagamento

25 maio 2016 - 10h51Por Rodrigo Branco
Cabo Frio: calote que machuca o bolso

RODRIGO  BRANCO

O que a Prefeitura de Cabo Frio afirma, como fez na última semana, a carteira de vários ser- vidores e profissionais de Educação da rede municipal insiste em desmentir. Anunciado no último dia 17, terceira terça-feira do mês, data considerada ideal pelo governo, apesar de contrariar decisão judicial que garante o pagamento até o quinto dia útil de cada mês, o salário referente a abril ainda não bateu na conta de vários servidores, segundo denúncias que chegam diariamente à reportagem da Folha.

E com elas chegam histórias que trazem em comum tanto as agruras de quem chega a passar necessidade pela falta de dinheiro como o medo de se expor e sofrer eventuais retaliações da Prefeitura e da Secretaria de Educação. Dupla humilhação pela qual muita gente com décadas de magistério nunca imaginou passar, como essa professora que não quis ser identificada.

– Tenho 27 anos de Prefeitura. Nunca na minha vida profis- sional passei por uma situação como essa. É uma sensação de impotência, revolta, desespero. Tenho duas matrículas e divido as contas de casa. Meu filho estuda em Macaé e precisa pagar aluguel. E não é só a falta do pagamento. Também faltam duas parcelas do décimo terceiro, 1/3 de férias. Para quem é aposentado faltam três parcelas do décimo. Isso é falta de respeito – desabafa.

Para uma colega de quadro-negro, que também prefere o anonimato, a vida financeira se tornou um caos desde que os atrasos se tornaram mais constantes, no ano passado. A docente reclama que verbas do Ministério da Educação não chegam há meses às escolas.

– Existe uma pauta de reivindicações. Não é só o pagamento até o quinto dia útil. Existem, também, as aposentadorias que não estão saindo, recarga de vale-transporte, atendimento no Ibascaf para quem desconta, enfim, é uma falta de respeito total. Funcionários sem vale, merenda mensal das escolas sendo depositadas pela metade. O PDDE (Programa Dinheiro nas Escolas) ficou meses sem ser depositado nas contas das escolas. Uma zona. Minha vida bancária está uma bagunça, até sujei meu  nome – revolta-se a profissional.

Ela não é a única a entrar na ciranda bancária. O professor de Língua Inglesa se enrolou nos juros para poder pagar mensalmente o aluguel. Ele se ampara no trabalho em duas escolas particulares para pagar as outras despesas. Diferentemente das colegas, o professor diz que já recebeu o mês de abril, mas pleiteia o pagamento dos direitos atrasados.

– Só de juros de aluguel, em todos esses meses, são mais de R$ 400. Pagando sempre atrasado, estou sempre pagando juros. Imagina quem não tem condição como eu tenho. Recebi o meu salário, mas muitos ainda não receberam – afirma.

Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Cabo Frio não tinha respondido à reportagem, mas o governo já tinha se posicionado em outras oportunidades, afirmando que a data de terceira terça do mês foi combinada com o Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe), o que foi negado. De acordo com o prefeito Alair Corrêa, esta é a data em que são liberados as maiores parcelas de recursos do Governo Federal, como o Fundeb.