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MERCADO DE TRABALHO

Cabo Frio perde 180 empregos formais em 2019

Município teve recuperação em dezembro, mas ficou na contramão da região

31 janeiro 2020 - 19h17Por Rodrigo Branco

Cabo Frio ficou na contramão da região, e do próprio estado do Rio, no que diz respeito à geração de emprego ao longo do ano passado, segundo a Secretaria Nacional do Trabalho, ligada ao Ministério da Economia. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) aponta que o município perdeu 180 vagas formais de trabalho em 2019, isto é, ficou com saldo negativo na balança entre contratações e demissões. Ao todo, as empresas cabofrienses admitiram 13.987pessoas nos últimos meses e dispensaram 14.167.

Na Região dos Lagos como um todo, houve 34.733 contratações e 33.209 demissões, o que resultou na criação de 1.524 postos com carteira assinada. Os destaques foram Araruama e Saquarema, que geraram 627 vagas de emprego cada um. Búzios criou 219; São Pedro, 207; Iguaba, 21 e Arraial do Cabo, três.

Os setores econômicos que mais contribuíram para desaquecer o mercado de trabalho em Cabo Frio foram o comércio e a construção civil. Juntos, os ramos atacadista e varejista foram responsáveis pela extinção de 144 vagas de emprego na cidade. O setor de compra e venda de produtos na cidade contratou 5.972 pessoas e mandou embora 6.116, nos últimos 12 meses. No caso da construção civil, foram admitidos 223 trabalhadores e dispensados 347, o que representa um saldo negativo de 124 postos de trabalho. Salvou-se da depressão o setor de serviços, onde se encontra a hotelaria e o turismo, que absorveu 6.641, mas dispensou 6.550, o que resultou na criação de 91 vagas de emprego. Na região como um todo, foram criadas 648 vagas no comércio; 703 no setor de serviços e 45 na construção civil.

Mas se o desempenho de Cabo Frio foi negativo no ano passado, poderia ter sido pior, não fosse pelo mês de dezembro, normalmente aquecido pelas vendas de fim de ano, quando há concentração de contratações temporárias. No último mês de 2019,  o município foi o líder na geração de emprego: saldo positivo de 428, com 1.574 contratações e 1.146 demissões, segundo o Caged. Búzios vem a seguir, com 755 admissões e 419 dispensas, saldo positivo de 336. Foi justamente o comércio, vilão do ano todo, o responsável pelo sucesso sazonal do município. Nos últimos 31 dias de 2019, 849 foram contratados e 505 foram mandados embora. Sozinho, o setor gerou 344 empregos formais em solo cabofriense no pagar das luzes do ano passado. Fato que, como se viu, foi insuficiente para aquecer o mercado ao longo do asno passado.

O secretário municipal de Desenvolvimento da Cidade, Felipe Araújo, afirmou que o município aposta em algumas frentes para reverter o quadro, como a desburocratização para abertura de novas empresas e, sobretudo, na criação do polo de desenvolvimento econômico, porém, adverte que as mudanças não acontecerão da noite para o dia.

– A secretaria de Fazenda vem fazendo sua parte, desburocratizando, o que tende a aumentar a formalidade. Desde outubro de 2018, a gente vem desenvolvendo projetos, que são em longo prazo. Não existe política de emprego continuo em curto prazo. Isso só acontece quando o ambiente de negócio estiver adequado. Fizemos estudos sobre a parte aeroportuária e sua parte de logística. Tivemos reuniões na Infraero e em Brasília. Fizemos um anteprojeto do polo que vai ser contíguo ao aeroporto, com dois milhões de metros quadrados pra atrair empresas só que dentro de uma responsabilidade e isso demora. Vai desde a formalização do polo em termos de papel, entra a parte de obras e depois o estudo da modulação, se vai ser uma concessão ou gerenciada pelo município. Baixamos o ICMS no aeroporto para 2,5% que é o mínimo que se pode cobrar no estado para atrair empresas. Essas são políticas de atração de emprego, mas isso não acontece de imediato – observa.

“Carteira assinada tem garantias”

Não está fácil arrumar trabalho em um município em que a prefeitura é uma das principais empregadoras. São cerca de 14 mil funcionários, segundo estimativa do secretário de Fazenda, Clésio Guimarães, em entrevista publicada pela Folha nesta semana. Com o setor privado retraído, aqueles que não são funcionários públicos concursados ou nomeados têm que ‘se virar nos 30’ para garantir o sustento da casa. Ainda que sem as garantias de um emprego formal.

Com o crescimento na oferta de serviços de transporte e refeições por aplicativo, muitos cabo-frienses passaram a trabalhar no ramo para não focarem parados. Como é o caso de Mateus Ramos, de 23 anos. O rapaz, que mora no Jacaré, perdeu o emprego de recepcionista em uma pousada há cerca de seis meses. Após três meses desempregado, por indicação de um amigo, se recolocou entregando comida pela cidade, mas sem ganhos fixos.

Mateus mora com os pais com quem contribui com uma renda que varia entre R$ 1.500 e R$ 2 mil mensais, mas não se acomoda. O jovem já procura um novo emprego, com carteira assinada e todos os direitos trabalhistas.

– É difícil,l porque um dia tem entrega, no outro não. Em um emprego com carteira assinada eu tenho garantias, com aplicativo já não é certo – comenta.

O colega Hebert Oliveira, de 20 anos, sonha fazer a faculdade de Veterinária, mas enquanto não entra para universidade, tem anseios mais imediatos. Assim como Mateus, quer parar de andar de um lado para o outro entregando refeições e se estabilizar e arrumar o primeiro trabalho.

– O pessoal pede experiência e como não tive oportunidade, como dizer que tenho experiência? Está bem difícil, mas a gente continua na luta. Sigo entregando currículo, a luta é diária pela tão almejada vaga – anseia.

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