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Buracos multiplicam-se por Cabo Frio

Problema gera irritação a motoristas, que contabilizam prejuízos; prefeitura promete tapa-buracos para agosto

29 julho 2019 - 20h37Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Buracos multiplicam-se por Cabo Frio

O profissional de vendas Jorge Luiz Garcia Magalhães está com o carro parado na garagem há dois meses, mas não tem pressa em colocá-lo para rodar novamente pelas ruas de Cabo Frio. O veículo ficou fora de circulação após as seguidas passagens pelas esburacadas ruas do Jardim Caiçara, bairro onde mora. A rotina castigou a parte inferior do veículo e causou um prejuízo que chega a R$ 2,5 mil, incluindo as despesas com a suspensão, amortecedores, coifas e o cárter do motor.

O caso de Jorge está longe de ser isolado. As reclamações dos motoristas multiplicam-se na mesma velocidade em que surgem as crateras. O problema é ‘democrático’: acontece das áreas tidas como mais valorizadas, como as que ficam nas proximidades da Praia do Forte, até o Jardim Esperança e Tamoios, embora nas áreas mais distantes do Centro, os transtornos sejam considerados piores. Em alguns locais, os buracos são sinalizados com galhos de árvore e outros objetos para chamar a atenção de quem trafega. Para tentar resolver o problema, a Prefeitura de Cabo Frio anunciou ontem a realização de uma grande operação tapa-buraco a partir já desta semana, para durar todo mês de agosto (veja abaixo).

– Não irei consertar o carro enquanto não consertarem pelo menos 60% dos buracos da cidade – disse Jorge, que também reclama das condições de rodovias estaduais como a RJ-106.

Para quem fica horas ao volante, como os motoristas profissionais, a rotina é de sustos e de meter a mão no bolso frequentemente para trocar alguma peça ou mesmo alinhar e balancear o automóvel. Poucos são os que não tem alguma história para contar envolvendo os percalços provocados pela irregularidade no asfalto das vias cabo-frienses.

Josemário Moreira, conhecido como ‘Baiano do Táxi’ é presidente do Sindicato dos Taxistas da cidade e tem um programa na Rádio Litoral onde relata as agruras dos motoristas de praça que precisam se aventurar pelas ruas desgastadas, escuras e mal sinalizadas da cidade para garantir o sustento. Ele mesmo teve que desembolsar recentemente R$ 2 mil para trocar dois amortecedores, dois pneus, pivô e bucha da balança. Ele diz que, com as corridas minguadas, é preciso trabalhar praticamente um mês inteiro para cobrir a despesa. Ele cobra mais atenção da prefeitura.

– Falo sempre que a Secretaria de Obras tem que ir pra rua. São muitos buracos na cidade, a cidade não tem sinalização. Com o dinheiro que pagamos de impostos é pra fazer recapeamento em toda a cidade. Não adianta fazer no Centro e largar os bairros periféricos. Vejo que o trabalho não está sendo feito como deveria. Uma coisa que eu vejo é que não é só jogar o asfalto por cima. Tem que raspar o asfalto velho todo para não dar infiltração. Por isso que toda chuva que dá o buraco abre de novo – diz, criticando a qualidade das operações ‘tapa-buraco’ já feitas pela prefeitura, nas quais ele diz usarem areia e terra. 

O motorista de aplicativo Cleiton Silva fala que a situação gera riscos por causa do ziguezague que é preciso fazer no meio da rua, por causa dos buracos. Muitas vezes, é preciso escolher o ‘menos pior’ para passar por cima.

 – Na rua do batalhão da PM (Rua Inglaterra, no Jardim Caiçara), você não consegue andar 50 metros sem se deparar com um buraco. Está tudo esburacado. Você fica com o carro pra lá e pra cá. Outro lugar que está terrível para andar é na subida da ponte Wilson Mendes. É uma buracada desgraçada, fora outros locais, como nas avenidas principais. Escolhe o buraco ‘mais bonito’ pra cair. Não tem como tirar as quatro rodas do buraco – ironiza.

Duas rodas a menos, perigo em dobro. O motociclista Mateus Batista diz que a situação fica pior quando chove. Segundo ele, a iluminação deficiente piora a situação.

– Às vezes a falta de iluminação impede que a gente enxergue os buracos. Especialmente em dia de chuva. Quando tem buraco debaixo de uma poça d’água então, pior ainda – alerta.

Normalmente, uma situação como essa seria motivo de sorrisos para quem trabalha com peças automotivas, principalmente pneus e itens de suspensão, mas o empresário Magno Quintanilha, da tradicional loja Magnauto, solidariza-se com aqueles que vivem a desventura de assumir uma despesa que é, muitas vezes, inesperada. Ele conta que, a loja atende, em média, 50 veículos por mês com problemas decorrentes de incidentes envolvendo os buracos da cidade. O valor médio de um reparo completo, incluindo troca de peças, alinhamento e balanceamento, depende do modelo do veículo.

– Isso é complicado. A cidade está cheia de buracos e aí é problema de pneu, é suspensão, são terminais axiais. Pra mim é bom porque eu vendo, mas eu não queria isso. Prefiro uma cidade tranquila, sem buraco, com todo mundo contente – disse, ressaltando que problemas causados pelos buracos não estão cobertos pela garantia.

Prefeitura vai realizar operação tapa-buracos durante o mês de agosto 

Ciente do grande número de reclamações sobre os buracos na cidade, a Prefeitura de Cabo Frio anunciou ontem que a Secretaria de Obras vai tocar uma operação tapa-buracos nas ruas da cidade durante todo o mês de agosto. 

Os serviços abrangem diversos bairros como São Cristóvão, Jardim Caiçara, Passagem, Manoel Corrêa, Portinho, Jardim Esperança, Jardim Olinda, Jacaré e no segundo distrito, em  Tamoios.

O governo municipal disse ainda que outros bairros poderão ser incluídos na operação conforme solicitação da população. A sede da Secretaria de Obras fica na rua Florisbela Rosa da Penha, 292, no bairro Braga, no prédio da antiga sede da prefeitura. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Além da recomposição do pavimento das ruas e calçadas, as manilhas de drenagem pluvial serão substituídas. Este tipo de manilha faz parte do sistema de drenagem do município que permite o escoamento da água em períodos de chuva.

As intervenções começaram no início do mês nos bairros Praia do Siqueira, Manoel Corrêa, Jardim Esperança, Cajueiro, Peró, Ogiva e na Avenida Teixeira e Souza, totalizando cerca de 500 metros de manilhas substituídas, além da manutenção do asfalto.

O assessor especial da Secretaria de Obras, Eduardo Leal, falou sobre a necessidade de fazer a troca das manilhas, uma vez que, em muitos casos, o problema está diretamente ligado ao surgimento de novos buracos na cidade.

 – As manilhas antigas estavam prejudicando, impedindo o escoamento das águas pluviais e provocando o afundamento no asfalto. Nosso trabalho tem o intuito de oferecer melhores condições de mobilidade e segurança para a população – conclui.