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Buracos: afundamento na rede de águas pluviais motiva 80% dos casos, diz Prefeitura de Cabo Frio

"Problema não pode ser resolvido apenas tapando buracos com asfalto", diz secretária Tita Calvet

13 março 2021 - 13h08Por Rodrigo Branco
Buracos: afundamento na rede de águas pluviais motiva 80% dos casos, diz Prefeitura de Cabo Frio

Andar de carro pelas ruas de Cabo Frio é submeter-se ao risco.  Raro é o itinerário feito pela cidade em que o motorista não se depara com buracos, desníveis e outras irregularidades no asfalto. Mas, segundo a Prefeitura, o perigo visível aos olhos dos condutores é resultado de problemas que estão no subterrâneo. A secretária de Obras e Serviços Públicos, Tita Calvet, aponta que, em quase 80% dos casos, trata-se de afundamento da rede de águas pluviais, que desde 2004 vem sendo utilizada pela Prolagos para o escoamento de esgoto, como parte do chamado Sistema de Coleta a Tempo Seco. Com isso, toda a rede está sobrecarregada, recebendo tanto água da chuva como também o esgoto, e, desta forma, apresentando problemas.

Ainda segundo Tita Calvet, o problema não pode ser resolvido apenas tapando esses buracos com asfalto. 

– Foi justamente isso que os gestores anteriores fizeram, apenas taparam os buracos com massa asfáltica. Isso não resolve o problema, que, mais tarde, volta a aparecer. O que estamos fazendo agora é a recuoperação dos pontos de afundamento de rede, para que o buraco não volte a surgir – explica Tita.

O governo municipal fechou convênio com o Departamento de Estradas de Rodagens do Estado do Rio de Janeiro (DER-RJ) para fazer as obras emergenciais. O acordo prevê o fornecimento de insumos e materiais para o município executar as intervenções necessárias nas ruas da cidade. 

– Desde o começo do mandato, estamos nos esforçando para realizar reparos emergenciais em diversos locais da cidade. Com este convênio, poderemos receber materiais para acelerar este processo – disse o prefeito José Bonifácio, que esteve na sede do DER, no Rio, para assinar o convênio.

Segundo a Prefeitura, o convênio terá duração de 12 meses  e prevê o fornecimento pelo DER-RJ, conforme a disponibilidade do órgão, de materiais como asfalto, manilhas, ligantes e outros insumos essenciais para serviços de recapeamento das ruas da cidade. Para isso, o município terá que atender a uma série de exigências contratuais, como a apresentação do Plano de Trabalho das obras em que os materiais serão utilizados e, também, a prestação de contas ao final de cada serviço. 

Sobre o afundamento na rede, a Prolagos disse que desenvolveu um estudo para a construção da rede separativa de esgoto nos cinco municípios da área de concessão. No momento, o projeto está sendo analisado pelo Consórcio Intermunicipal Lagos São João e poder concedente.

Risco de acidentes e danos a veículos é iminente

O problema dos buracos se perpetua por várias gestões, ainda sem solução à vista. O asfalto pode ceder no cruzamento próximo à Praia do Forte, uma das áreas mais valorizadas da cidade, como a reportagem flagrou na manhã da última segunda-feira, dia 8, ou se multiplicar por um bairro mais distante do Centro. Nas vias estreitas, o condutor cabo-friense é obrigado a fazer manobras temerárias e ziguezaguear perigosamente para evitar danos ao veículo, mas a possibilidade de acidentes, inclusive envolvendo pedestres e ciclistas é sempre iminente.

Porta de entrada e saída do município, pela proximidade com o Aeroporto Internacional, a Avenida Adolfo Beranger Júnior segue fazendo pneus furados e dando prejuízos aos motoristas, pois a situação praticamente nada mudou desde a última matéria feita pela Folha no local, em outubro. A situação é semelhante no Jardim Caiçara, onde algumas ruas se encontram bastante castigadas. Na Rua Alemanha, no trecho próximo à Travessa Tenente J.Brito, a reportagem quase viu dois acidentes no período em que esteve no local. 

Os sustos são rotina para o comerciante Leonardo Ferreira, que ainda convive com a poeira que sobe de uma obra que foi feita na pista sentido Rodoviária, mas que não foi revestida de asfalto. Sem que haja uma sinalização de agentes públicos de trânsito, os motoristas são obrigados a fazer um esquema de ‘pare-e-siga’ informal. Todavia, quando alguém não resolve esperar, o risco de colisões é real. 

– Creio que a Prefeitura deve ter verbas para ajeitar isso aí. Se o prefeito anterior largou, perdeu o mandato, o que assumiu tem que resolver os problemas. Olha lá [neste momento, quase ocorre um acidente envolvendo um carro e uma moto], quase aconteceu agora. Mudam de faixa para sair do buraco, na contramão. Já vi quase acontecerem vários acidentes – testemunha o comerciante.

Quem anda sobre duas rodas se sente ainda mais exposto a um possível acidente ou atropelamento. Valdira Costa, que trabalha em um salão de beleza, relata a angústia de, muitas vezes, se ver ‘entre a cruz e a espada’. 

– Sinto muito medo de ser atropelada enquanto a gente desvia dos buracos. Quando a gente, várias vezes, vê o buraco já está em cima. Ou cai no buraco ou é atropelado – teme, sob o olhar de concordância da aposentada Maria Creuza, com quem conversava de frente para a desnivelada esquina das avenidas Joaquim Nogueira, em São Cristóvão, e Vítor Rocha, onde ao fim se encontra a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Parque Burle.

– Morro de medo porque meu filho vem de moto e tem ficar desviando. Seja aqui ou no Jardim Esperança. Quando está chovendo, a situação piora porque não dá para ver os buracos. Aí que o perigo é maior ainda – preocupa-se.

Próximo dali, na Avenida Joaquim Nogueira, uma das principais vias de ligação da região central com a Praia do Siqueira e a Avenida América Central, a principal reclamação é com a qualidade nos reparos feitos.

Dono de uma loja de autopeças, Reinaldo de Almeida relata que é grande a procura de motoristas que tiveram seus veículos com a suspensão avariada ou aros de rodas amassados. 

–A cidade está abandonada, tem buraco para todo lado. O conserto que está sendo feito é de baixa qualidade. Inclusive aqui na frente da loja teve acidente. Eles taparam com tijolinho, mas o asfalto não ficou no nível certo. Continua perigoso porque o tijolinho ficou mais baixo que o nível da rua. A manutenção é muito mal feita, jogam um pouco de areia e cimento e fica por isso mesmo – desabafa. 

No Peró, moradores se cotizaram e taparam com concreto os buracos nas ruas próximas à Praça do Moinho, principal área de lazer do bairro, que sofre com a desordem, falta de manutenção e ocupação irregular dos espaços públicos.Os buracos foram sinalizados com cone, madeira e até uma lâmpada para evitar acidentes noturnos. Como a Prefeitura não atendeu aos pedidos para tapar os buracos, os moradores compraram material e fecharam as crateras no asfalto.

– A turma do bairro resolveu agir porque a Prefeitura não deu as caras – lamentou o morador Pedro Ferreira. 

Causas – Para o presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos da Região dos Lagos (Asaerla), Fernando Frauches, o problema dos buracos não é “de um governo e sim da cidade”. O engenheiro destaca que o afundamento do asfalto ocorre por causa do desgaste da rede subterrânea associado a outros fatores.

– Normalmente [os buracos] aparecem em linha onde se verifica a instabilidade da parte superior da rede de águas pluviais, que na região, com sistema a tempo seco, recebe outras contribuições que acabam por danificar o concreto do manilhamento. Outro fator são as ligações pontuais sejam por concessionários ou contribuintes, que ao refazer o pavimento não agregam a pavimentação já existente, e acabam descolando ou causando um afundamento. Há também no caso de asfalto o deslocamento de massa ocasionado pelo fluxo de veículos pesados e principalmente em pontos de frenagem – diz Frauches, que prossegue.

– Sabemos que nossas redes centrais da cidade são cinquentenárias e as redes dos bairros em torno do centro e na periferia, junto com a pavimentação, aconteceram no período de 1996 a 2006, então pelo tempo há o desgaste natural, somado a isso, existe sim, em alguns casos, má qualidade do material ou da forma de execução empregada – explica.

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