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Barco tinha problemas técnicos, diz pescador

Luciano Rodrigues afirmou que Guma ficou à deriva recentemente

22 setembro 2017 - 11h31
Barco tinha problemas técnicos, diz pescador

Luciano Rodrigues, 40  anos, pescador que por ter perdido um ônibus não estaria na embarcação Guma, desaparecida no mar desde o dia 9, procurou a reportagem da Folha na tarde de ontem. Muito nervoso, Luciano  denunciou problemas técnicos que o barco apresentava nos últimos tempos. Inclusive, citou um episódio recente no qual ele e os amigos teriam ficado à deriva no mesmo lugar onde o barco desapareceu – cerca de 45 km da Ilha do Farol, em Arraial do Cabo. 
O pescador, que durante oito meses pescou no barco Guma, descreve em detalhes problemas que a embarcação viria passando nos últimos tempos.
– Ficamos quebrados na mesma área, no Cabo Norte, dois dias antes deles partirem. O barco não podia ter saído. Tinha que ir pro estaleiro, ele estava fazendo água a umas quatro viagens. Trocaram a bomba do porão e a bomba elétrica, mas continuou o problema – denuncia o pescador.
Luciano Ribeiro faz outra denúncia grave: segundo ele, o GPS não estava funcionando direito. Os coletes salva-vidas também estariam em local de difícil acesso: “embaixo dos beliches e se precisassem pegar na emergência, iam se enrolar”. 
– O barco não podia nem desligar, parar o motor, que a água entrava. Teve também a troca da tina, que mexeu com a estrutura do barco e não fizeram vistoria depois dessa troca. Eu acho que o barco ficou pesado, a tina era grande demais. Tava todo mundo com medo já – declara.
O pescador diz que não tem noção do que possa ter acontecido com os amigos, mas acredita que são profissionais experientes, antigos na pesca. Luciano crê que os companheiros de pesca tenham sido prejudicados pelas condições da embarcação.
– Tem mais. Perdemos a garatéia  (âncora) antiga na Ilha e tiveram que trocar, mas não testaram. O ferro pode não ter ancorado direito –conclui.
Entrevistado pela Folha na tarde de quarta-feira, o proprietário do barco Guma, Gustavo Teixeira, negou que a embarcação tivesse passando por problemas e afirmou que a mesma passou por uma vistoria,  “no início do ano”, na Capitania de Macaé.
– Tudo o que acontece na embarcação eles me relatam. O mestre é experiente, teria relatado. Desconheço qualquer problema mecânico – declarou o proprietário na ocasião.
A Marinha do Brasil, por meio do Comando do 1º Distrito Naval, informou que todos os aspectos envolvendo a situação da embarcação “Guma” são objeto das investigações que encontram-se em curso no Inquérito instaurado pela Marinha para apurar as causas e responsabilidades.