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Aves migram de outros países para a Região dos Lagos

A exemplo de turistas, aves também procuram região para fugir do frio

07 março 2017 - 19h55Por Rodrigo Branco I Foto: Antônio Ângelo Marques
Aves migram de outros países para a Região dos Lagos

Não são apenas turistas que procuram a Região dos Lagos durante o verão. Em grandes bandos e voando muito acima dos enormes engarrafamentos que costumam se formar nas estradas, aves de diversas espécies encontram pouso seguro às margens da Lagoa de Araruama. Originários de regiões geladas do mundo, como o Alasca, a Patagônia e os Andes, os animais percorrem milhares de quilômetros em busca de alimento e de um lugar para recuperar as forças e trocar a penagem antes da próxima parada.

Indivíduos de espécies como colhereiros, garças-moura, maçaricos e flamingos-chilenos começam a chegar no fim de ano e permanecem na região até o fim de abril. Segundo o biólogo e coordenador municipal de Meio Ambiente de Cabo Frio, Eduardo Pimenta, o ecossistema lagunar reúne as condições ideais para a permanência das aves no local.

– Aqui eles encontram um terreno lodoso e alimento em abundância. Há muitos invertebrados, moluscos e microalgas. Quando vêm pra cá, completam o ciclo metabólico para fazer o voo de retorno. Alguns chegam a percorrer mais de 20 mil quilômetros. Essa é a importância de manter a lagoa saudável e os nichos de restabelecimento para manter o ciclo migratório – disse Pimenta, que é autor do livro ‘Aves da Laguna Araruama – Inventário Fotográfico da Avifauna da Laguna Araruama’, lançado no ano passado.

Coautor da obra e responsável pelas suas imagens, o fotógrafo e ambientalista Antônio Ângelo Trindade Marques dedica-se ao estudo das aves há mais de 20 anos. Através das suas lentes, o especialista capta o colorido da plumagem e o movimento dos animais, que de tão sincrônicos parecem coreografados. O fenômeno natural atrai muitos observadores, ornitólogos (estudiosos das aves) ou simplesmente curiosos, que fomentam um Turismo de alta renda.

No entanto, mais do que com a questão estética, a preocupação de Antônio Ângelo é outra. Com o gradual desaparecimento das salinas por causa da especulação imobiliária, o fotógrafo preocupa-se com a manutenção do ciclo migratório dos animais pelos próximos anos.

– Eles gostam de ficar no primeiro marnel (lugar onde a água da salina fica concentrada). Não são de águas profundas, mas rasinhas. O fim das salinas pode acarretar problemas no ciclo mundial das migrações de aves. Elas chegam aqui exaustas e sem esse ‘pit stop’, elas podem não conseguir alcançar o próximo ponto – afirma Antônio Ângelo.

O estudioso complementa dizendo que publicações estrangeiras registram o fenômeno.

– Cabo Frio é reconhecido internacionalmente como ponto importante para o ciclo de migração dessas aves – finaliza.

 

*Foto: Antônio Angelo