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Desvalorização

Aumenta a revolta na enfermagem de Cabo Frio: pagamento vem sem adicional noturno e insalubridade

Denúncias dão conta, inclusive, de que testes rápidos não estão sendo aplicados nos próprios funcionários com suspeita de covid-19

08 maio 2020 - 15h02Por Rodrigo Cabral
Aumenta a revolta na enfermagem de Cabo Frio: pagamento vem sem adicional noturno e insalubridade

Com carga horária aumentada, enquanto amargam problemas como a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), os profissionais de enfermagem receberam mais um 'presente de grego' da prefeitura de Cabo Frio: nesta sexta-feira (8), dia em que foi creditado o salário na conta dos servidores, muitos não receberam os recursos referentes a adicional noturno e insalubridade. Também há quem sequer recebeu o salário. O clima é de revolta entre as equipes.

Entre os relatos ouvidos pela Folha dos Lagos, sob condição de anonimato, há a reclamação de que houve, por parte da prefeitura, a promessa de aumento do piso salarial, o que também não ocorreu. O sentimento de desvalorização vem no momento em que alguns profissionais, que estão na linha de frente, acabam afastados por apresentar sintomas da covid-19; outros, enquanto isso, optam por pedir exoneração por conta do medo.

 – Aumentaram nossa jornada de trabalho e junto a isso prometeram pagar o piso salarial, além dos adicionais.  E a cada dia que passa nossos EPIs pioram. Nossos capotes e máscara cirúrgica são da pior qualidade. Há um mês usamos a mesma máscara nº 95. Está tudo errado! Trabalhamos muitos plantões com equipe reduzida porque nossos colegas estão se contaminando e outros estão com medo de ir trabalhar  – afirmou uma servidora.

Denúncias também dão conta de que os testes rápidos, que chegaram ao município, ainda não foram vistos pelas equipes do Unilagos e da UPA. Segundo estes relatos, os testes não são aplicados em funcionários das duas unidades que estão com suspeita de coronavírus. Na UPA, devido ao quadro reduzido, devido às suspeitas de covid-19, profissionais conseguem tirar apenas 1h de descanso em 24h. Outra servidora diz temer que o número de faltas aumente, sobrecarregando o serviço dos profissionais. 

 – Neste último mês, em meio à pandemia, tivemos nossa carga horária dobrada, trabalhando 48h semanais. Visto isso, nos foi prometido pagamento do piso salarial e todos os benefícios de direito (adicional noturno + insalubridade), o que nunca foi pago. É um  absurdo que nós, em meio à guerra, nos dedicando ao máximo, em contato direto com o vírus, não sejamos valorizados no momento da remuneração. 

Nova escala de trabalho na enfermagem  – Conforme a Folha dos Lagos noticiou no início do mês, a nova escala de trabalho tem gerado reclamações por parte dos servidores contratados do setor de enfermagem. A carga horária passou a ser de 24x72 (24h de trabalho para 72h de repouso). A mudança começou a valer no dia 6 de abril, após aviso enviado aos servidores no dia 3, por WhatsApp.

 – Estamos psicologicamente exaustos com essa escala em plena pandemia de covid-19, enquanto muitos técnicos novos não sabem manusear pacientes, aparelhos e medicações porque não tiveram tempo de se adequar ao local. Com tudo o que estamos vivendo, como o secretário muda a escala assim? – questionou, sob condição de anonimato, uma enfermeira à Folha, relatando ainda que há déficit de funcionários porque muitos concursados que moram no Rio não conseguem vir trabalhar.

 De acordo com o presidente do Sindicato dos Profissionais da Saúde de Cabo Frio (SindSaúde), Gelcimar Almeida, o Mazinho, a carga horária dos contratados na enfermagem era de 24x120 há mais de 12 anos. Os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem concursados continuam com a carga horária de 24x144, o que está garantido pelo Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR).

 – Há falta de sensibilidade do gestor, num momento como esse, levar o servidor a ter uma carga horaria de trabalho desumana. Enquanto o mundo inteiro está aplaudindo os profissionais de saúde pelo enfrentamento a pandemia, aqui em Cabo Frio o que acontece é o retrocesso ao submeter esses profissionais a uma carga horária desumana – criticou o sindicalista.

Secretária-geral do Sindicato dos Servidores de Cabo Frio (Sindicaf), a conselheira municipal de saúde Daiana Olegário reforça que o clima é de preocupação entre os servidores.

 – Os funcionários estão muito revoltados. É cobrança em cima de cobrança. Que se cobre em cima do que é oferecido. Se não oferece estrutura de trabalho, se não oferece direitos adquiridos, parece que estamos num regime militar – avaliou Daiane, questionando também o fato de não haver regulamentação para o pagamento de adicional de insalubridade durante a pandemia de coronavírus no município.

 A reclamação chegou até a deputada estadual Enfermeira Rejane (PC do B), que, em vídeo divulgado no Facebook, opinou que Cabo Frio anda na contramão de outros municípios e estados. 

– Em todos e estados e municípios, profissionais da Saúde estão sendo homenageados, aplaudidos, por conta da dedicação em salvar vidas. Mas no município de Cabo Frio é justamente o contrário. O secretário de Saúde aumentou a jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem. Alterou a carga horária para as pessoas trabalharem 24x72. Escala essa que só pode ser modificada se tiver lei ou se tiver norma coletiva acordada com algum sindicato. E a classe de enfermagem vai ficar cada vez mais exposta com essa escala.

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