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'As mulheres estão denunciando mais', diz delegada sobre registros de violência doméstica

Foram 38 tentativas de feminicídio no Estado do Rio apenas em janeiro deste ano

09 março 2019 - 10h36
'As mulheres estão denunciando mais', diz delegada sobre registros de violência doméstica

Trinta e oito tentativas de feminicídio foram registradas no estado do Rio apenas em janeiro deste ano, aponta o Instituto de Segurança Pública (ISP). Para a titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Cabo Frio, delegada Juliana Rattes, o aumento do número de registros vem na esteira da conscientização das mulheres. Ela esteve com a equipe da unidade policial nesta sexta (8) na Praça Porto Rocha, no Centro de Cabo Frio, em uma ação voltada para o Dia da Mulher.

– O aumento nos registros, para mim, não é uma coisa ruim. Porque acredito que o aumento não é porque acontece mais, é porque estão denunciando mais. Os casos estão aí, só que as pessoas não notificam. Então a gente não tem os registros. Se perguntar pra qualquer pessoa nessa praça, na cidade, todo mundo conhece alguém que passou ou está passando por caso de violência doméstica. Até estupro. Praticamente todas as mulheres que eu já conversei na vida ou foram estupradas ou conhecem alguém que foi. Os números são absurdos. Então o aumento de denúncias não é uma coisa ruim. O aumento nos registros significa que a gente está conseguindo alcançar o que a gente quer, que é conscientizar – afirma a delegada.

Homens e mulheres foram abordados durante o ato de conscientização realizado nesta sexta. Um deles foi o vendedor Daniel Lopes, de 30 anos, que estava passando local e recebeu panfleto explicativo. Ele aprovou a ação.

– É muito interessante esclarecer a população. Quando tem uma discussão, às vezes ultrapassa. Foi o que ela (delegada) falou, acaba tendo uma agressão e piorando a situação. Um convívio a dois é muito complicado. Um tem que afrouxar mais a corda do que o outro - afirmou Daniel, que é casado e tem um filho de 8 anos.

A delegada Juliana Rattes está à frente da Deam desde o último dia 8 de janeiro. Antes, passou foi titular na delegacia de Arraial do Cabo por três anos, na de Rio das Ostras por um ano e meio e na de Casimiro de Abreu por um ano e dez meses.

Em todo este tempo de trabalho já viu situações horríveis de agressão e até tortura. Segundo ela, trata-se de um crime diferente dos demais por envolver aspectos emocionais. 

– Não é só um crime. Envolve a família. Envolve a relação de um casal. E as vezes a mulher pensa que quer denunciar, mas pensa se quer mesmo romper com o parceiro. Porque ela só vai denunciar quando decide romper. Dificilmente vai denunciar pra continuar casada. Então é uma decisão difícil. Muitas mulheres acabam aceitando a violência, e as vezes até praticando a violência também. Muitas vezes o casal vive em um ciclo em que não é só a mulher que é agredida. As vezes os dois se agridem, só que nessa situação, a mulher é mais frágil fisicamente. Normalmente é ela que vai sair mais machucada. E outras situações que são muito mais graves em que homens agridem a mulher e ela vai aceitando. Porque foram criadas em uma sociedade machista, patriarcal, em que o homem acha ainda que tem o direito de castigar. Dizer onde pode ir em com quem pode falar. Temos diversas denúncias de pessoas trancadas dentro de casa. As vezes a mãe procura dizendo que a filha está trancada em casa pelo marido, a gente vai lá, leva para a delegacia ou conversa – explica Juliana Rattes.

Média de 70 atendimentos por mês no Ceam em Cabo Frio

A Folha entrou em contato com as prefeituras de Cabo Frio, Arraial do Cabo, Búzios e São Pedro da Aldeia, solicitando dados sobre atendimentos relacionados à violência doméstica. Somente a Prefeitura de Cabo Frio forneceu os números solicitados.

No Centro de Atendimento a Mulher (Ceam) de Cabo Frio, cerca de 70 atendimentos são realizados todos os meses. No ano passado foram mais de 600 registros no total. O Ceam fica na Rua Florisbela Rosa da Penha, 292, Braga e funciona com duas equipes técnicas compostas por assistente social, advogado, psicóloga, pedagogas e orientadoras sociais.

Em Búzios os atendimentos são realizados no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que fica na sede da Secretaria de Desenvolvimento Social Trabalho e Renda, na Travessa dos Pescadores, 111, Centro. Em São Pedro da Aldeia, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos fica na Rua Hermógenes Freire da Costa, 19, Centro.

E em Arraial do Cabo, onde ontem foi realizado o evento “Nenhuma a menos”, na Marina dos Pescadores, quem precisar de atendimento pode procurar a Prefeitura, na Avenida da Liberdade, sem número.