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SORRISO DE VOLTA

Após trauma em estádio no Chile, filho de cabo-friense é recebido pela equipe do Flamengo

Semanas após ser atingido por sinalizador, Thiago, de dez anos, visitou CT, conheceu ídolos e assistiu a jogo no Maracanã

21 maio 2022 - 10h00Por Rodrigo Branco

Nunca será só futebol. Alguém muito mal humorado pode dizer que se trata apenas de um jogo em que 22 homens ou mulheres correm atrás de uma bola, com o objetivo de fazer mais gols do que o adversário, mas ele desperta paixões e ajuda a curar as feridas. O amor do pequeno Thiago, de dez anos, pelo esporte chegou a ficar abalado após ser atingido por um sinalizador durante a partida entre Universidade Católica e Flamengo, realizada no Chile, onde mora, no último dia 20 de abril. Mas o menino, filho da jornalista cabo-friense Danielle Carvalho, foi acolhido com muito carinho pelos jogadores rubro-negros e viveu momentos inesquecíveis nos últimos dias, em visita ao Rio, a convite do clube carioca.

O drama de Thiago e de sua mãe comoveu o empresário do ramo de Turismo Fernando Sampaio, que teve a iniciativa de promover a viagem dos dois para o Brasil, que acabou encampada pela diretoria do Flamengo. Os dois ficaram quatro dias hospedados na capital e aproveitaram cada minuto da agenda, que incluiu uma visita ao Centro de Treinamento Ninho do Urubu, com direito a ser recebido pelo elenco rubro-negro, incluindo os ídolos Gabigol e o chileno Isla, e o técnico Paulo Sousa. As inúmeras fotos tiradas não deixam dúvida da alegria do garoto em meio a uma experiência única de estar em meio aos seus craques preferidos.

Na última terça-feira, dia 17, foram convidados de honra da diretoria e assistiram à partida de volta entre os clubes, no Maracanã, pela primeira fase da Taça Libertadores da América. Danielle comentou que viveu dias muito intensos com o filho e que leva muito carinho e amor na bagagem de volta para o Chile.

– Thiago vai voltar com o coração cheio de felicidade, cheio de amor e já está com saudade do Brasil. A gente não quer ir não, mas tem que ir (risos). Foi muito boa a experiência, apagou um pouquinho a imagem que o futebol deixou no Thiago lá no Chile. Teve o carinho do clube pelo Thiago. A gente vai feliz, foram dias muito intensos, passou muito rápido, mas tudo valeu a pena – disse a jornalista, que mora há 14 anos fora do país.

O menino com o ídolo chileno Isla

A vinda ao Brasil ajudou a amenizar as dores e o trauma causado pelos momentos de terror vividos no estádio chileno da cidade de San Juan de Apoquindo. Danielle chega a se emocionar ao lembrar-se do dia em que viu o filho ferido por causa da irresponsabilidade do torcedor rival. Segundo ela, era apenas a segunda vez que o garoto havia pisado em um estádio de futebol, a primeira, também num jogo entre Flamengo e Universidad Católica, em 2017.

Desde o ocorrido, a rotina de mãe filho mudou, com dezenas de pediso de entrevistas e uma grande repercussão do caso na mídia nacional e internacional. Em solo brasileiro, o assédio da imprensa também foi grande, só que em tom festivo. De volta ao Chile, Thiago vai retomar o tratamento que faz em um centro para crianças com queimaduras, bem como o apoio psicológico.

– Essa viagem que o Flamengo presenteou foi meio que um milagre, porque no sábado depois da violência, quando eles nos convidaram, o sorriso na cara do Thiago não tinha preço. Tem momento que ele está bem, tem momentos que ele não está. Tem horas que ele vem e me abraça forte e chora, dizendo que não quer lembrar. Se pra mim foi uma coisa muito aterradora, imagina pra ele, uma criança de dez anos, mas a nossa vida mudou um pouquinho, são muitas entrevistas. Estar aqui no Brasil é bom para esquecer um pouquinho do que ele passou – explica.

Na parte policial e jurídica, Danielle acompanha as investigações para responsabilizar o torcedor chileno que disparou o sinalizador dentro do estádio. O caso está nas mãos da polícia e da Fiscalia, espécie de Ministério Público do país andino. A jornalista, que tem experiência na cobertura policial, inclusive pela Folha dos Lagos, disse que o suspeito do crime já foi identificado, mas que é necessário recolher provas para que não haja dúvidas sobre a autoria do ato durante a partida. Testemunhas que viram o que aconteceu no estádio da Universidade Católica confirmaram o depoimento de Danielle, que diz ter visto o momento em que o artefato foi lançado, mas que só depois se deu conta de que o filho havia sido atingido. O objetivo é que o responsável seja banido dos estádios de futebol no Chile.

Thiago, com a mãe Danielle, no gramado do Maracanã 

– Estamos lutando por Justiça também. Até mesmo porque o caso do Thiago é um exemplo de que tem que parar a violência nos estádios, é um programa familiar. Você vai com seu pai, sua mãe, seus avôs e, de repente, não pode levar criança, porque pode passar algo? Não! Prender essa pessoa vai ser um exemplo pra que outras pessoas não voltem a fazer o mesmo, que é entrar no estádio pra fazer violência e provocar o ódio – espera, enquanto trabalha para reconectar o filho com sua paixão pessoal e a própria cultura.

– Falei pra ele que essa pessoa não deveria estar no estádio, para não ficar com esse medo. Quando falei pra ele sobre o convite pra vir ao Rio, no  Maracanã, ele ficou com um pouquinho de receio, mas eu falei que a gente estaria resguardado. Essa viagem esta fazendo bem porque tem muito pouco tempo que aconteceu essa violência, e isso vai reaproximá-lo novamente com o futebol e com essa paixão que estava em chamas, mas de repente se apagou.

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