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PT

Após intervenção que determinou apoio a Janio, PT de Cabo Frio racha

Desabafo da ex-candidata Flávia de Jesus expôs divergências internas no partido

18 agosto 2016 - 10h08Por Rodrigo Branco
Após intervenção que determinou apoio a Janio, PT de Cabo Frio racha

ANTES, SORRISOS – Durou pouco a alegria pela candidatura própria de Flávia de Jesus (de vermelho) - Divulgação

O processo eleitoral mal começou e já deixou marcas no Partido dos Trabalhadores de Cabo Frio. A intervenção da Executiva Nacional no diretório municipal no último fim de semana, que determinou o fim da candidatura da professora Flávia de Jesus para apoiar Janio Mendes (PDT), rachou a legenda.

Pela reação de Flávia, será difícil juntar os cacos. Em dura carta aberta, a professora elevou o tom e disse que o PT se tornou um ‘joguete na mão dos poderosos’. Chateada, ela afirmou que deixará o partido.

– O PT sofre um processo de autodestruição onde alguns de seus componentes, sem ideologia, não avaliam a importância da bandeira e a rasgam publicamente. Esse partido não me representa mais. O que aconteceu em Cabo Frio foi um total desrespeito não só a minha pessoa e a da vice, mas à História de luta, de trabalho de todas as mulheres principalmente as negras – desabafou.

Apesar do constrangimento, o presidente municipal do partido, José Leandro Júnior, disse que tentará fazer a professora mudar de ideia. De acordo com Júnior, os conflitos internos após a escolha de Flávia como a candidata do partido foram o estopim para a intervenção.

– No PT, existem várias formas de intervenção. Uma delas é para garantir a unidade interna do partido. A intervenção veio nesse sentido. A disputa foi muito acirrada e a Flávia saiu vencedora com legitimidade. O direito de recorrer é sagrado, mas o que pesou foram as divergências.

A intervenção começou a ser construída após os recursos do Luciano (Silveira, o então outro pré-candidato petista). O problema foi ter extrapolado para a imprensa o que era interno do partido – comentou.

Apesar de admitir o mal estar e se mostrar solidário a Flávia, Júnior garante que o partido caminhará sem problemas ao lado de Janio Mendes.

– A candidatura da Flávia é uma construção da qual eu participei. Há pessoas que sentem, outras que não sentem tanto. Há as que não sentem nada e há as que não podem sentir, que é o meu caso. Tenho que acatar decisões superiores. Vou defender a coligação com o PDT. No PT você discute à exaustão, mas uma decisão dessas você apenas cumpre ou vai pra casa – finalizou, não descartando a hipótese de outras desfiliações.

Rebatendo os comentários do presidente, o vice municipal e secretário de Formação Política do partido, Fernando Campos disse que a contestação de Luciano junto à Executiva Estadual não foi em relação à escolha de Flávia e sim por conta de supostas irregularidades ocorridas na convenção realizada no último dia 5.

– Eram oito membros para votar, incluindo eu e o presidente José Leandro Júnior. A votação estava 4 a 3 a favor do Luciano e o presidente votou na Flávia empatando a disputa. Só que em vez de passar a decisão para a Executiva Estadual, ele votou duas vezes, desempatando a favor da Flávia, ferindo o estatuto e a prática democrática do partido – argumenta.

Além disso, Campos acusa ainda que o processo teve outras irregularidades como atraso na contribuição partidária por parte de alguns membros do diretório, inclusive a própria Flávia de Jesus e a discordância entre o número de pré-candidatos registrados na ata (26) e a quantidade de postulantes de fato (20).

Por agora estar concorrendo a uma vaga na Câmara Municipal, Luciano Silveira disse que não teria como responder às ponderações de Júnior. Já o candidato Janio Mendes não respondeu aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.