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MEMÓRIA 

Amigos destacam legado de Zé Martins para Cabo Frio

Figuras públicas da cidade falam sobre importância do empresário, vítima da Covid-19 no fim de semana

15 setembro 2020 - 09h42Por Redação

Atordoada, Cabo Frio se despediu no último fim de semana do empresário José Martins de Souza, que, aos 67 anos, não resistiu às complicações da Covid-19. Zé Martins ou Zé da Picanha, seja por qual alcunha era chamado, se despediu não apenas como quem pede licença à mesa, deixando a cadeira vazia; mas deixou uma legião de amigos agora saudosos da presença e da simplicidade do empreendedor.

Com grande trânsito nos meios empresarial e político da cidade, Zé era considerado uma espécie de guru, de quem se esperava uma análise arguta sobre a conjuntura da cidade, entre um gole e outro de café, junto aos amigos. Muitas das conversas foram testemunhadas pelo também empresário Jorge Sawan, dono da Barber Shop, quase vizinha à Picanha do Zé, no Boulevard Canal.

Amigo de Zé dede 1996, Sawan relata com orgulho o fato de que o dono do restaurante tratava as mesas do lado de for de sua barbearia como escritório ao ar livre. E por lá, passavam lideranças políticas de vários matizes, todos respeitosos com a figura do experiente empresário, a quem Sawan tratava como pai e irmão mais velho. Nem por isso, ele relata, perdia a modéstia.

– Zé Martins tinha o carinho o respeito de todos os vereadores e prefeito e ex-prefeitos. Sentava com eles e conseguia contornar algumas situações em prol de Cabo Frio. Muitas vezes eu e ele sentávamos só para apreciar o Boulevard Canal sem falar uma palavra. Ele tinha uma cadeira preferida onde ficava de frente para o estabelecimento dele. Tomava o café dele com as pessoas ao redor, mas ficava de olho no restaurante. Controlava tudo ao mesmo tempo. Respeitava todos, do vendedor de jujuba de rua até o grande empresário – relembra.

Figura conhecida e respeitada no meio político, Duca Monteiro atesta a influência de Zé, mesmo com seu estilo discreto.

– Todos conhecem o Zé da Picanha empresário, mas poucos sabem como era grande o conhecimento e a influência de Zé. Aconselhava e ajudava a todos e não gostava de aparecer, fato raro. Perdem a família, os amigos e a cidade – lamentou.

A empresária e presidente da Associação Comercial de Cabo Frio, Patrícia Cardinot, falou da importância de Zé como homem público. Ex-presidente da Acia e ex-secretário de Indústria e Comércio, ele não tinha cargo, mas nem por isso, deixavam de ouvi-lo antes de tomarem decisões importantes na cidade. Patrícia afirma destacou a história do empresário e o seu posicionamento de não abrir o restaurante, mesmo após as medidas de flexibilização na cidade.

– Estou chocada. Estive há 20 dias com ele, que estava numa busca incessante por melhorias da nossa cidade. Sempre com uma visão empreendedora, arrojado, pujante. Sempre sobrevivendo a todas as crises e sendo um sucesso e referência, famoso no Brasil inteiro. Todo mundo conhecia a Picanha do Zé, no Boulevard Canal. Ele marcou história com essa atitude diferenciada, com a qualidade e o atendimento de excelência tão cobrados por ele. Vinha se prevenindo, amargou o prejuízo de não abrir para não colocar os funcionários em risco. Um cara com visão, com dinamismo, honesto, direto e objetivo e conselheiro de muitos políticos. Era o primeiro a estar por dentro de tudo – disse.

Fundador da Folha dos Lagos e dono da VIVAG Comunicação, o jornalista Moacir Cabral dividiu muitas horas de papo com o amigo, a quem homenageou no próprio sábado. Citando o clássico de Nelson Gonçalves, Cabral diz que naquela mesa sempre vai faltar ele.

– Ele me aconselhava como um pai e ouvia meus conselhos como um filho. Este é o tamanho da dor – relata.

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