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Ambulantes de Cabo Frio aprovam recadastramento

Retirada de 'forasteiros' é vista com bons olhos pelos trabalhadores

26 abril 2017 - 09h43Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Ambulantes de Cabo Frio aprovam recadastramento

A iniciativa da Prefeitura de Cabo Frio de recadastrar os ambulantes do município agradou os trabalhadores locais, ainda que isso represente queda no número de licenças concedidas. Na verdade, os ouvidos pela reportagem da Folha esperam que a Prefeitura cumpra a promessa de restringir as permissões de trabalho a moradores de Cabo Frio. Com a chegada de mais um feriado, ele já vislumbram uma nova disputa na areia da Praia do Forte contra os ‘forasteiros’.

– Com certeza aprovo (o recadastramento), pois é o primeiro passo para dar prioridade a quem precisa e depende da nossa área. Falta emprego e indústria na cidade, então nosso ganha-pão é a Praia do Forte – reclama Edeci Miranda, conhecido como ‘Tenente’, de 67 anos, que trabalha há 30 na faixa próxima à Avenida Nilo Peçanha vendendo bebidas.

O vendedor Vinícius Cabral, 23, também é favorável à ‘reserva de mercado’, mas prefere aguardar.

– Se for mesmo confirmado, acho uma boa. Muita gente mora e passa o inverno em Campos, por exemplo, mas em novembro e nos feriados vêm pra cá – disse o morador do Buraco do Boi.

A vendedora de picolés paulista Raquel Prestes, 35, mora no Jardim Esperança e vê na medida do governo a chance de regularizar a própria situação. Ela diz que acha natural até mesmo a obrigatoriedade de virar uma microempreendedora individual (MEI) e ter que pagar impostos.

– Isso é normal. Em São Paulo todo ambulante paga para ter o seu espaço – resume.

Mas há quem fique desconfiado. O vendedor de cocadas João Teixeira, 40, atua na esquina das Ruas Francisco Mendes e Tamoios e reclama da baderna no espaço. Ele pede mais organização da Prefeitura.

– O recadastramento pode ser bom, mas tem que se escolher a dedo. No fim de semana tem muita bagunça aqui, ninguém dorme e a nossa venda acaba. Se recadastrar e continuar a mesma coisa, não adianta.

Outros acreditam que existem mais prioridades, como a vendedora de açaí argentina Marina Vera, de 33 anos.

– Deveriam focar em coisas mais importantes para o Turismo como a colocação de lixeiras, de banheiros e chuveiro. Não acho que deveria haver prioridade porque muitos cabofrienses não querem trabalhar na areia e quem é de fora é que acaba fazendo o serviço – alega.