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Alunos e pais encontram na Apae incentivo e novas  perspectivas

Apae abraça 280 assistidos, além de ter ampliado o serviço para Tamoios, no Segundo Distrito

07 agosto 2014 - 14h47Por Texto e foto: Nicia Carvalho
 Alunos e pais encontram na Apae incentivo e novas  perspectivas

Encarar a vida sob novos parâmetros a partir de um acontecimento inesperado. Assim, pode-se dizer, começou a história da Apae de Cabo Frio, há 30 anos. Após muitas idas e vindas para acompanhamento em Niterói, duas mães com filhos com necessidades especiais, e que não tinham como tratá-los na cidade, perceberam que precisavam mudar a realidade do município. Assim começaram as atividades da instituição, na casa de uma delas. Trinta anos depois, a Apae abraça 280 assistidos, além de ter ampliado o serviço para Tamoios, no Segundo Distrito, com 73 alunos. Tudo costurado pelo fio do apoio, incentivo e experiências pessoais de quem trabalha ou já precisou dos serviços da entidade.

Essas histórias, muitas vezes, se misturam com a da vida pessoal. Um exemplo é Junior Ataíde, 38, filho de uma das pioneiras, e que motivou a mãe, Maria Helena da Silva Ataíde, a começar o movimento apaeano. Hoje, passou de assistido (ele tem paralisia cerebral) a funcionário. Atualmente, Juninho, como é carinhosamente chamado por todos na instituição, é responsável pela parte de elaboração de projetos e também formado em Filosofia. A deficiência, no entanto, não parece atrapalhar as atividades que desenvolve. Sempre atento, soube responder a algumas das perguntas que eram feitas para a presidente da Apae, Kely Cristina Oliveira Soares, 46.

A experiência pessoal, aliás, foi o que também motivou Kely Cristina ao trabalho com especiais.  Ela tem um filho de seis anos, Lucas Soares, com síndrome de Down, que é atendido na instituição.

– Nossa perspectiva muda quando somos confrontados com algo inesperado, fora do comum. Mudou a minha vida. Pequenas conquistas se tornam motivos de muita felicidade – contou.

Junto com as duas primeiras mães, Joelma Fidalgo figura entre os personagens que tiveram participação fundamental no desenvolvimento e consolidação da Apae, não só na região mas no estado do Rio.

– Ela foi muito importante para todo o movimento apaeano, é uma lutadora – afirmou Kely Cristina.

Aprender o valor das atividades cotidianas

Busca por certa autonomia e aprendizado são a mola propulsora das atividades da Apae para inclusão da pessoa com algum tipo de deficiência, segundo Kely. E as pequenas conquistas entram neste âmbito. Tomar banho, comer e ir ao banheiro sozinho, por exemplo. Aprender a andar na rua, ir a supermercados, interagir com outras pessoas. Todos esses ganhos passam pelas atividades de desenvolvimento com terapias feitas com danças, teatro, música, artesanato, culinária, além daquelas do cotidiano.

– Vira um novo parâmetro de felicidade, do que te motiva – contou, acrescentando que a instituição também tem parceria com o SUS para atendimentos na área de saúde.

Dentre as deficiências atendidas na Apae, as mais frequentes são paralisia cerebral, síndrome de Down e autismo, que tem vários graus, entre outros. Os autistas somam 66 alunos na entidade, mesmo número com síndrome de Down.

A fisioterapeuta Adriana Moraes, 43, conta com o apoio da entidade para o desenvolvimento da filha Manuela Moraes Vasques, de apenas 2 anos. Desde os cinco meses, a menina frequenta a Apae. A mãe descobriu, ainda na barriga, que a filha tinha síndrome de Down.

– Fiquei ansiosa quando descobri porque não sabia o que iria encontrar pela frente. Mas temos incentivo aqui, orientação sobre como lidar com isso. Ela é bem atendida. Minha filha é tudo de bom. Não senti repúdio – declarou Adriana, enquanto a menina praticava estimulação precoce.

Quando um professor faz a diferença

Dois meses. Esse foi o tempo que levou para que a música voltasse a reverberar pelas paredes do Ginásio Esportivo Apeano e da instituição. O espaço era o principal local de atividade do professor de educação física João Trajano, executado na noite de 6 de junho com cinco tiros, no Jardim Caiçara, quando saía da academia em que dava aula. Trajano, como era conhecido, dava aulas há 15 anos na Apae, além de interpretar o Palhaço Pipoco para divertir as crianças.

– A casa era a alegria dele. Ele fazia a diferença porque sabia compreender a alma do deficiente, conseguia dialogar com quem não fala, que são os paralisados cerebrais. Ele tinha um valor muito grande para gente. Ele amava o que fazia – contou Kely Cristina.

Reputação sólida versus pouco espaço

Os bons serviços prestados pela Apae ao longo dos anos tem atraído cada vez mais pais e mães em busca de atendimento para os  filhos. Toda semana, a entidade faz duas avaliações de crianças  para entrada na unidade e recebe, em média, quatro pacientes. Tanta procura, no entanto, causa dois problemas: a falta de espaço e de profissionais para atender todo mundo. A fila de espera já alcança cerca de 30 crianças.

 – Nossa dificuldade começa a ser o espaço. O fato é que precisamos de outra sede e de mais profissionais – contou.

Atualmente, a Apae realiza atendimento, em cada área de terapia (fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, entre outros) de 30 minutos uma vez por semana, mas a meta e aumentar o tempo, 40 minutos, e a periodicidade, duas vezes semanais.

– Ainda não fizemos isso porque não temos salas suficientes e muita gente ficaria de fora. Não deixamos de atender ninguém, mas poderia ser um serviço com mais qualidade – ponderou a presidente da Apae.

Parcerias –O apoio para o desenvolvimento do trabalho é dividido entre algumas instituições e a sociedade civil. A Apae conta hoje com apoio da Prefeitura de Cabo Frio,  na cessão de funcionários, que hoje somam 80 na região central de Cabo Frio e 18 em Tamoios. Já a Fundação para a Infância e Adolescência (FIA) entra com recursos financeiros e o SUS financia os atendimentos da área de saúde.  Com a parceria da Ampla, concessionária de energia da região, doações feitas diretamente na conta de luz são direcionadas para a instituição. Através desta verba, por exemplo, a unidade conseguiu comprar a kombi que transporta os alunos em eventos e atividades da instituição. Segundo Kely a justiça também é parceira da instituição, com cessão de cestas básicas e serviços comunitários.

– Recebemos ajuda, é fundamental para o nosso trabalho. Muitos comerciantes e moradores também colaboram. Sem contar as doações de campanhas que as pessoas fazem, geralmente de alimentos – contou. Incentivo, esse, que é estimulado e passado adiante!