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Alerta vermelho: a falência múltipla do Estado

Arrecadação despenca e Rio enfrenta desafios na Saúde e na Educação

30 abril 2016 - 10h28
Alerta vermelho: a falência múltipla do Estado

FILIPE RANGEL

 

Quando o extrato bancário mensal do Estado do Rio de Janeiro apontou, em março de 2014, depósito de R$ 278,8 milhões, parecia não haver limites para o crescimento da arrecadação com royalties do petróleo, que havia saltado 46% em relação ao mesmo período de 2011 (R$ 190,9 milhões). Mas aquele era, na verdade, o topo da montanha-russa que é construída até os dias de hoje. De lá para cá, a trilha foi ladeira abaixo. O último repasse, feito em março deste ano, é de R$ 124 milhões, o que representa redução de 65% quando comparado ao período dourado de dois anos atrás e um retrocesso até em relação a 2011. O impacto dos números é traduzido para o dia a dia na deficiência dos serviços públicos: UPAs inoperantes, escolas ocupadas e tantos outros órgãos, como o Judiciário, em estado de greve.

– São horas esperando para ser atendido, porque o hospital está simplesmente lotado. Prati- camente só esse está funcionan- do direito na cidade – reclamou a aposentada Leila Barros, 68, que acompanhava o atendimento do neto no Hospital Santa Izabel. Leila e seus familiares precisaram recorrer à rede privada de Saúde pois, segundo ela, “a rede púbica está abandonada”. 

Por rede pública entende-se, em Cabo Frio, o Hospital Central de Emergências (HCE), em São Cristóvão, o Otime Cardoso, no Jardim Esperança – ambos de administração municipal –, e as UPAs dos dois distritos, construídas pelo Estado e geridas pelo município. Enquanto as unidades estão praticamente fechadas, os outros dois hospitais andam mal das pernas, com funcionamento prejudicado – faltam médicos, especialistas, insumos e equipamentos, segundo médicos, enfermeiros e pacientes. As contas que eram pagas no passado, hoje estão pendentes. Por conta de uma dívida, a terceirizada que geria a UPA de São Pedro devolverá a administração ao município, que, por sua vez, não sabe o que fazer. Os números voltam a explicar a deficiência do Estado em cumprir os repasses e pagamentos às cidades.

 

*Leia a matéria completa na edição impressa da Folha deste fim de semana.