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A pesquisa como fonte do design: Julio Matos fala sobre criação gráfica de 'Pelas Barbas do Babade'

Obra da autora Eloisa Campos, lançada pela Sophia Editora, tem projeto gráfico inspirado no construtivismo russo

19 setembro 2021 - 17h17Por Redação
A pesquisa como fonte do design: Julio Matos fala sobre criação gráfica de 'Pelas Barbas do Babade'

Diálogo, leitura, pesquisa e um bocado de criatividade. Tudo isso faz parte dos processos de publicação de um livro. Julio Matos, designer responsável pelos projetos gráficos da Sophia Editora, detalha nesta entrevista as etapas de produção de “Pelas barbas do Babade – as histórias de um lendário professor”, da autora Eloisa Campos.

A obra está à venda no site da editora (www.sophiaeditora.com.br).

Folha dos Lagos – Como foi o processo criativo e de pesquisa para elaboração do projeto gráfico?

Julio Matos –  Como disse Mário Fioretti, um designer de produto, que sou apaixonado pelo trabalho:  “Design é a capacidade de resolver um problema e, mais que isso, gerar encantamento”. Levo essa frase comigo antes de todo começo de trabalho. E separo em dois principais pilares, em termos de solução de problemas, análise e síntese: análise, resumidamente, que é o entendimento do briefing e seu contexto/conceito; e síntese, que é como consigo interpretar a pesquisa e traduzir, nesse caso, no livro do Babade. O começo do processo criativo/pesquisa é sempre um papo com o coordenador editorial, uma leitura prévia do livro e um entendimento dos conceitos a seguir. Tratando-se deste livro, digo que foi um processo criativo muito tranquilo. Babade é uma figura folclórica de Cabo Frio.

Folha – Quais foram as inspirações e principais referências para o design?

Julio – Acabamos escolhendo uma linha de design baseada no construtivismo russo, que é um movimento estético-político, iniciado em meados de 1913. Riquíssimo em formas, cores vivas, fontes e tem como premissa a arte “não-pura”, em que o artista não é um ser especial e tudo é fonte de pesquisa e trabalho. Tem como artistas principais Liubov Popova e Lazar Lissitzky. Movimento esse que é antagônico ao formalista, baseado na ausência de premeditação no trabalho, em busca de “emoção estética”. O livro fala de um movimento de “Moscouzinho” a Moscou (Mouscouzinho era o apelido de Cabo Frio, porque na época existia, na cidade, uma força muito grande do PCB — Partido Comunista Brasileiro — devido ao sindicato dos trabalhadores da Álcalis. Detalhe esse que aprendi na obra (risos). Traduzi, livremente, esse “movimento” com uma customização da fonte principal do livro para que as frases de capítulos e os números, nas aberturas de capítulos, se movimentassem livremente pelas páginas e conferisse um – peço licença a Gal Costa – balancê brasileiro que dei a toda essa estética.

Referências utilizadas no processo de concepção gráfica do livro

 

Folha - Quais foram os principais desafios para pensar o design de uma obra sobre um personagem icônico para a região?

Julio – É muito fácil falar do Babade, né? Sou ex-aluno do Rui Barbosa. Sei que tem toda uma mística por trás da figura dele…A aura Babade... Infelizmente não tive aula com ele, mas sempre o via passando pelos corredores do Rui. Então, tenho uma persona muito bem criada na cabeça através da concepção de outras pessoas e das cenas que observava no colégio. Fui resgatando lembranças daquela época, que foi uma das melhores da minha vida. 

Folha - Como surgiu a ideia da capa e qual técnica adotada para a ilustração?

Julio – A capa é a síntese maior da pesquisa e das referências. Quis trazer bastante essa estética dos posters de propaganda da URSS, compostas por majoritariamente por tipografia e ilustrações nas cores vermelho e amarelo. Fiz uma ilustração, à mão, com pincel e tinta a partir de uma foto do Babade, com a maior referência em uma ilustração clássica de Karl Marx. 

Folha – O livro tem acabamento diferenciado, uma novidade para os lançamentos da editora. Como se deu essa concepção e como foram os processos de produção?

Julio – Trouxe no verso da capa brincadeiras tipográficas com o nome do Babade e o subtítulo do livro. O processo de produção de um livro inclui revisão, preparação de texto, pesquisa, rascunho do projeto gráfico e capa, aprovação com o autor… Depois da diagramação feita e a capa resolvida, o livro vai para o estágio de prova. É nela onde conseguimos vê-lo pronto. Daí partimos para mais uma leitura e análise do que pode melhorar — e sempre há detalhes a se melhorar. 

Julio Matos é designer gráfico nascido no Rio, criado em Cabo Frio, e atualmente mora em São Paulo. Já trabalhou, orgulhosamente, para Folha dos Lagos, Havaianas, Ambev, Museu da Língua Portuguesa, Grupo Soma, Ed Hardy, Ocean Pacific e Von Dutch.

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