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A crônica de vida da dona Tininha em papel jornal

Texto inaugura série de publicações da escritora Viviane de Cássia sobre histórias da vida real

12 novembro 2020 - 10h48Por Redação
A crônica de vida da dona Tininha em papel jornal

A voz surge tímida, em áudio de Whatsapp, numa leitura de crônica publicada na Folha dos Lagos: "Em ano de pandemia, voltou a sonhar, sentiu-se amada. Até aceitou abraço! Olhos azulados, pele clara, cabelos branquinhos. Carinhosamente acolhida em corações sinceros, por ovelhinha. Não há nada que a defina melhor". Jacira da Silva Durães, de 77 anos, moradora das Palmeiras, em Cabo Frio, emociona-se ao ler um pouco da sua história nas páginas do jornal. Foi um presente da sua vizinha, a escritora Viviane de Cássia, que iniciou série de crônicas inspiradas em personagens da vida real. De repente, as vozes se entrelaçam, e as duas começam a ler juntas: "Do amanhecer ao entardecer faz sorrir os que estão ao seu redor. Reclama do vento como ninguém, mas aprecia um cafezinho".

Foi assim, de cafezinho em cafezinho, que Viviane e Jaciara se tornaram amigas. "O café é todas as tardes e todas as manhãs", diverte-se a "ovelhinha", que também é conhecida como "Tininha", num breve bate-papo gravado pela escritora para esta matéria. "Café é todo dia, né, Tininha?", pergunta Viviane. A resposta vem adocicada com afeto e risada generosa : "Ah, Vivi, só você mesmo". Ao falar sobre seu sentimento ao ler o jornal, dona Tininha mais uma vez agradeceu à amiga. "Eu me senti uma pessoa maravilhosa. Encantada pela grande amiga que tenho. Agradeço a Deus e depois a ela, que pensou em mim".

Viviane conta que os laços se fortaleceram durante a pandemia. "Nós moramos no mesmo condomínio. Digo sempre que temos que cuidar. Não a deixamos sair. Ela fala que meu filho é neto dela. E eu a chamo de ovelhinha. Meu filho ia à padaria e à farmácia para ela. E ela tomava café na minha casa todos os dias. Nessas conversas, me surgiu a ideia de arrancar sorrisos de pessoas que têm histórias para contar. Histórias da vida real."

Leia abaixo a crônica de Viviane de Cássia:

"Era manhã, e o sol despontava à montanha, enquanto a cidade adormecida, sonhava. Era um bom dia afirmando o anseio do instante, que se perpetuasse às horas vindouras. 

Tininha sorria com toda a face, olhar expressivo de quem aguardava o café. A noite havia sido tranquila, e o anseio de compartilhar as histórias de outrora, era gigantesco. Exercício de se perceber, mantendo a mente cansada, ativa, no clamor matinal por vida. Essa mania que a alma tem de se apegar a estruturas reconstruídas; Ausência das filhas, perdas, brincadeiras cotidianas... Ora preocupação, ora sigamos todos. Tinha que ser a Tininha. Em ano de pandemia voltou a sonhar, sentiu-se amada. 

Até aceitou abraço! Olhos azulados, pele clara, cabelos branquinhos. Carinhosamente acolhida em corações sinceros, por ovelhinha. Não há nada que a defina melhor. Ovelhinha que silencia a dor sentida, essencialmente ser que clama o desconforto, mas como tantos, simplesmente segue. 

Do amanhecer ao entardecer faz sorrir os que estão ao seu redor. Reclama do vento como ninguém, mas aprecia um cafezinho. Varre as folhas secas caídas ao chão, reclamando as pitangas da época. Até adotou um neto, e aprendeu a sorrir com a boa ideia. Neto do coração. Ensina, mas se permite aprender. Fala, e como fala, mas sabe ouvir como ninguém. 

Ser precioso dos dias cabofrienses, com registro carioca, lembranças da Serra e memória impecável. Como alguém que alimenta sorrisos a cada manhã, pode guardar por 76 anos a ausência de uma festa de aniversário? Quem a ama não pensou duas vezes ao escutar, e carinhosamente cantou a singela canção memorável, repetida, parodiada, parabéns para você. O esperado 7.7 foi assim. Com sorrisos, balões, salgados, bolo, parabéns, e histórias para contar. 

Olhando seus cabelos brancos, seu sorriso, suas emoções externadas, nos resta silenciar à virtude do tempo, da imersão, da troca, da paz de amanhecer cada dia exalando o privilégio de seguir vivendo."

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