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MEMÓRIA

O dia em que o Tamoyo deu sufoco em um campeão do mundo no Correão

Há 35 anos, o Grêmio (RS) fazia minitemporada em Cabo Frio; no elenco, o argentino Alejandro Sabella, morto na última terça (8)

12 dezembro 2020 - 10h00Por Rodrigo Branco

Não fazia nem dois anos que aquele esquadrão vestido de azul, preto e branco havia alcançado o topo do mundo do futebol ao derrotar os atônitos alemães do Hamburgo, no Estádio Nacional de Tóquio. Pois no ensolarado inverno cabo-friense de 1985, para a incredulidade de muitos, cá estava o time do Grêmio de Futebol Porto-Alegrense para a disputa de um amistoso contra o Tamoyo Esporte Clube, em preparação para a disputa de um torneio na Holanda. 

Nada de time misto. Os gaúchos entraram em campo com o que tinham de melhor à época, o que significava uma escalação cuja base havia ganhado tudo dois anos antes, com o goleiro Mazarópi, o lateral Casemiro, o zagueiro Baidek, o meia Osvaldo e o jovem e impetuoso ponta Renato Portaluppi, hoje técnico do Imortal Tricolor. O time mesclava medalhões com jovens valores, como os apoiadores Paulo Bonamigo e Valdo, que compunham o meio-campo com o argentino Alejandro Sabella, morto na última terça-feira (8), por complicações de uma cirurgia cardíaca, aos 66 anos. 

Meia de habilidade, da escola argentina que revelou craques como Di Stefano, Brindisi, Norberto Alonso, Bochini e o também recentemente falecido Diego Maradona, Sabella se notabilizou como técnico dos Estudiantes, campeão da Taça Libertadores em 2009 sobre o Cruzeiro, e vice da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, ao perder para a Alemanha na final do Maracanã.

Sabella desfilou categoria pelo gramado do Correão que, se não tinha o glamour ou a modernidade do estádio japonês, foi o palco de uma partida muito mais disputada que poderia se supor inicialmente. Em valente atuação, o Tamoyo resistiu até os 39 minutos do segundo tempo, quando em jogada do argentino, Osvaldo marcou o gol único da partida, disputada com ares de decisão de Mundial pelos aguerridos jogadores cabo-frienses.

Responsável por trazer o time gaúcho a Cabo Frio, o empresário e ambientalista Ernesto Galiotto lembra com detalhes da ocasião. Renato, Sabella e companhia ficaram hospedados no Hotel Malibu, na Praia do Forte, durante todos os cinco dias da estada na Região dos Lagos. Galiotto desfrutava de prestígio junto à diretoria gremista desde que o clube conquistara a Libertadores de 1983. O empresário e patrocinador do time do Tamoyo conta que, à época, chegou a atuar como chefe da delegação e relações públicas do Tricolor Gaúcho. Nos bastidores, era chamado de ‘Cabo Frio’.

Galiotto relembra que, no intervalo da partida histórica do Correão, chegou a ser interpelado pelo renomado técnico gremista Rubens Minelli, por causa da dificuldade imposta pelo time da casa.

– Cheguei no vestiário e o Minelli virou pra mim e disse: “O que vocês arrumaram pra gente? Os caras estão jogando tudo”. Respondi pra ele: “Eu avisei. Fala pra eles jogarem como se fosse contra o Juventude de Caxias do Sul” – relembra, aos risos, em referência aos duros embates contra as equipes menores do interior dos Pampas. 

A partida e a minitemporada gremista em Cabo Frio também foram inesquecíveis para o ex-preparador de goleiros da Cabofriense e servidor municipal Marcelo Santos que, à época, era um adolescente de 13 anos. Além da novidade que foi ver grandes craques atuando bem à sua frente, Marcelão assistiu ao jogo-treino com muito interesse por razões familiares, já que seus tios, o zagueiro Luiz Carlos Marins e o atacante Lenílson, pai do centroavante André (ex-Vasco e Santos), entraram em campo pelo time cabo-friense, que disputou a Terceira Divisão do Campeonato Carioca daquele ano.

Apesar de tantas atrações, Marcelão diz qual foi a recordação  mais marcante que teve da passagem dos gaúchos pela região. 

–O que ficou mais marcado pra mim não foi nem o jogo. Na terça-feira [após a partida disputada em um domingo], eles foram treinar em Arraial, no Barcelão. E lá a gente ficou pertinho dos caras, dentro do campo. Depois do treino, fiquei pegando bola para os caras [os goleiros Mazaropi e Beto]. Não tinha treinador de goleiros e quem chutava era o Minelli e o Gilberto Tim [preparador físico]. Duas lendas do futebol. E eu ali, atrás do gol, de gandula – recorda.

A passagem por Cabo Frio também marcou os gremistas, inclusive Sabella, que voltou à cidade, anos depois, de férias com a família.

– Fizemos uma amizade.  Ontem [terça], quando soube da notícia [da morte de Sabella], eu fiquei muito triste. Em 2014, durante a Copa, quando fui ao Rio visitar a delegação e o encontrei. Ele me recebeu muito bem. À época, a esposa dele ficou amiga da minha falecida esposa. Assim como eu fiz com outros jogadores, como o Baidek, que passou a lua de mel e outros jogadores também voltaram. Foi uma coisa sensacional. A relação Cabo Frio e Grêmio está marcada na história – finalizou Galiotto.

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