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museu do surfe

Na onda da História e da tradição em Cabo Frio

Fechado desde 2013, Museu do Surfe reabre em grande estilo no Shopping Park Lagos 

30 janeiro 2016 - 10h55
Na onda da História e da tradição em Cabo Frio

GABRIEL TINOCO

 

O Museu do Surfe remou bastante, saiu lá da porta do teatro em 2013, esperou a onda, tomou uma rabeirada, mas pegou um tubo nesta semana e foi parar na Lagoa das Palmeiras, mais exatamente no Shopping Park Lagos. O maior acervo do esporte de toda América Latina, do colecionador Telmo Moraes, traz mais de mil relíquias históricas entre pranchas, quilhas, equipamentos e carros antigos.

Antigamente, a casa de Telmo era uma espécie de templo do surfe. As relíquias foram preservadas carinhosamente a espera de uma exposição desde 2013, época em que o espaço fechou as portas por falta de diálogo com a Secretaria de Cultura.

O caminho do museu é como pegar um tubo pela história do surfe, observar no espelho cristalino da água a trajetória cronológica do esporte, dos primórdios aos dias atuais, ver da crista as ondas das evoluções do surfe, cíclicas como o mar.

A exposição traz consigo toda a energia do esporte, ou melhor, do estilo de vida anárquico, positivo, dos surfistas, com um vasto repertório de gírias e materiais praianos... sem se esquecer das raridades: uma prancha do havaiano Michael Ho, vencedor da etapa de Pipeline de 1982, compõe ao melhor estilo o cenário de lendas do surfe. A peça foi especialmente construída por outro nome não menos importante da história das ondas: o australiano Simon Anderson, o primeiro a desenhar pranchas com três quilhas, em 1981, até hoje utilizadas no mundo inteiro. Inventor da modalidade conquistada pelo brasileiro Adriano de Souza, o ‘Mineirinho’, no ano passado, numa das cristas do surfe nacional.

Mais uma raridade de deixar boquiaberto aqueles que se aventuram pelas ondas é a prancha mais antiga do acervo, esculpida em 1964, ano em que as primeiras pranchas de fibra de vidro desembarcaram no país. Além disso, uma réplica de 1920 de uma prancha ‘Alaia’ feita pelo historiador do surf Wagner Cataldo, colaborador do museu. Entre as relíquias, pranchões para ondas gigantes, como a usada pelo famoso californiano Jeff Clark, fecham com a arrebentação do novo ‘pico’ cabofriense.

Quem não esconde a felicidade é o cabofriense Victor Ribas, que já brigou para ser o melhor do planeta. À Folha, o surfista ressaltou a importância do museu e cobrou mais união dos atletas na cidade.

– É importantíssimo. É o único que conheço com espaço fixo. O que gosto do museu do Telmo é que vai bem além da história de Cabo Frio. Além de ser mais uma atração turística, para uma cidade movida por esse mercado, conhecida pela beleza das praias.

Victor enxerga além do horizonte da Praia do Forte. O surfista pede por uma associação forte e mais profissionalismo.

– Há a cultura do surfe em Cabo Frio, mas estamos desunidos. Veja bem, não falo de rivalidade. O surfe não tem uma associação forte ou uma preparação de base em Cabo Frio. 

 

*Foto: Ricardo Altoé