Assine Já
sexta, 13 de dezembro de 2019
Região dos Lagos
28ºmax
20ºmin
Apartamento
AP REC BANNER
Copa

Na Fun Fest, calor, sofrimento e alívio nas mãos de Júlio César

Depois de 120 minutos de tensão, Brasil bate Chile nos pênaltis e incendeia público nas areias da Praia Grande

29 junho 2014 - 00h21
Na Fun Fest, calor, sofrimento e alívio nas mãos de Júlio César

A festa estava montada, mas esqueceram-se de avisar o convidado. Em partida duríssima, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira venceu o Chile, nos pênaltis por 3x2, após empate por 1x1 no tempo normal. O resultado aconteceu graças à brilhante atuação do herói do jogo, o goleiro Júlio César, durante a disputa dos tiros livres, ao defender dois deles. Mas até o desfecho, mais de 120 minutos depois do apito inicial do inglês Howard Webb, o que se viu na lotada arena da Hexa Fun Fest, na Praia Grande, em Arraial do Cabo, foram inúmeras reações nervosas de dezenas de torcedores. Enquanto muitos xingavam e se desesperavam; outros, mais contidos, apenas roíam as unhas.

Se a situação já era tensa no início da partida, ela ficou pior com uma pane no telão que durou somente alguns minutos, mas suficientes para alguns protestos e vaias, misturadas àquelas destinadas ao desempenho irregular do próprio time, que não se encontrava em campo, mostrando velhos defeitos, como a falta de criatividade no meio campo. Problema técnico superado, o público veio abaixo pela primeira vez aos 18 minutos, após David Luiz escorar toque de cabeça de Thiago Silva em cobrança de escanteio. Brasil 1x0. Festa em Belo Horizonte, local da partida; em Arraial do Cabo e em todo o país.

Pela primeira vez ­– e será a única – a Seleção atuou no início da tarde e o reflexo era o forte calor, amenizado pelo fato de o evento ser realizado à beira-mar. Enquanto o público fervia nas areias, a temperatura subia no Mineirão, onde o valente Chile tinha mais posse de bola e volume de jogo, em busca do empate, que veio aos 32, após bobeira geral na zaga brasileira. Marcelo cobrou mal um lateral e Hulk entregou a bola nos pés do chileno Vargas, que achou Alexis Sanchez livre entre a zaga para bater cruzado, sem chances para Júlio César.

A euforia virou desolação que, com o passar dos minutos, transformou-se em irritação. Fred, Daniel Alves e Oscar eram os alvos principais da ira da torcida cabista. O atacante do Fluminense era criticado a cada bola perdida. “Tira ele, Felipão!”, ganhou ares de coro. Os sucessivos erros de passe levavam o público à loucura. O final do primeiro tempo foi recebido com alívio.

Em meio ao mar amarelo que dominava a arena, destacava-se uma torcedora que, empolgada, se esbaldava enquanto o DJ enfileirava sucessos radiofônicos nas carrapetas. A chilena de Santiago, Maria Soledad Llorente, moradora de Cabo Frio, formava o “exército de uma mulher só” na multidão, mas nem por isso se mostrava intimidada. Pelo contrário, esbanjava confiança.

– Quero que o Chile ganhe e faça história. E vai ganhar. Até sinto-me brasileira também, mas em primeiro lugar, sou chilena. De qualquer forma, quero que ganhe a América do Sul ­–  disse ela, que arriscou o placar final de 3x1 para seus compatriotas.

No segundo tempo, o panorama pouco se modificou. Desorganizado, o Brasil só ameaçava na base do “abafa”, enquanto o Chile apenas especulava, à espera do bote fatal. Entraram Jô e Ramires, nos lugares de Fred e Fernandinho, respectivamente, mas sem efeito. Assim como no estádio, na Fun Fest, o barulho se tornou silêncio. Havia fisionomias graves e testas franzidas, do lado brasileiro, enquanto Maria Soledad gritava e agitava a bandeira da nação andina. Ruído só para xingar o juiz, que anulou acertadamente um gol de Hulk ao dominar uma bola com o braço. Um chute no travessão de Sanchez, no final do tempo normal, levou à boca o coração da torcida.

Na prorrogação, não houve jogo. O Brasil insistia enquanto o adversário parecia satisfeito com os pênaltis. “Chile é um time nojento, muito diferente dos últimos anos”, observou Eduardo Simas. A igualdade persistiu e, pela primeira vez desde 1998, na Copa da França, os brasileiros decidiriam sua sorte na marca do cal. David Luiz e Marcelo colocaram o Brasil em vantagem, mas Hulk e Willian perderam suas cobranças. Os chilenos empataram com Aranguiz e Diaz, para desespero dos cabistas. Quando o zagueiro Jara mandou a bola na trave, um misto de festa e alívio tomou conta das escaldantes areias da Praia Grande. Para todos, ficou a impressão que será preciso muito mais para a conquista do sonhado hexa. Inclusive, novos exames cardíacos.

– Eu tô passando mal, mas com certeza vou agüentar até o final da Copa. Já estou acostumado – comentou o rubro-negro Flávio Carvalho.

Evento – Pela estimativa dos organizadores, cerca de 4.500 torcedores foram à arena, mas, apesar do calor e da alta carga dramática, o número de atendimentos de emergência não chegou a dez, segundo a responsável pelo setor médico, Gleisi Magarão. O secretário municipal de Governo, Comunicação e Eventos, Walter Lúcio Tê, avaliou positivamente o evento, que vai até 13 de julho, data da final do Mundial.

– Está sendo um sucesso. Conseguimos fazer um evento que está agradando tanto os moradores como os turistas, com muita segurança. É um projeto que está dando certo e está alcançando seu objetivo maior que é divulgar Arraial do Cabo para o Brasil e o mundo – declarou.

Apesar de a maior parte do público ter aprovado as instalações, houve reclamações sobre o preço de alguns produtos – a cerveja em lata, por exemplo, era vendida a cinco reais – e a insuficiência de banheiros químicos.