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Higuita: de Cabo Frio para a Copa do Mundo de Futsal

Goleiro revelado nas quadras da cidade fala do sonho de defender o Cazaquistão na competição

20 setembro 2016 - 13h28Por Gabriel Tinoco
Higuita: de Cabo Frio para a Copa do Mundo de Futsal

Quando aquele jovem cabeludo protagonizava milagres pelas quadras do Cabo Frio, todo mundo dizia: esse menino vai longe. Mas ninguém sabia o quanto. Hoje, Leonardo de Melo Vieira Leite, aos 30 anos, responde pelo apelido de Léo Higuita e carrega no nome o título de melhor goleiro do planeta. Ele estará na terra do folclórico ídolo René Higuita, a Colômbia, para disputar a Copa do Mundo de Futsal, defendendo o Cazaquistão, país onde atua no forte time do Kairat, atual vice-campeão mundial de clubes. Em entrevista à Folha, Higuita descarta um favoritismo cazaque, revela a ansiedade por um jogo contra a Seleção Brasileira e garante: vai tentar encontrar o ídolo e xará colombiano.

Classificado para a fase eliminatória, o Cazaquistão de Higuita enfrenta a poderosa Espanha, uma das favoritas ao título. O jogo acontecerá nesta quarta-feira (21).

Folha dos Lagos – Qual o maior adversário nesta Copa do Mundo?

Léo Higuita – São muitas seleções qualificadas. Temos adversários duríssimos. Não podemos cravar qual é o mais forte. Temos que pensar nos primeiros adversários, que, por sinal, são bem fortes.

Folha – Como seria um confronto contra o Brasil?

Higuita – Será muito especial. É a minha pátria de nascimento, o país que me deu o futebol. Será um prazer. Entrarei para dar o meu máximo, mas com muito respeito. Com certeza será um dia que vai ser guardado para o resto da vida.

Folha – Qual a expectativa para o Cazaquistão nesta Copa? Como os torcedores estão?

Higuita – A nossa expectativa é a melhor. Mas com os pés no chão. Sabemos que têm outras seleções favoritas. Os torcedores estão conosco. Todos vêm nos apoiando muito e mandando bastante energia positiva. O país vai parar para ver o futsal.

Folha – Como vê a atual geração brasileira de futsal?

Higuita – É uma geração de craques. O Brasil é assim. Nunca vai existir uma safra limitada no país. Esse time tem totais condições de ser campeão mundial novamente.

Folha – O número de brasileiros naturalizados é um fator determinante para o crescimento do futsal no Cazaquistão?

Higuita – Vejo como uma ajuda. Isso porque são apenas 3 naturalizados. Os jogadores locais têm muita qualidade. Nós , naturalizados, chegamos apenas para somar. Vejo o crescimento técnico desses jogadores locais de perto. O crescimento do futsal no Cazaquistão também se deve muito ao nosso treinador brasileiro Cacau. Ele implantou uma filosofia de trabalho muito boa, que foi muito bem assimilada pelos jogadores. É um trabalho de 5 anos frente à seleção. O crescimento se deve muito a ele.

Folha – Vai tentar encontrar o René Higuita?

Higuita – Seria um sonho e um prazer conhecê-lo. Ele é um ídolo nacional e um ídolo para mim. Tentarei encontrar, só não sei se vou ter tempo. Mas quero muito ter algum tipo de contato com ele.