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Ex-diretor técnico do comitê paralímpico projeta Brasil entre os cinco primeiros

Kléber Veríssimo aposta nas associações municipais para desenvolvimento da modalidade

11 setembro 2016 - 14h30
Ex-diretor técnico do comitê paralímpico projeta Brasil entre os cinco primeiros

Aos 56 anos, o morador de Cabo Frio Kléber Veríssimo carrega duas décadas da vida dedicadas aos atletas com deficiência. O diretor do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) entre 1995 e 2006 projeta pelo menos a quinta posição para o país nesta edição dos Jogos, que come- çou na última quarta, e aposta nas associações municipais para alavancar a modalidade. Ele também revela uma mágoa com a Prefeitura de Cabo Frio por não ter cumprido um acordo com o comitê.

Folha dos Lagos – Qual a importância das Paralimpíadas?

Kléber Veríssimo – Foi preciso quebrar muitas barreiras para o Brasil ser reconhecido para abrigar um grande evento esportivo. O status de país sede foi uma luta de muitos anos. A nível internacional, o comitê estava inseguro para organizar eventos na América do Sul, porque os países não teriam condi- ções pelas dificuldades estruturais e financeiras.

Folha – O que falta para atrair a atenção de torcedores, mídia e patrocinadores?

Kléber – Divulgação. Só somos vistos nesses grandes jogos. Durante o ano, pouco se fala e se faz para que o esporte para- límpico esteja em outro patamar. Também falta a iniciativa priva- da contribuir. Também é preciso de uma política nacional que privilegie o esporte na base. O que é a base? São as associações municipais. Os governos muni- cipais devem incentivar essas associações para desenvolver novos talentos. Ninguém nasce com alta performance. O atleta vai se desenvolvendo.

Folha – As Paralimpíadas deveriam ser uma modalidade dentro das Olimpíadas?

Kléber – Seria inviável pela quantidade de atletas e de paí- ses. Se as delegações se juntas- sem, ficariam enormes e inviá- veis tanto no transporte externo quanto no interno. Há problemas como hospedagem também. A operacionalização seria mons- truosa. Um exemplo: o transpor- te urbano foi um transtorno nas Olimpíadas. Não há como fazer. Mas os jogos inclusivos podem ser colocados em prática nos eventos nacionais. Os comitês Paralímpico e Olímpico daqui poderiam fazer uma parceria de jogos inclusivos. Os jogos bra- sileiros de natação poderiam ter atletas com ou sem deficiência. A organização caberia a cada instituição nacional de adminis- tração.

Folha – Qual a expectativa para os jogos?

Kléber – A classificação en- tre os cinco primeiros. É plena- mente possível. Se nós levarmos em consideração o nosso país, o clima favorece e a torcida está a nosso favor. Além disso, a Rús- sia, que foi a segunda na última disputa, não poderá participar. E veja bem: em 1996, nos classi- ficamos em 34º; em 2000, em 23º, em 2004, em 14º; em 2008, ficamos em nono; e em 2012, para completar, ficamos em sé- timo. Ou seja, estamos nos apro- ximando. É uma evolução muito grande. O CPB foi fundado em 1995. Foi um divisor de águas. O esporte tomou uma postura muito mais profissional. A crescente na classificação deve muito ao comitê.

Folha – Só ao comitê?

Kléber – Também teve a Lei Agnelo/Piva, que destinou um percentual de 3% das loterias administradas pela Caixa Econômica para dividir entre os comitês Olímpico e Paralímpico. Com isso, pudemos levar os atletas para fases de treinamento. O bolsa atleta também deu melhores condições para o atleta se manter, ter uma alimentação saudável, ganhar equipamentos e, principalmente, se dedicar ex- clusivamente ao esporte. Antes, os jogadores tinham que traba- lhar. Hoje, se dedicam integral- mente.

Folha – Na cidade, há lugar para esse tipo de atleta?

Kléber – Nós criamos o ‘Cabo Frio Na Rota Olímpica e Paralímpica’. Começamos a trabalhar a inscrição da cidade para abrigar delegações anterio- res e nossas instalações foram credenciadas: o Alfredo Barreto, o Vivaldo Barreto, a praia para esportes de areia e a lagoa para os náuticos. Por duas vezes, a cidade apareceu no guia do co- mitê dos Jogos de 2016. Com relação à acessibilidade, fizemos algumas obras. A cidade estava no caminho certo. Fizemos uma reunião com o presidente do CPB, no Malibu, e foi assegurado que o projeto continuaria. O comitê divulgou Cabo Frio. Mas o atual governo não deu prosseguimento como deveria. Por falta de interesse, de profissionais capacitados para tocar o projeto com conhecimento de causa sobre o assunto. O CPB mandou uma carta para a Secretaria de Esportes para comunicar o rompimento de relações com a cidade. Foi uma situação constrangedora. Não vamos ter essa oportunidade nunca mais.