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Em Santiago, jornalista cabofriense Danielle Carvalho fica entre o Brasil e o Chile para o jogo deste sábado

Mesmo o coração dividido, ela admite que torce pela seleção brasileira

28 junho 2014 - 13h11Por Gabriel Tinoco
Em Santiago, jornalista cabofriense Danielle Carvalho fica entre o Brasil e o Chile para o jogo deste sábado

Há seis anos, Danielle Carvalho deixava Cabo Frio para atravessar a Cordilheira dos Andes e encontrar um novo lar. A jornalista, que vive atualmente em Santiago, capital do Chile, não esconde a angústia que sente no confronto de hoje entre seu país atual e a Seleção Brasileira, ás 13h. A partida é válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo e quem perder está eliminado. Ela tem o coração dividido entre as equipes, mas admite a torcida pelo país onde nasceu.

– Confesso que o Chile era o último adversário que queria nas oitavas de final. Os chilenos foram derrotados pelos holandeses e senti uma angústia enorme por conta disso. Nas estatísticas, o Brasil leva uma ampla vantagem sobre ‘La Roja’, que é o apelido da seleção. Estou vibrando bastante com os chilenos. Mas estou torcendo pelo Brasil mesmo com o coração dividido – comenta ela, que era repórter da Folha dos Lagos.

Danielle tem um filho, nascido no Chile, de apenas dois anos. Ela veste o pequeno Thiago religiosamente com a camisa amarelinha nos dias de jogo da Seleção Brasileira. Mas a torcida do menino, que simpatiza com o Universidad do Chile (popular clube de Santiago), hoje é pela seleção da terra natal.

– Sempre coloco a camisa da Seleção Brasileira nele. É como se fosse o segundo time. E também visto a camisa vermelha quando a Seleção Chilena entra em campo. Mas uma exigência do pai vai fazer com que ele vista a camisa do Chile. É justo porque é o país onde nasceu. Ele torce pelo Brasil por minha causa, mas não é a primeira equipe no coração dele– revela a mãe.

Um momento especial deixou o país em festa, na Copa do Mundo deste ano: a vitória por 2 a 0 sobre a poderosa Espanha, na segunda rodada da fase de grupos.

Os chilenos se reuniram em uma grande praça da capital, a Plaza Itália, para comemorar a classificação sobre a atual campeã mundial.

– É como se o Chile tivesse vencido a Copa. Essa vitória deixou os chilenos confiantes e acreditando que esse time pode chegar muito mais longe do que se imaginava. Afinal, eliminamos um time que implantou uma hegemonia no futebol durante muito tempo – diz ela, mais uma vez se incluindo entre os torcedores de ‘La Roja’.

Mesmo diante da tradição do futebol brasileiro, Danielle não demonstra confiança no Brasil. Ela acredita em certo favoritismo do Chile por causa das boas atuações na competição até hoje.

– Sinceramente, comparei os jogos e os adversários, mas vejo um Chile superior. Os chilenos apresentaram um futebol bonito de ver jogar e com muita garra.

É uma equipe compacta e que levou a hinchada (torcida) à loucura... O Brasil não desencantou ainda na competição. Para uma seleção que deseja tanto o sonhado hexacampeonato, está muito abaixo da expectativa.

Mas a vantagem de atuar diante da torcida anima Danielle. No entanto, ela também vê o fator casa como um aumento na ansiedade dos atletas brasileiros.

– É claro que o fato de estar jogando dentro de casa é uma grande vantagem. Mas estar com os torcedores lotando o estádio também é uma grande pressão. A fase de mata-mata exige uma vitória e a ansiedade por fazer um gol deve aumentar bastante. O Chile pode explorar o nervosismo do Brasil para poder sair com a vitória. É um jogo perigoso para os brasileiros – opina.

Segundo ela, um clima de revanche pelo confronto na última edição da Copa do Mundo, quando o Chile saiu derrotado por 3 a 0 e foi eliminado, toma conta das ruas de Santiago.

– Não esquecemos da eliminação na Copa do Mundo de 2010. O sentimento que os chilenos trazem no peito é de revanche. Eles querem devolver a eliminação que sofreram na África do Sul.

O jogador favorito de Danielle na Seleção Chilena é companheiro de clube de Neymar – o atacante Alexis Sánchez joga com o camisa dez brasileiro no Barcelona.

– É um atacante fantástico. Também gosto muito do Gary Medel (zagueiro), que chamam de Pitbull – elogiou.

No ritmo da Copa, Danielle escreveu especialmente para a Folha matéria de como está o clima no Chile (leia aqui).