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Imóveis sofrem desvalorização em Cabo Frio

Preço do metro quadrado de apartamentos e de casas de rua teve queda de 1,2% e 8,5%, respectivamente

07 junho 2018 - 10h43
Imóveis sofrem desvalorização em Cabo Frio

ALEXANDRE FILHO

Cabo Frio é conhecida pelas belas praias e paisa­gens, e por ser uma cidade muito mais pacata do que a capital Rio de Janeiro. Estes atributos trazem a qualidade de vida neces­sária para impulsionar o mercado imobiliário da cidade, que crescia de for­ma constante nos últimos anos. Porém, em 2018, o preço do metro quadrado de apartamentos e casas sofreu queda em relação ao ano anterior. O fenô­meno, segundo profissio­nais do ramo, tem origem na crise do país e no mo­mento político conturba­do, tanto nacional, quanto municipal.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Sindicato de Habitação do Estado do Rio de Janeiro (Secovi), que serão apre­sentados na quarta edição do Cenário do Mercado Imobiliário de Cabo Frio, no período compreendido entre maio de 2017 e maio de 2018, o metro quadra­do dos apartamentos teve variação de -1,2% em mé­dia. Apesar disso, alguns bairros tiveram valoriza­ção, como o Peró (+4,5), Centro(+2,4) e Algodo­al(+0,9). O resto sofreu queda, inclusive a Praia do Forte, que tem o metro quadrado mais caro da ci­dade, que depois de uma desvalorização de -1,7%, passa a valer R$ 10.051.

De acordo com Wag­ner Lucas, da Consultoria Imobiliária Empresarial, o fenômeno tem origem na crise em âmbito nacio­nal, estadual e municipal. Além disso, o clima polí­tico instável também atra­palha e cria uma “bola de neve negativa” para o mer­cado imobiliário.

– Acho que essa queda se deve a crise do país, do estado e também do muni­cípio. Estamos passando por problemas de infra-es­trutura, de política e de segurança. De uma certa maneira, isso tem afetado um pouco o comércio de apartamentos e casas. Essa questão toda da cidade não estar em bom momento político, em termos de in­vestimento e rentabilida­de de negócios ligados ao comércio em geral, acaba acarretando essa desvalo­rização dos imóveis resi­denciais. É uma bola de neve negativa – disse ele, que vê uma mudança sig­nificativa nos preços dos imóveis por conta da des­valorização.

Assim como os aparta­mentos, as casas de rua, que no ano passado chega­ram a valorizar 5%, neste ano tiveram uma redução no preço do metro qua­drado de 8,5% em média. Apesar disso, o Novo Por­tinho, bairro situado nos arredores do Shopping Park Lagos, teve valoriza­ção de 8,2% no metro qua­drado, que de R$ 4.702, passou a valer R$ 5.088. No mesmo período, o bairro do Foguete, conhe­cido pelas casas à beira mar, também se valorizou em 3,6%, passando a valer R$ 4.387.

Patrícia Cardinot, em­presária do ramo imobili­ário, também vê influência da crise e do momento po­lítico nos números do mer­cado cabofrienses de imó­veis. Apesar disso, a queda em ambos os segmentos, tanto de apartamentos quanto de casas, segundo ela, pode representar um aquecimento nas vendas.

– As vendas vão aque­cer, porque tem muita gente que está abaixan­do os preços por conta do momento que estamos passando. As pessoas aqui valorizavam muito o me­tro quadrado, que estava um exagero. Temos que tomar cuidado com as avaliações, que têm que ser feitas por imobiliárias registradas. O cliente não pode vender sem saber o real valor que o seu imó­vel tem, para não ficar como ele parado por mui­to tempo. Os lançamentos estão tendo uma aquecida, com certeza, já os imóveis avulsos, aqueles usados, esses ainda estão mais pa­rados – explicou.

O conselheiro efetivo do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-RJ), Jorge Murillo, discorda do pensamento dos dois colegas do ramo, e afirma que a queda atu­al é insignificativa e não representará mudanças nos preços, e conseqüente aquecimento do merca­do. Para ele, é necessário que haja uma queda maior para que o mercado saia da atual estagnação.

– Na verdade o que eu sinto é que essa é uma queda muito pequena, irri­sória. A queda deveria ser maior, para que as vendas voltassem a aquecer, por­que o pessoal está fora da realidade e os preços estão muito altos. As pessoas ao invés de abaixar os va­lores, estão aumentando. Apenas 1% não significa nada. O mercado está pa­ralisado, estagnado, an­dando de lado, porque os corretores não sabem tra­balhar o vendedor – decla­rou.

Cidades da Região dos Lagos têm alta

Apesar de ser a cidade mais conhecida e visita­da da Região dos Lagos, ainda assim Cabo Frio não tem o metro quadrado mais caro da região. Ainda de acordo com os dados divulgados pelo Secovi, este posto é ocupado por Arraial do Cabo, que teve desde o ano passado teve valorização em seus apar­tamentos de 5,8% e nas casas de 11,8%. O preço do metro quadrado na re­gião é de R$ 6.806 para os apartamentos e R$ 4.025 para as casas.

Em Saquarema, o cená­rio também é diferente do visto em Cabo Frio, mas os preços são mais acessí­veis. Na Capital do Surfe, o valor médio do metro quadrado de apartamentos subiu 11%, enquanto o de casas aumentou expressi­vos 13,3%. Ainda assim, os valores do metro qua­drado dos apartamentos (R$ 3.507) e casas (R$ 2.729) se mantém mais baixos e acessíveis do que a maioria das cidades da Região dos Lagos.

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