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Livro

Ykenga lança livro “Casa Grande & Sem Sala”, em Cabo Frio

Cartunista faz noite de autógrafos no Teatro Municipal nesta sexta-feira (16)

16 outubro 2015 - 09h53Por Gabriel Tinoco

Ykenga, de certo, é um nome estranho, mas não é um estranho nome para os brasileiros. Na África, significa um fenômeno que deixa animais agitados. No Brasil, é sinô­nimo de um ácido bom humor jor­nalístico. Desse modo, o cartunista e chargista menos conhecido como José Bonifácio de Mattos participa do Festival de Curtas de Cabo Frio, que acontece no Teatro Munici­pal, na noite de hoje, às 20h, com entrada gratuita. Durante o evento, ele autografa seu mais novo livro, “Casa Grande & Sem Sala”, pela editora Nitpress.

Pelo visto, os chargistas são bem unidos. Prova disso é que o prefácio fica na conta do colega de profissão, ­Chico Caruso — de ‘O Globo’. A obra reúne dezenas de cartoons que, com bom humor e a fina ironia pe­culiar de Ykenga, trata de questões sociais envolvendo os negros no Brasil, desde o descobrimento, em 1500, até os dias atuais.

— O sarcasmo dá o tom da críti­ca social presente nos desenhos, em que temas como escravidão, precon­ceito e injustiça são tratados sem ro­deios — diz o autor.

Destinado ao público em geral, o livro desperta também grande inte­resse dos adolescentes. Para Yken­ga, isso se dá tanto pelo impacto das ilustrações como pela empatia com a realidade social desenhada, o que o torna um bom instrumento para­didático na abordagem da temática afro-brasileira pelas escolas.

Ykenga — Pseudônimo adota­do nos primeiros contatos com a avó africana, Ykenga começou sua carreira no falecido semanário ‘O Pasquim’, do qual fizeram parte os maiores nomes da charge brasilei­ra, tais como Ziraldo, Jaguar, Henfil, além de personalidades como Caetano Veloso, Chico Buarque, Ruy Castro, Millôr Fernandes, en­tre outros. Passou ainda por vários jornais, como O Dia, Última Hora e O Fluminense. Atualmente, atua no jornal Extra, além de militar, desde os anos 80, na causa do mo­vimento negro.