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A Regra do Jogo

'Vitória na Guerra': Flávio Carriço comemora repercussão de 'A Regra do Jogo'

Ator carioca criado em Cabo Frio planeja se formar em direção de cinema

20 março 2016 - 09h00Por Rodrigo Branco
'Vitória na Guerra': Flávio Carriço comemora repercussão de 'A Regra do Jogo'

A cara de mau na foto que abre esta reportagem pode até enganar à primeira vista, mas em vez de meter o pé na porta, o ator Flávio Carriço, despido do figurino de um dos capangas de Zé Maria (Tony Ramos), líder da facção criminosa da recém-terminada novela ‘A Regra do Jogo’, chegou tímido e cordial à redação da Folha dos Lagos para esta entrevista.

Longe das vilanias de Gibson Stewart (José de Abreu) e do anti-herói Romero Rômulo(Alexandre Nero), o artista carioca, criado em Cabo Frio, comemora a visibilidade e a repercussão obtidas com a participação na trama do horário nobre global, mas, com os pés no chão e a experiência de mais de 15 anos no teatro atuando e dirigindo, prefere manter os pés no chão e pensar nos próximos trabalhos.

– Meu projeto agora é continuar o curso de direção de cinema na Escola Darcy Ribeiro, no Rio, onde no final do ano eu me formo. Pretendo continuar fazendo meus curtas, mas nunca vou deixar de atuar porque eu sinto essa necessidade, mesmo virando diretor lá na frente – afirma, com modéstia.
A cautela se justifica pela trajetória recheada de suor e trabalho. Flávio coleciona participações em folhetins na Globo (‘Além do Horizonte’ e ‘Totalmente Demais’) e na Record (‘Os Dez Mandamentos’, ‘Chamas da Vida’ e ‘Bela, a Feia’), mas ainda sonha com um papel fixo, onde possa dar vazão aos sonhos do criativo menino, criado sem luxos na Região dos Lagos dos cinco aos 15 anos, logo após a morte do pai. E foi um drama familiar, em 1999, associado a uma desilusão amorosa que desencadeou um processo que já se vislumbrava natural.

– A morte do meu avô, que era uma referência paterna pra mim, mexeu muito comigo. Tive um choque muito grande. E isso junto com o fim de um relacionamento de oito anos que eu tinha, acho que acionou muita coisa em mim, de querer se libertar e ser o que eu sou hoje – pondera o ator de 40 anos, que chegou a trabalhar como bancário para custear os estudos na faculdade de Artes Cênicas, na capital.

A carreira teatral engrenou, com a média de uma peça encenada por ano, o que faz Flávio achar graça dos amigos que se surpreenderam com sua presença no folhetim de João Emanoel Carneiro. A ascensão, se não é meteórica, está calcada em firmes raízes familiares. O sobrenome, por exemplo, é profundamente ligado à cultura da região, tendo como expoente máximo o poeta e compositor Victorino Carriço, morto em 2003. Mesmo com a rotina bastante agitada a 200 quilômetros de distância, o ator mantém vivo o desejo de trabalhar novamente ‘em casa’ – ele já fez um programa em uma emissora local em 2008.

– Gostaria de montar uma escola aqui, mas ainda não é o momento. Eu sinto que ainda vou contribuir para a cultura da cidade, até para preservar a linhagem familiar. Não sei quando nem como, mas eu sinto essa necessidade – almeja.

Enquanto não põe em prática o seu desejo e não é chamado para novas participações na TV, Flávio Carriço segue pelos palcos, profissionalmente, ou ensinando o ofício, como faz para um grupo de crianças no Retiro dos Artistas, no Rio. O lema da facção, que dá nome a esta matéria, ele prefere adaptar ao seu estilo de vida, de êxitos graduais e consistentes.

– Pra mim, como ator, prefiro falar vitória nas batalhas. A guerra só termina quando a gente morre – filosofa